Os aeroportos do Reino Unido retomam gradualmente as operações após uma falha no controle de tráfego aéreo provocar mais de 2 mil cancelamentos em dois dias. Heathrow, Gatwick, Stansted e Manchester registraram impactos, enquanto passageiros enfrentaram atrasos, remarcações e longas esperas.
Segundo a Cirium, empresa de análise de aviação, mais de 1.750 voos com chegada ou partida em aeroportos britânicos foram cancelados na terça-feira (8). Na quarta-feira (9), pelo menos outros 291 voos foram cancelados.
Aeroportos retomam operações gradualmente
O Heathrow informou na manhã de quarta-feira que os voos estavam operando. Ainda assim, o aeroporto alertou que a recuperação poderia continuar afetada enquanto as companhias aéreas reposicionavam aeronaves e tripulações.
Gatwick e Stansted divulgaram orientações semelhantes aos passageiros. Os viajantes foram aconselhados a consultar as companhias aéreas antes de seguir para os terminais.
Por isso, a retomada dos serviços não eliminou imediatamente os efeitos da interrupção. Cancelamentos acumulados e mudanças na escala de aviões e funcionários continuaram pressionando a operação.
O Heathrow ocupa a sétima posição entre os aeroportos mais movimentados do mundo em tráfego de passageiros, segundo dados do Airports Council International referentes a 2025. Mais de 84 milhões de pessoas passaram pelo terminal no ano anterior.
Falha atinge a rede de voos britânica
A interrupção começou no sistema da NATS, empresa responsável pelos serviços de controle de tráfego aéreo do Reino Unido. A companhia informou na quarta-feira que as operações estavam estáveis e anunciou uma investigação completa.
A NATS também disse que trabalhava com companhias aéreas e aeroportos para apoiar a recuperação. A empresa apresentou desculpas aos passageiros, às empresas aéreas e aos terminais afetados.
Passar por aquele aeroporto foi como tentar sair de Alcatraz”
Josie Donoghue, passageira ouvida pela Associated Press
O problema teve efeitos além dos aeroportos londrinos. A Air India afirmou que precisou desviar, atrasar ou cancelar vários voos de e para o Reino Unido.
A Qatar Airways também alertou passageiros sobre atrasos e possíveis redirecionamentos em suas rotas com origem ou destino no país.
Governo cobra explicações da NATS
A secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, reuniu-se na quarta-feira com Martin Rolfe, diretor-executivo da NATS. Segundo um porta-voz de Downing Street, ela manifestou preocupação com a dimensão da perturbação.
Alexander também solicitou uma investigação para esclarecer o que ocorreu no sistema de controle de tráfego aéreo. A apuração deverá orientar a avaliação de possíveis medidas adicionais.
Rolfe defendeu a capacidade operacional da organização em entrevista à BBC e pediu desculpas pela falha. A NATS, por sua vez, declarou que pretende identificar ações necessárias após a investigação.
Companhias aéreas criticam os atrasos
As companhias aéreas foram diretamente afetadas pelo descompasso entre aeronaves, tripulações e horários. A British Airways informou que cancelou mais de 190 voos na quarta-feira.
A Ryanair afirmou que 65 mil passageiros foram afetados na terça-feira e que mais de 50 voos programados foram cancelados. A Reuters estimou o prejuízo imediato da empresa em até 4,06 milhões de dólares, ou 3 milhões de libras.
O diretor de operações da Ryanair, Neal McMahon, pediu a saída de Rolfe e criticou a atuação da NATS. A Wizz Air também afirmou que o provedor não estaria adequado para exercer sua função na forma atual.
Acredito que estamos aptos para cumprir nossa função”
Martin Rolfe, diretor-executivo da NATS, em entrevista à BBC
Em resposta, Rolfe rejeitou a avaliação de que a NATS não teria condições de operar. Ele afirmou que os sistemas da empresa continuam aptos a cumprir sua finalidade.
Passageiros enfrentam longas esperas
As redes sociais reuniram relatos de passageiros retidos em aviões e terminais lotados. Em Gatwick, Josie Donoghue permaneceu três horas dentro de uma aeronave antes de ter o voo da Ryanair para a Irlanda cancelado, segundo a Associated Press.
Também houve casos de viajantes que não conseguiram encontrar hospedagem próxima aos aeroportos. Uma família que tentava retornar a Connecticut após viajar pela Grécia dormiu no chão de Heathrow, conforme relato publicado pela agência britânica PA Media.
Ao mesmo tempo, passageiros elogiaram funcionários em terra pela assistência oferecida durante a desorganização. A crise, porém, levou a mudanças de itinerário que ampliaram o tempo de viagem, inclusive em rotas internacionais.
Interrupções anteriores ampliam a pressão
A falha desta semana ocorre após outros episódios que afetaram a aviação britânica nos últimos anos. Em agosto de 2023, uma pane na NATS levou aeroportos e companhias aéreas a cancelar centenas de chegadas e partidas no fim do feriado público de verão.
No ano passado, Heathrow fechou após uma interrupção significativa no fornecimento de energia, atribuída a um grande incêndio nas proximidades. O episódio afetou milhares de voos e provocou impactos no transporte aéreo internacional.
Além disso, uma falha global em software de tecnologia da informação causou atrasos e problemas operacionais em aeroportos de vários países em 2024, incluindo o Reino Unido.
A repetição de interrupções aumentou a pressão sobre a NATS e sobre as autoridades de transporte. Agora, a investigação anunciada pela empresa deverá examinar a origem da falha e as medidas necessárias para evitar novos efeitos em cadeia.


