Casal irá a júri por mortes de jovem, adolescente e bebê em Esteio

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, réus respondem por feminicídio, dois homicídios e crimes conexos; julgamento ainda não tem data.

Da
Redação
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Corpos das vítimas foram encontrados em terreno no RS • Reprodução/Redes Sociais e PC-RS
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O casal acusado pelas mortes de uma jovem de 18 anos, um adolescente de 16 anos e um bebê de dois meses em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, irá a julgamento pelo Tribunal do Júri. Os crimes ocorreram em julho de 2025, e a data da sessão ainda não foi definida.

De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Jocemar Antunes de Almeida, de 45 anos, e Belisia de Fátima da Silva respondem por feminicídio, dois homicídios e outros crimes conexos. Ambos estão presos preventivamente, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

Crime ocorreu em julho de 2025

As vítimas foram identificadas como Kauany Martins Kosmalski, de 18 anos, Ariel Silva da Rosa, de 16, e Miguel Martins Kosmalski, filho de Kauany, que tinha dois meses. O triplo homicídio aconteceu em 20 de julho de 2025, em Esteio.

Kauany e Ariel morreram após ataques com faca, segundo a apuração citada no material. Já Miguel morreu em consequência de traumatismo craniano.

Três dias após os crimes, os corpos foram localizados em uma cova numa área de mata da cidade, às margens do Rio dos Sinos. A localização dos corpos integrou a investigação conduzida pela Polícia Civil.

Denúncia aponta atração para área isolada

Segundo a denúncia do MPRS, os acusados teriam levado as vítimas a uma região isolada sob o argumento de que realizariam uma cerimônia religiosa. A acusação sustenta que os crimes ocorreram depois desse deslocamento.

O Ministério Público afirma que, após as mortes, os corpos foram ocultados na área de mata. A ocultação de cadáver integra as imputações apresentadas contra o casal.

A narrativa acusatória também menciona a participação de dois adolescentes, de 15 e 17 anos. Eles estão sob custódia, conforme as informações divulgadas, mas o material não detalha a tramitação dos procedimentos referentes a eles.

Exame confirma paternidade, diz MP

O MPRS informou que um exame de DNA apontou Jocemar Antunes de Almeida como pai biológico de Miguel. O bebê era filho de Kauany Martins Kosmalski.

Para a acusação, a paternidade e o relacionamento extraconjugal atribuído ao réu formam parte do contexto do crime. O promotor Rodrigo Mendonça afirmou que os homicídios teriam buscado impedir a revelação desse vínculo e preservar a imagem do casal na comunidade religiosa.

A investigação também aponta que o réu teria se valido de sua condição de pai de santo para enganar a jovem, alegando contexto religioso para as relações sexuais. Por isso, ele também responderá por violação sexual mediante fraude, segundo o MPRS.

Acusação atribui motivação ao casal

A delegada Marcela Smolenaars, responsável pela investigação, relacionou a motivação apontada pela polícia à existência do bebê, ao ciúme atribuído à esposa e ao receio de que o envolvimento se tornasse público.

Segundo essa linha investigativa, o temor seria perder a posição de líder religioso caso a relação com Kauany fosse revelada. A versão consta da apuração policial e da acusação, não de uma decisão definitiva sobre a responsabilidade dos réus.

O adolescente Ariel, amigo de Kauany, também frequentava a casa do pai de santo, de acordo com o material divulgado. A acusação afirma que os réus acreditavam que ele conhecia circunstâncias do relacionamento entre Jocemar e Kauany.

Réus respondem por crimes qualificados

O casal responderá por feminicídio com cinco causas de aumento e por dois homicídios com quatro qualificadoras cada, conforme informou o Ministério Público. Também constam na acusação os crimes de ocultação de cadáver, corrupção de menores e outras infrações conexas.

As qualificadoras e majorantes são circunstâncias que, se reconhecidas no julgamento, podem agravar a responsabilização penal. A análise do mérito das acusações caberá aos jurados e ao juiz que presidir a sessão.

O Tribunal do Júri julga crimes dolosos contra a vida. Nesse procedimento, os jurados decidem sobre a responsabilidade penal dos acusados, enquanto o juiz conduz os trabalhos e fixa a pena em caso de condenação.

Julgamento ainda aguarda data

A data do julgamento popular não havia sido definida nas informações disponíveis. O caso seguirá para a fase própria do Tribunal do Júri, após o encaminhamento dos acusados a julgamento.

Jocemar e Belisia permanecem presos preventivamente, segundo o material divulgado. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa, por si só, conclusão sobre culpa.

As imputações apresentadas pelo MPRS serão submetidas ao contraditório e à apreciação do júri. Assim, a eventual condenação, absolvição ou reconhecimento parcial das acusações dependerá do julgamento ainda a ser marcado.

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