Petrobras corrige comunicado sobre gasolina e reação preocupa mercado

Estatal retirou a previsão de reajuste de R$ 0,19 por litro e informou que a mudança se limita ao fim do desconto sobre a gasolina A.

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Redação
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Petrobras corrigiu o comunicado sobre a alteração no preço da gasolina A vendida às distribuidoras.16 de outubro de 2019 REUTERS/Sergio Moraes
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A Petrobras corrigiu, na madrugada de quinta-feira (10), uma informação divulgada na noite anterior sobre o preço da gasolina A vendida às distribuidoras. A estatal retirou a previsão de reajuste de R$ 0,19 por litro e informou que a alteração nos pontos de venda se restringe à suspensão de um desconto de R$ 0,44 por litro.

Segundo a empresa, para as distribuidoras o resultado percebido, considerados os tributos, será uma redução de R$ 0,19 por litro. A revisão do comunicado levou analistas do Itaú BBA a apontarem preocupação com a previsibilidade das decisões de preços da companhia.

Petrobras corrige a informação divulgada

Na noite de quarta-feira (9), a Petrobras havia informado o encerramento do desconto de R$ 0,44 por litro da gasolina A destinada às distribuidoras. O comunicado também previa um reajuste de R$ 0,19 no preço do combustível.

Pouco antes da 1h de quinta-feira, porém, a companhia divulgou uma correção. A Petrobras afirmou que, diferentemente da comunicação anterior, a mudança no preço nos pontos de venda corresponderia somente à suspensão do desconto.

Além disso, a estatal declarou que o efeito para as distribuidoras, após os tributos, seria de redução de R$ 0,19 por litro no preço percebido. A empresa não apresentou explicações adicionais para a reversão da informação.

Fim da MP encerra desconto

O desconto sobre a gasolina distribuída terminou com o encerramento da vigência da Medida Provisória 1.358/2026. A norma autorizava a distribuição de subsídios a produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo.

Editada em maio, a medida buscava aliviar o preço da gasolina em meio às tensões no Oriente Médio. Portanto, o fim de sua vigência encerrou o mecanismo que sustentava o desconto informado pela Petrobras.

A companhia afirmou que a retirada do benefício será compensada por uma redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins. Essa redução foi determinada por uma nova medida provisória do governo Lula.

Itaú BBA vê risco à previsibilidade

Em relatório divulgado na quinta-feira, a equipe de análise do Itaú BBA avaliou que a reversão do aumento da gasolina é menos favorável à previsibilidade da governança. Na visão dos analistas, o episódio pode reforçar preocupações de investidores sobre a consistência e a independência dos processos de decisão de preços.

O banco também levantou dúvidas sobre a continuidade de um reajuste de R$ 1 por litro no diesel. Para o Itaú BBA, esse movimento poderia ser necessário para que a Petrobras voltasse ao alinhamento total com sua política de preços.

Na avaliação do relatório, a gasolina ainda estaria amplamente em conformidade com a política de preços da empresa na média anual, caso os valores internacionais se mantivessem nos níveis então observados. Por outro lado, os analistas identificaram uma lacuna relevante no diesel.

Petróleo amplia pressão sobre preços

A discussão ocorre enquanto a escalada de tensão no Oriente Médio eleva as cotações internacionais do petróleo. Na quinta-feira, o Brent para novembro, negociado na ICE, fechou em alta de 6,34%, ou US$ 6,42.

Com isso, o barril superou US$ 107 pela primeira vez desde maio. Segundo o Itaú BBA, uma intensificação do conflito e uma nova alta do petróleo internacional poderiam aumentar a pressão sobre a política de preços da Petrobras.

Desde que abandonou a política de paridade de preços internacionais, a Petrobras adota um regramento anunciado em 2023. De acordo com declarações de autoridades do governo e executivos da empresa citadas no material, a diretriz busca adaptar os preços ao mercado brasileiro e reduzir o repasse da volatilidade externa ao consumidor.

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