Festival de Brasília começa após cancelamento e reúne mais de 70 filmes

59ª edição do evento será aberta nesta sexta-feira, no Cine Brasília, depois de uma reviravolta envolvendo o governo do Distrito Federal

Da
Redação
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O Cine Brasília recebe a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro a partir desta sexta-feira.© Valter Campanato/Agência Brasil
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O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta sexta-feira (11), no Cine Brasília, após ter sido cancelado e reconfirmado pelo governo do Distrito Federal horas depois. A 59ª edição terá mais de 70 filmes selecionados entre 1.928 inscrições.

A abertura está marcada para as 19h30, com a exibição de A Pele Morta, dirigido por Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres. A programação inclui mostras competitivas, sessões paralelas e homenagens ligadas à história do audiovisual brasileiro.

Festival retoma programação após cancelamento

A organização havia recebido a informação de que o festival não seria realizado por falta de verba. A decisão ocorreu depois da seleção da maior parte dos filmes e da preparação da programação.

A notícia mobilizou a classe artística no Distrito Federal. Horas depois, a governadora Celina Leão publicou nas redes sociais uma determinação para que a Secretaria de Economia providenciasse os recursos necessários.

Com a reversão, o evento foi mantido para esta sexta-feira. A mudança transformou a edição em uma retomada marcada por tensão administrativa e pela mobilização de profissionais da cultura.

Mostras reúnem filmes e debates nacionais

Os 1.928 filmes inscritos representam um recorde dentro do festival, segundo a organização. Mais de 70 produções foram selecionadas para diferentes mostras.

Além das competições de longas e curtas-metragens, o público encontrará sessões especiais e mostras paralelas. A programação também aborda artistas e temas considerados relevantes para o cinema brasileiro.

Entre as atividades está a mostra Vozes e Lutas, dedicada a filmes relacionados a movimentos políticos e culturais. A seleção inclui Pontos de Partida, de Silvio Tendler, que morreu em setembro do ano passado.

Abertura destaca produção ligada a Brasília

A sessão inaugural exibirá A Pele Morta, concebido pelo diretor Geraldo Moraes, que viveu em Brasília e morreu em 2017. O projeto foi resgatado e dirigido pelos filhos do cineasta.

Um patrimônio não é cancelável. O festival é um patrimônio tombado formalmente e afetivamente, não só por Brasília, mas por todo o Brasil.”

Sara Rocha, diretora-geral do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

O filme integra o conjunto de obras com vínculos diretos com o Distrito Federal. Para Sara Rocha, diretora-geral do festival, a presença de produções brasilienses é um dos destaques da edição.

A escolha também aproxima a cerimônia de abertura da memória do cinema local. Dessa forma, o festival inicia a programação celebrando uma obra ligada à trajetória de um realizador radicado na capital.

Série inédita chega à tela do Cine Brasília

Três episódios de Delegado serão apresentados em primeira mão no sábado (12), às 18h. A série foi dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca.

A produção tem entre os responsáveis Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux. Os dois também estiveram ligados à produção de O Agente Secreto, apontado no material como um dos grandes sucessos do cinema nacional no ano passado.

A exibição amplia o espaço do festival para além do formato tradicional de longas e curtas. Ao mesmo tempo, leva uma série ao principal espaço de exibição do evento em uma apresentação inédita.

Festival mantém trajetória desde 1965

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi criado em 1965 e se consolidou como espaço de debate sobre o audiovisual do país. Ao longo de sua história, o evento deixou de ser realizado apenas em dois anos durante a ditadura militar.

Durante a pandemia, o festival ocorreu de forma virtual. Desde 2007, ele é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.

A trajetória ajuda a explicar o peso simbólico da retomada desta edição. A programação volta ao Cine Brasília depois de uma crise que ameaçou interromper a realização do evento.

Organização espera ampliar participação do público

A diretora-geral Sara Rocha afirmou que espera superar o número de espectadores e reunir público, realizadores e a comunidade cultural. Segundo ela, a realização de cada edição fortalece a presença do festival no cinema brasileiro.

O evento pretende celebrar tanto a produção nacional quanto a cinematografia vinculada ao Distrito Federal. Por isso, a programação combina competição, sessões especiais, debates culturais e obras de diferentes formatos.

A programação completa está disponível no site oficial do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. As atividades começam nesta sexta-feira, com a sessão de abertura no Cine Brasília.

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