Xi critica guerra no Irã e tarifas na cúpula do Brics

Presidente da China defendeu ação do bloco pela estabilidade no Oriente Médio; premiê indiano voltou a pedir reforma no Conselho de Segurança da ONU.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
Cúpula do Brics em Nova Délhi reuniu debates sobre guerra, comércio, ONU e cooperação tecnológica.HOST BROADCASTER via Reuters
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O presidente da China, Xi Jinping, criticou a guerra no Irã e as chamadas “tarifas comerciais arbitrárias” em discurso na cúpula do Brics, realizada em Nova Délhi, na Índia. Ele afirmou que o conflito no Oriente Médio prejudica populações da região e não atende aos interesses da comunidade internacional.

Na reunião, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi retomou a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU. Xi também se encontrou bilateralmente com Modi, em um movimento de aproximação entre dois países que mantêm rivalidades regionais e disputas de fronteira.

Xi critica guerra no Irã

Ao abordar o conflito, Xi disse que a guerra no Irã provocou graves consequências para as populações de toda a região. O presidente chinês vinculou a situação à necessidade de reduzir as tensões no Oriente Médio e em outras áreas do mundo.

O líder chinês defendeu que o Brics atue em favor da paz e da estabilidade no Oriente Médio e na região do Golfo. A declaração ocorreu diante de uma composição ampliada do grupo, que inclui o Irã e os Emirados Árabes Unidos.

Essa presença de países com posições distintas em relação aos Estados Unidos influenciou a redação do comunicado final da cúpula. O texto aprovado pelos integrantes adotou termos mais genéricos sobre a guerra no Oriente Médio do que os usados por Xi em sua fala.

Discurso rejeita protecionismo

Xi também pediu que os integrantes do Brics se oponham às tarifas e combatam todas as formas de protecionismo. O presidente chinês classificou as medidas comerciais criticadas como arbitrárias.

Embora não tenha mencionado diretamente os Estados Unidos, seu discurso associou a defesa do comércio à agenda de cooperação entre países em desenvolvimento. A fala teve tom mais incisivo do que a formulação consensual adotada no documento final do encontro.

Para Xi, o Brics deve exercer uma função de liderança entre os países do Sul Global. Ele apresentou o grupo como referência de autonomia para as nações em desenvolvimento.

Brics amplia agenda tecnológica

Além dos temas geopolíticos e comerciais, Xi incentivou os países do bloco a aprofundar a cooperação em inteligência artificial. A proposta incluiu a criação de uma nova indústria vinculada a essa tecnologia.

A defesa da colaboração tecnológica se soma ao esforço chinês de ampliar os campos de atuação do Brics. Dessa forma, o discurso reuniu segurança regional, comércio internacional e desenvolvimento tecnológico sob uma mesma agenda de cooperação.

Xi afirmou que a China quer atuar ao lado dos demais membros para contribuir com a estabilidade regional. A posição foi apresentada como parte do papel que o país pretende desempenhar dentro do grupo.

Modi cobra reforma na ONU

Como anfitrião da cúpula, Narendra Modi voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O premiê indiano argumentou que grandes países em desenvolvimento precisam ter maior participação nas decisões globais.

Segundo Modi, essas nações respondem por parcela relevante do crescimento econômico mundial. Por isso, ele sustentou que a representação atual do Conselho precisa acompanhar essa realidade.

A proposta de reforma da ONU se conecta à reivindicação mais ampla do Brics por maior influência dos países em desenvolvimento nos organismos internacionais. O tema coexistiu, na cúpula, com os debates sobre guerra, comércio e cooperação econômica.

Xi e Modi realizam encontro

Após a primeira reunião conjunta dos líderes do Brics, Xi e Modi tiveram uma conversa bilateral. Na reunião, o presidente chinês pediu maior colaboração entre China e Índia para fortalecer o bloco.

A visita representa a primeira ida de Xi à Índia em sete anos. Sua participação no encontro e a conversa com Modi foram vistas como uma aproximação entre as duas potências asiáticas.

China e Índia, contudo, são rivais regionais. Os dois países enfrentam disputas fronteiriças e mantêm desconfianças estratégicas, fatores que dão peso político ao diálogo bilateral realizado durante a cúpula.

Cúpula busca posição comum

A cúpula reuniu posições que nem sempre convergem sobre os conflitos no Oriente Médio. Por isso, a construção de um texto final comum exigiu uma linguagem menos específica sobre a guerra do que a adotada por Xi.

A diferença entre o discurso chinês e o comunicado ilustra os limites e os desafios de consenso dentro de um grupo formado por países com interesses externos distintos. Ainda assim, os líderes avançaram em uma declaração aprovada por todos os participantes.

No pronunciamento, Xi reforçou a disposição chinesa de colaborar com os demais integrantes em busca de paz e estabilidade regional. A mensagem combinou a defesa de maior coordenação política do Brics com a proposta de ampliar sua cooperação econômica e tecnológica.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *