Rogério de Andrade e Gilmar Enéas Lisboa irão a júri popular pela morte do contraventor Fernando de Miranda Iggnácio, assassinado a tiros em novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro. A decisão partiu da 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital.
O juízo entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade para submeter os dois réus ao Tribunal do Júri. Segundo a acusação, o crime teve como motivação a disputa pelo controle de pontos do jogo do bicho na cidade.
Justiça leva réus ao júri popular
A decisão de pronúncia determina que Rogério de Andrade e Gilmar Enéas Lisboa sejam julgados pelo Tribunal do Júri. O órgão é formado por sete jurados escolhidos por sorteio.
Após a formação do conselho de sentença, os jurados analisam as principais peças do processo e as provas debatidas durante o julgamento. A decisão final será tomada ao término da sessão.
O caso envolve a morte de Fernando Iggnácio, ocorrida em 10 de novembro de 2020. Os dois acusados responderão perante os jurados pelas imputações apresentadas pelo Ministério Público.
Prisão preventiva permanece mantida
Na mesma decisão que enviou o processo ao júri, a Justiça manteve as prisões preventivas de Rogério de Andrade e Gilmar Enéas Lisboa.
Com isso, os dois réus permanecerão presos até o julgamento popular. A medida foi definida pela 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital.
A manutenção das prisões ocorre enquanto o processo segue para a fase de julgamento pelo Tribunal do Júri. O julgamento reunirá acusação, defesa e o conselho de sentença.
MP atribui mando a Rogério
Segundo a denúncia, o Ministério Público aponta Rogério Costa de Andrade e Silva como mandante do assassinato. A acusação o relaciona a uma organização criminosa que atuaria desde ao menos 2018 na exploração do jogo ilegal, lavagem de capitais e tomada violenta de territórios.
Para o MP, o objetivo era assumir o controle de pontos de jogo do bicho, caça-níqueis e videopôquer explorados por Fernando Iggnácio na capital fluminense. A denúncia afirma que Rogério teria ordenado o homicídio a Márcio Araújo de Souza, conhecido como Araújo.
A acusação também cita mensagens em aplicativo criptografado como parte da apuração. De acordo com a denúncia, uma mensagem sobre a vítima recebeu uma resposta que indicaria o entendimento da ordem.
Acusação aponta monitoramento em Angra
Gilmar Enéas Lisboa é acusado de acompanhar a rotina de Fernando Iggnácio em Angra dos Reis antes do atentado. Conforme a denúncia, o monitoramento teria começado em 16 de março de 2020.
O Ministério Público afirma que Gilmar agiria sob ordens de Márcio Araújo de Souza. A ele é atribuída a tarefa de enviar fotos, vídeos e mensagens sobre os deslocamentos e a residência da vítima.
Segundo a acusação, essas informações ajudaram a preparar o ataque. A imputação contra Gilmar integra o mesmo processo que levou os dois réus à fase de julgamento pelo júri.
Crime ocorreu após pouso no Recreio
Fernando Iggnácio foi morto em 10 de novembro de 2020 após desembarcar de um helicóptero. Por volta das 13h15, ele chegou de Angra dos Reis ao heliponto da empresa Heli-Rio, na Avenida das Américas.
Quando caminhava para entrar em um carro, a vítima foi atingida por tiros de fuzil. O crime ocorreu no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.
O MP denunciou Rogério de Andrade e Gilmar Enéas Lisboa por homicídio quadruplamente qualificado. A acusação cita motivo torpe, emprego de meio cruel e perigo comum com uso de fuzis, emboscada ou recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito.
Além das qualificadoras, a denúncia inclui causa de aumento por crime praticado por grupo de extermínio. Essas são as imputações que serão examinadas no Tribunal do Júri.
Disputa envolve sucessão de Castor
Fernando Iggnácio era genro de Castor de Andrade, apontado como um dos pioneiros do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Rogério de Andrade é sobrinho de Castor.
Segundo o histórico do caso, a disputa familiar se intensificou após a morte de Castor, em 1997. Ainda em vida, ele havia escolhido Rogério para comandar a contravenção na zona oeste e em outras áreas do estado.
Paulinho, filho de Castor, discordou da sucessão. Em 1998, ele e um segurança foram assassinados na Barra da Tijuca, e Fernando Iggnácio passou a ocupar posição central na disputa com Rogério de Andrade.
O Ministério Público trata a morte de Iggnácio como parte da disputa por territórios ligados à contravenção. Agora, os jurados decidirão sobre a responsabilidade dos réus nas acusações apresentadas.


