Irã anuncia zona restrita no Golfo e corredor no Estreito de Ormuz

Plano prevê novas regras para navios e condiciona a abertura da rota marítima ao fim de ações dos Estados Unidos, segundo autoridade iraniana.

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Redação
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Anúncio do Irã envolve a circulação marítima pelo Estreito de Ormuz.
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O Irã informou que divulgará nos próximos dias uma nova zona restrita no Golfo e mapas de um corredor marítimo pelo Estreito de Ormuz. A iniciativa ocorre após ataques contra embarcações no fim de semana e em um período de redução no tráfego pela rota, essencial ao transporte de energia.

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, apresentou o plano em entrevista à televisão estatal no domingo (6). Segundo ele, Teerã pretende incluir em uma lista de sanções os navios que entrarem na área a ser delimitada.

Irã prepara nova zona no Golfo

Rezaei afirmou que a área restrita começará no ponto em que, segundo o governo iraniano, se inicia o bloqueio dos Estados Unidos contra o país. A zona avançará por áreas do Golfo, mas as autoridades iranianas ainda não divulgaram sua extensão nem as coordenadas previstas.

A ausência desses detalhes limita a avaliação imediata sobre quais rotas poderão ser afetadas. Ainda assim, a declaração associa a medida à disputa em curso sobre as exportações de petróleo iranianas e à presença americana na região.

De acordo com Rezaei, os mapas do corredor internacional foram acertados e aguardavam assinatura nos dias seguintes. O trajeto ficaria em águas iranianas e omanenses e seria administrado pelo Irã, segundo a versão apresentada pelo secretário.

Corredor depende de abertura em Ormuz

O plano envolve o Estreito de Ormuz, passagem que liga o Golfo ao mar aberto e que concentrava cerca de um quinto do petróleo mundial antes do conflito, conforme os dados citados no material de origem.

Teerã condicionou seu compromisso com a abertura do estreito ao fim do que classifica como sabotagem, ameaças e ataques dos Estados Unidos contra o Irã. A condição foi apresentada por Rezaei durante a entrevista à televisão estatal.

Só nos comprometeremos com a abertura do Estreito de Ormuz quando eles [os americanos] interromperem a sabotagem, as ameaças e os ataques contra o Irã”

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã

O secretário não informou quando o corredor poderia começar a operar nem quais procedimentos seriam exigidos das embarcações. Portanto, permanecem sem resposta questões práticas sobre adesão, fiscalização e circulação de navios pela rota proposta.

Ataques voltam a atingir embarcações

O anúncio iraniano veio depois da retomada de ações militares na região. Após uma pausa que ocupou grande parte de agosto, os ataques entre os lados voltaram a ocorrer, segundo o relato disponível.

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou ter atingido três petroleiros iranianos no sábado (5), incluindo uma embarcação perto da Ilha de Kharg. O órgão americano disse que a ação ocorreu após ofensivas da Guarda Revolucionária Islâmica contra navios de guerra dos EUA.

Também segundo o Comando Central, até domingo (6), forças americanas haviam redirecionado 92 embarcações comerciais, desabilitado três e abordado duas para aplicar o bloqueio. Essas informações representam a posição das autoridades americanas sobre as operações.

Tráfego marítimo cai e petróleo sobe

Uma média de dez navios de carga atravessou o Estreito de Ormuz por dia nos dez dias anteriores a segunda-feira (7). Segundo dados de navegação citados no material, esse foi o menor patamar desde maio.

A queda do movimento coincidiu com a pressão sobre as cotações do petróleo. O Brent avançava 0,8% e era negociado acima de US$ 97 por barril na segunda-feira, após a alta registrada na semana anterior.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, apresentou uma leitura diferente sobre a capacidade de trânsito. Em declaração à CNN, ele disse que os fluxos pelo estreito superavam 9 milhões de barris por dia e, somados aos oleodutos que contornam a passagem, alcançavam dois terços ou mais do nível anterior ao conflito.

De agora em diante, qualquer ataque contra os interesses e a segurança do Irã receberá uma resposta mais rápida, mais pesada e mais dolorosa”

Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano

Bloqueio pressiona exportações iranianas

O Irã é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), conforme o material. Antes da guerra, cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país saíam pela Ilha de Kharg.

Esse fluxo foi interrompido desde o início do bloqueio americano às exportações iranianas, em meados de abril, segundo a reportagem de origem. O presidente Donald Trump publicou em 31 de agosto uma mensagem com vídeo gerado por inteligência artificial que mostrava a ilha sob explosões.

Autoridades iranianas prometeram reagir caso Kharg seja atacada. Já o ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, afirmou à televisão estatal que a ilha fora atingida cerca de 550 vezes nos meses anteriores, mas continuava em operação.

Governo promete resposta econômica

Além da frente militar e marítima, dirigentes iranianos reconheceram dificuldades internas ligadas às sanções dos Estados Unidos. Três fontes iranianas de alto escalão, citadas no material, disseram que a campanha americana contra as exportações de petróleo e a evasão de sanções se tornou cada vez mais difícil de suportar.

O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o país enfrenta oscilações cambiais, inflação, desemprego e problemas de gestão do mercado. Ele disse que a população espera uma reação rápida do governo diante dessas pressões.

Por sua vez, o ministro da Economia, Ali Madanizadeh, declarou que Teerã pretende responder à pressão econômica com reformas. Segundo a mídia estatal iraniana, ele rejeitou a avaliação de que o isolamento financeiro levaria o país a mudar suas decisões.

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