O Bitcoin caiu abaixo de US$ 80 mil nesta sexta-feira (4), depois que o relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll, mostrou um mercado de trabalho mais forte que o esperado. O resultado aumentou a cautela dos investidores e elevou as apostas em uma possível alta de juros pelo Federal Reserve ainda neste mês.
Por volta das 16h, no horário de Brasília, o Bitcoin recuava 1,75%, a US$ 79.619,60, segundo dados da plataforma Binance. O Ethereum, por outro lado, avançava 1,4%, a US$ 2.451,47. Apesar da queda diária, o Bitcoin acumulava alta de 2,7% na semana, enquanto o Ethereum perdia 2,3% no mesmo período.
Bitcoin reage ao payroll americano
O relatório de emprego dos Estados Unidos alterou o humor dos mercados nesta sexta-feira. A leitura de um mercado de trabalho mais forte que o esperado reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode manter uma política monetária mais restritiva.
Com isso, ativos considerados mais arriscados passaram a sofrer pressão. O movimento atingiu o Bitcoin, que havia alcançado recentemente a maior cotação em três meses, mas voltou a perder o patamar de US$ 80 mil ao longo do pregão.
Parte relevante das apostas do mercado passou a considerar uma elevação dos juros na reunião do Fed prevista para setembro. Juros mais altos tendem a reduzir o interesse por ativos de maior risco, porque aumentam a atratividade relativa de aplicações financeiras consideradas mais seguras.
Juros dos EUA ampliam aversão ao risco
A reação do Bitcoin ocorreu em meio a uma aversão generalizada ao risco nos mercados. Além do resultado do payroll, os investidores acompanham os próximos sinais sobre inflação e emprego antes de ajustar suas expectativas para a política monetária americana.
A precificação do mercado para um aumento de juros em setembro ainda parece excessivamente agressiva”
James Butterfill, da CoinShares
James Butterfill, da CoinShares, afirmou que o Bitcoin tem apresentado comportamento semelhante ao do ouro, com atuação próxima à de um ativo de refúgio. Segundo ele, porém, os sinais macroeconômicos têm limitado o interesse dos investidores nessa função.
Para Butterfill, o mercado ainda precifica de forma agressiva uma alta de juros em setembro. Ele relaciona essa avaliação a dados mais fracos do mercado de trabalho e ao início de uma divergência dentro do Federal Reserve sobre o peso que inflação e emprego devem ter nas decisões.
Analista vê resistência em US$ 80 mil
O nível de US$ 80 mil aparece como uma referência técnica e psicológica para o Bitcoin. A criptomoeda chegou a superar essa marca durante a semana, mas perdeu força após a divulgação dos dados de emprego americanos.
Na avaliação de Butterfill, uma eventual resolução para o conflito com o Irã poderia favorecer uma retomada do ativo. Ele também citou a possibilidade de uma deterioração ainda maior da confiança na dívida soberana dos Estados Unidos como fator capaz de abrir espaço para o rompimento da resistência.
Essas possibilidades, no entanto, dependem da combinação entre fatores geopolíticos, expectativas de juros e percepção de risco nos mercados. Por isso, o comportamento do Bitcoin continua ligado tanto aos dados econômicos quanto ao ambiente internacional.
CPI e Clarity Act entram no radar
O próximo dado econômico relevante será o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI, previsto para 11 de setembro. O indicador poderá influenciar as apostas sobre a trajetória dos juros e, consequentemente, o desempenho de ativos como Bitcoin e Ethereum.
Outro evento acompanhado pelo setor será a votação processual do Senado americano sobre o Clarity Act, marcada para 15 de setembro. O projeto é considerado favorável ao mercado de criptomoedas.
De acordo com o texto, a proposta classificaria as criptomoedas como commodities, e não como valores mobiliários. A tramitação pode afetar as expectativas regulatórias do setor, enquanto os investidores também avaliam os próximos passos do Federal Reserve.


