Brent supera US$ 100 com tensão no Oriente Médio

Referência global do petróleo avançou 2,90% nesta quarta-feira (9), enquanto o WTI subiu 3,02% em meio a preocupações com a oferta.

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Redação
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O Brent voltou a superar US$ 100 por barril em meio a riscos para a oferta de petróleo no Oriente Médio.18 de maio de 2026. REUTERS
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O Brent superou US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), pela primeira vez em seis semanas, em meio ao agravamento dos confrontos entre forças dos Estados Unidos e do Irã. A alta ampliou a preocupação do mercado com o abastecimento de petróleo na região e com possíveis efeitos sobre inflação e custos de energia.

Às 11h04, o barril do Brent, referência global, era negociado a US$ 100,77, avanço de 2,90% ante o fechamento anterior. Ao mesmo tempo, o WTI subia 3,02%, para US$ 95,83 por barril.

Brent supera US$ 100 após seis semanas

A marca de US$ 100 não era alcançada pelo Brent havia seis semanas. O movimento ocorreu após uma sequência de valorização que ganhou força com o aumento das incertezas sobre o conflito no Oriente Médio.

Desde o início do mês passado, o Brent acumulou alta de 25%. A referência global reagiu à redução das expectativas de uma solução duradoura para o confronto entre EUA e Irã, que já se estende por seis meses.

Embora o WTI também tenha avançado no pregão, ele permaneceu abaixo de US$ 100. Dessa forma, foi o Brent que voltou a cruzar o patamar simbólico observado pelo mercado internacional.

Confrontos ampliam risco para a oferta

Os preços aceleraram nesta semana após ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, contra instalações de energia na Arábia Saudita. Os ataques provocaram incêndios em instalações petrolíferas, elevando o risco de interrupções mais amplas na região do Golfo.

Eles estão votando com seus dólares, e esse voto indica fortemente que, a menos que o Estreito de Ormuz seja reaberto e o fluxo de petróleo seja retomado sem interrupções, a oferta não estará alinhada com a demanda em um futuro próximo.”

Tamas Varga, da corretora de petróleo PVM

O mercado passou a precificar com mais intensidade a possibilidade de perdas de oferta. Segundo Tamas Varga, da corretora de petróleo PVM, os investidores reagiram de forma clara à escalada mais recente das tensões no Oriente Médio.

Na avaliação do analista, a continuidade das restrições pode desequilibrar a relação entre oferta e demanda no curto prazo. A preocupação, portanto, vai além do impacto imediato sobre as cotações dos contratos de petróleo.

Estreito de Ormuz pressiona o mercado

As interrupções nas exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz estão entre os fatores que alimentam a preocupação com o fornecimento. A passagem é apontada como elemento central para a normalização do fluxo regional de petróleo.

Além disso, a redução dos estoques deixou o mercado global mais vulnerável após meses de perdas de oferta. Com menor margem para compensar interrupções, novos incidentes na região podem afetar a percepção sobre a disponibilidade do produto.

Varga afirmou que o reequilíbrio dependerá da reabertura do estreito e da retomada ininterrupta dos fluxos de petróleo. Enquanto isso não ocorrer, a pressão sobre os preços tende a refletir os riscos associados ao abastecimento.

Alta pode elevar custos e inflação

O Brent ainda não alcançou os US$ 126 registrados no início do conflito. Ainda assim, uma permanência prolongada acima de US$ 100 por barril pode produzir efeitos que ultrapassam o mercado de energia.

Custos de transporte e de produção podem subir com o petróleo mais caro. Por isso, a escalada das cotações também reacende temores de inflação para consumidores e empresas.

Esse cenário pode contribuir para a manutenção de taxas de juros elevadas por mais tempo. A trajetória dos preços seguirá ligada, sobretudo, à evolução do conflito e às condições de exportação pelo Estreito de Ormuz.

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