Os Correios pediram à União garantia para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A operação, prevista no plano de reestruturação financeira da estatal, envolve um pool de quatro bancos privados e tem prazo de 15 anos.
O financiamento prevê três anos de carência antes do início dos pagamentos e taxa equivalente a 114,26% do CDI. O pedido mantém o valor que a empresa vinha negociando desde maio e representa mais uma etapa da estratégia para recompor o caixa.
Correios estruturam novo crédito
A estatal iniciou meses atrás as negociações para captar recursos adicionais. Em maio, os Correios passaram a se reunir com instituições financeiras para levantar cerca de R$ 7 bilhões.
Em abril, o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, havia afirmado que a companhia conversava com bancos sobre uma nova captação. Na ocasião, ele também indicou que os Correios poderiam não utilizar integralmente os R$ 8 bilhões autorizados pelo Conselho Monetário Nacional.
Segundo Rondon, medidas adotadas durante a reestruturação haviam ampliado a liquidez do caixa. Agora, o pedido encaminhado à União formaliza o valor e as condições financeiras que vinham sendo discutidos.
Operação prevê prazo longo
O empréstimo terá duração de 15 anos, com três anos de carência. Assim, os pagamentos começarão após esse período inicial, conforme as condições apresentadas para a operação.
A taxa definida equivale a 114,26% do CDI. O crédito será concedido por um grupo de quatro bancos privados, mas dependerá da garantia da União para ser contratado.
Além disso, a nova operação se soma a um financiamento de R$ 12 bilhões firmado pelos Correios no fim de 2025. Esse primeiro empréstimo foi concedido por cinco instituições financeiras e também contou com garantia federal.
Estatal já contratou R$ 12 bilhões
O plano de reestruturação previa originalmente a captação de até R$ 20 bilhões em crédito. A contratação de R$ 12 bilhões no fim de 2025 representou a primeira parte desse montante.
Do total, R$ 10 bilhões foram liberados em dezembro. Os R$ 2 bilhões restantes ficaram para 2026.
Parte dos recursos foi usada para pagar salários e dívidas com fornecedores. Com o novo pedido de R$ 7 bilhões, os Correios avançam em outra frente de financiamento prevista para a recuperação financeira da empresa.
Plano combina crédito e cortes
O empréstimo integra o plano de reestruturação dos Correios para o período de 2025 a 2027. O programa reúne medidas para reduzir despesas, aumentar receitas e vender ativos.
Na apresentação do plano, a estatal estimou uma redução anual de R$ 4,2 bilhões em despesas. Também projetou aumento de R$ 1,7 bilhão em receitas e arrecadação de R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis.
Entre as ações previstas estão um Programa de Demissão Voluntária, a renegociação de contratos e passivos, mudanças no plano de saúde dos funcionários e o fechamento de parte das agências.
Prejuízo pressiona caixa
A busca por novos recursos ocorre após uma sequência de resultados negativos. Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões.
Esse foi o quarto resultado anual negativo consecutivo da empresa desde 2021. Por isso, a ampliação da liquidez aparece como uma das principais frentes da estratégia de recuperação.
O plano combina os empréstimos com medidas operacionais e financeiras. Dessa forma, a estatal pretende enfrentar simultaneamente o déficit e a necessidade de manter suas atividades.
Governo prevê aporte em 2027
Além das operações de crédito, o governo reservou R$ 6 bilhões no Orçamento de 2027 para um aporte nos Correios. A injeção já fazia parte das condições negociadas no contrato do financiamento de R$ 12 bilhões assinado no fim de 2025.
Até o fim de agosto, porém, o governo havia desembolsado apenas a garantia do empréstimo. Não havia ocorrido aporte direto de recursos do Tesouro na estatal até aquele momento.
O novo pedido de garantia, portanto, amplia a estrutura financeira mobilizada para a reestruturação dos Correios. A empresa ainda mantém como eixo do plano a redução de despesas, o crescimento das receitas e a venda de ativos.


