A reeleição de Gianni Infantino à presidência da Fifa ganhou força, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Sem um adversário com apoio global suficiente, dirigentes que se opõem ao suíço-italiano passaram a discutir alternativas para limitar os poderes do cargo.
A eleição está marcada para 18 de março de 2027, em Rabat. Embora federações europeias tenham retirado apoio a Infantino após a crise envolvendo uma proposta comercial da entidade, o presidente preserva respaldo em outras regiões, incluindo África, Oceania e América do Sul.
Infantino preserva base eleitoral
O Congresso da Fifa reúne 211 federações-membro, e cada uma dispõe de um voto. Por isso, uma candidatura capaz de derrotar o atual presidente precisaria ultrapassar amplamente a base de 55 associações que integram a Uefa.
Segundo fontes consultadas pela Reuters, Infantino continua a ter sustentação considerável fora da Europa. A Conmebol mantém apoio ao presidente, enquanto a Confederação Africana de Futebol também segue majoritariamente alinhada a ele.
Essa distribuição de votos alterou a avaliação de opositores. Há algumas semanas, a crise em torno da venda de participação em competições da Fifa parecia ameaçar a permanência de Infantino; agora, o cálculo é que enfrentá-lo sem uma coalizão ampla pode reforçar sua posição.
Crise comercial provoca reação
O maior desafio enfrentado por Infantino neste ano surgiu depois do colapso da proposta de vender 20% de participação em competições da Fifa, entre elas a Copa do Mundo, a investidores privados.
A iniciativa encontrou resistência de entidades do futebol. Uefa, Confederação Asiática de Futebol e Concacaf estiveram entre as organizações que defenderam mudanças na direção da Fifa após o abandono do projeto.
Mattias Grafström, secretário-geral da Fifa, classificou a sequência que levou à retirada da proposta como triste e repreensível. Posteriormente, após uma reunião de crise em Rabat, ele voltou a manifestar apoio integral a Infantino.
Europa retira apoio político
Diversas federações nacionais europeias deixaram de apoiar a reeleição de Infantino. A França foi a mais recente, depois de o comitê executivo de sua federação aprovar a retirada do respaldo por unanimidade.
O presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, afirmou que a entidade pretende trabalhar pela construção de um programa alternativo e de uma candidatura capaz de vencê-lo. No entanto, a França não indicou um nome para a disputa.
Diallo também defendeu que um projeto de oposição não se restrinja ao continente europeu. Para alcançar maioria no Congresso da Fifa, a articulação terá de reunir federações de diferentes confederações.
Candidaturas precisam surgir até novembro
Os interessados em concorrer à presidência da Fifa devem ser indicados até 18 de novembro. Assim, os opositores têm pouco mais de dois meses para definir candidato, plataforma e apoios internacionais.
Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, era visto por dirigentes do futebol como um dos poucos nomes com potencial para construir uma aliança entre confederações. Por meio de porta-voz, porém, ele descartou ter ambição, intenção ou interesse em assumir o comando da Fifa.
Victor Montagliani, presidente da Concacaf, também apareceu nas conversas sobre uma eventual candidatura. Segundo outra fonte ouvida pela Reuters, ele considera improvável entrar na disputa sem antes ter segurança de que reuniria votos para vencer.
Apoio cresce fora da Europa
Na Oceania, Steeve Laigle, presidente da Federação de Futebol da Nova Caledônia, disse que a maioria dos dirigentes da região continua ao lado de Infantino. Na avaliação dele, o presidente da Fifa conquistou lealdade ao dar mais atenção às necessidades de federações menores.
O cenário é semelhante na África, de acordo com uma fonte sênior da CAF. A fonte afirmou que a ampla maioria dos presidentes de federações africanas segue satisfeita com Infantino e associa a continuidade do apoio à perspectiva de mais recursos para o futebol.
Marrocos figura entre os apoiadores públicos do dirigente. Uma fonte da CAF relatou que alguns integrantes do futebol africano acreditam que Fouzi Lekjaa, presidente da federação marroquina, teria recebido uma promessa relacionada à final da Copa de 2030; a Fifa negou essa versão.
Oposição debate limitar poderes
Sem um candidato competitivo até agora, parte da oposição considera deslocar o foco da tentativa de derrotar Infantino para uma discussão sobre a estrutura de governança da Fifa.
Duas fontes disseram à Reuters que dirigentes avaliam reduzir ou redistribuir poderes hoje concentrados na presidência. Entre os temas em análise estão controles mais firmes sobre decisões estratégicas e comerciais de grande porte.
Diallo confirmou que a repartição de autoridade dentro da Fifa entrou no debate da Uefa. Ele citou, entre as possibilidades discutidas, a transferência de competências do presidente para um secretário-geral nomeado, caso a oposição conclua que não dispõe de votos para vencer a eleição.


