Os Estados Unidos estudam reduzir tropas no Oriente Médio e reavaliar instalações militares e de inteligência na região caso consigam encerrar o conflito com o Irã. Segundo seis fontes ouvidas pela CNN, as conversas ocorrem em setores das Forças Armadas e da comunidade de inteligência, embora não exista uma ordem formal para revisar a postura das forças.
A discussão ganhou força depois de ataques iranianos contra bases e outras estruturas americanas. A guerra matou 18 militares dos EUA, segundo a reportagem, e levou o Pentágono a examinar tanto uma eventual redução da presença quanto formas de proteger melhor os militares que permanecerem na área.
Discussões avaliam cortes
Os planos em análise incluem diminuir o número de pessoas e instalações mantidas normalmente pelos Estados Unidos no Oriente Médio. Autoridades citadas pela CNN afirmaram que militares e integrantes da inteligência procuram se preparar para possíveis decisões do governo Donald Trump no período posterior ao conflito.
Até agora, porém, as conversas têm caráter informal. Fontes disseram que diferentes áreas das Forças Armadas e da CIA discutem cenários, mas não receberam uma determinação direta para conduzir uma revisão oficial da estrutura militar americana na região.
O Gabinete do Secretário de Defesa encaminhou questionamentos ao Comando Central dos EUA. Posteriormente, um oficial americano afirmou que os militares não comentariam deliberações internas nem fariam previsões sobre a futura postura das forças, citando razões de segurança operacional.
A CIA recusou-se a comentar. Dessa forma, as opções debatidas não representam, por enquanto, uma decisão anunciada pelo governo americano.
Presença segue elevada
As discussões ocorrem enquanto os EUA mantêm cerca de 50 mil soldados no Oriente Médio, além de ativos militares navais e aéreos. Segundo a reportagem, o dispositivo inclui dois porta-aviões e mais de uma dúzia de contratorpedeiros com mísseis guiados.
Ao mesmo tempo, agentes da CIA que voltaram aos Estados Unidos durante a fase mais intensa dos combates no início do ano começaram a retornar à região. A movimentação indica que a eventual redução não significaria uma retirada imediata enquanto a guerra continuar.
Os planejadores militares também consideram estratégicas as localidades usadas para lançar aeronaves. Por isso, duas fontes afirmaram que não haveria sentido em abandonar esses pontos durante o conflito.
Não temos um número final para os danos às nossas instalações no exterior”
Jules “Jay” Hurst III, controlador do Pentágono
As forças americanas seguem envolvidas em tarefas como a escolta de navios no Estreito de Ormuz e ataques contra infraestrutura iraniana, de acordo com a reportagem. O Irã, por outro lado, continuou a atingir posições e instalações dos EUA em países da região.
Ataques expõem bases
Os recentes ataques iranianos colocaram em evidência a vulnerabilidade de instalações militares americanas diante de drones e mísseis. Fontes relataram danos em estruturas dos EUA no Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Kuwait.
Na semana anterior à publicação da reportagem, o Irã atacou instalações americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Os dois lados também voltaram a trocar disparos pela primeira vez em cerca de um mês, segundo autoridades americanas citadas pela CNN.
Um posto avançado da CIA em Riad, capital da Arábia Saudita, foi efetivamente destruído em um ataque iraniano, conforme um funcionário americano e um ex-oficial de inteligência. As autoridades do Pentágono, no entanto, procuraram minimizar publicamente o impacto sobre instalações militares.
O chefe de Operações Navais dos EUA, almirante Daryl Caudle, indicou na semana passada que o pessoal americano não deve retornar em breve ao Bahrein, onde fica tradicionalmente a sede da 5ª Frota. A declaração reforça que as consequências dos ataques alcançam estruturas consideradas centrais para a presença naval dos EUA na região.
Defesas podem ir ao subsolo
O Exército americano avalia transferir parte de suas instalações para estruturas subterrâneas, segundo duas fontes familiarizadas com as conversas. A medida buscaria reduzir a exposição de tropas a ataques com mísseis e drones.
O Pentágono já discutia anteriormente a possibilidade de levar algumas bases para o subsolo. Contudo, os primeiros meses da guerra deram urgência ao tema, ao mostrarem a capacidade iraniana de alcançar instalações americanas na região.
Uma fonte identificada como oficial americano disse à CNN que as vulnerabilidades eram conhecidas havia tempo, mas não receberam uma resposta urgente dos Estados Unidos. Agora, a proteção dos locais que continuarem operando aparece como parte central do debate sobre o pós-guerra.
Paralelamente, setores da CIA e do comando de operações especiais examinam se algumas missões sensíveis poderiam ser executadas sem bases permanentes. Nesse modelo, pessoal e equipamentos ficariam nos Estados Unidos, seguiriam ao Oriente Médio apenas para missões específicas e retornariam depois.
Não vamos voltar para lá tão cedo”
Almirante Daryl Caudle, chefe de Operações Navais dos EUA
Reconstrução depende de escolha
Uma das alternativas consideradas é não reconstruir instalações severamente danificadas ou destruídas. Segundo um funcionário e duas fontes familiarizadas com as discussões, os custos pesam nessa avaliação.
Em abril, o controlador do Pentágono, Jules “Jay” Hurst III, afirmou a jornalistas que ainda não era possível calcular o custo dos reparos nas bases e instalações atingidas pela guerra. Ele associou a definição desse valor à decisão sobre qual presença os Estados Unidos pretendem manter no Oriente Médio.
“”, afirmou Hurst, ao explicar que o cálculo depende de como — ou mesmo se — os locais serão reconstruídos.
Autoridades do Pentágono também discutem reduzir a presença em países do Golfo e transferir uma parcela maior da responsabilidade de defesa aos parceiros regionais, segundo três fontes. Para as grandes bases permanentes que forem mantidas, a contribuição financeira dos países anfitriões pode influenciar a reconstrução, que poderá custar bilhões de dólares.
Histórico limita retirada
A atual discussão retoma um debate que atravessa décadas da política externa americana. Em 1998, os EUA já mantinham cerca de 27 mil militares da ativa no Oriente Médio; após os ataques de 11 de setembro de 2001, a presença cresceu de forma expressiva.
Dois anos depois dos atentados, durante a invasão do Iraque, o efetivo americano na região chegou a cerca de 250 mil soldados. Entre 2007 e 2011, estimativas públicas indicam que esse contingente não caiu abaixo de aproximadamente 100 mil.
Em 2011, o governo Barack Obama retirou tropas de combate do Iraque e anunciou a retirada de dezenas de milhares de militares do Afeganistão. Ainda assim, os EUA permaneceram envolvidos em crises posteriores, incluindo a ascensão do Estado Islâmico e os conflitos ligados ao Irã.
Nos anos seguintes, o contingente americano no Oriente Médio oscilou entre 30 mil e 60 mil militares, segundo estimativas públicas citadas na reportagem. Embora a Casa Branca tenha defendido em diferentes momentos concentrar recursos na Ásia e enfrentar a China, crises regionais continuaram a sustentar uma presença relevante dos EUA no Oriente Médio.


