A produção de veículos no Brasil alcançou 271,2 mil unidades em agosto de 2026, o maior volume mensal desde outubro de 2019, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado ficou 6,8% acima do registrado em julho e 9,4% superior ao de agosto de 2025.
O avanço acompanha a aceleração das vendas no mercado interno e o crescimento dos veículos eletrificados. Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta queda nas exportações, aumento das importações e uma participação maior de modelos montados com componentes trazidos do exterior.
A produção cresce em agosto
As fábricas instaladas no país produziram 271,2 mil veículos no mês. Esse foi o melhor resultado mensal desde outubro de 2019, antes dos efeitos da pandemia sobre a cadeia automotiva.
Na comparação com julho de 2026, a alta chegou a 6,8%. Já em relação a agosto do ano anterior, o crescimento foi de 9,4%.
No acumulado de 2026, a produção já ultrapassou 2 milhões de unidades. A Anfavea relacionou o desempenho ao aquecimento do mercado interno, embora as exportações tenham recuado no período.
A montagem importada limita o avanço
A entidade alertou que a composição da produção reduz o impacto do crescimento sobre a indústria nacional. De acordo com a Anfavea, dois terços das unidades fabricadas correspondem a modelos em regimes SKD e CKD, enquanto apenas um terço tem produção plena no país.
No regime CKD, os veículos chegam desmontados ao Brasil. No SKD, chegam semidesmontados e passam por etapas de montagem em território nacional.
Segundo a associação, mais da metade das quase 150 mil unidades adicionais produzidas neste ano está ligada a esses modelos. A entidade afirma que esse tipo de operação movimenta menos setores da cadeia de fornecedores e do desenvolvimento de produtos.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse que o resultado deve ser comemorado pelo aquecimento do mercado interno, mas destacou a diferença entre a montagem de veículos importados e a produção plena no país.
As vendas aceleram no mercado interno
As concessionárias registraram média diária de 13,1 mil emplacamentos em agosto. Foi o segundo melhor ritmo diário de 2026, atrás apenas de maio, quando a média chegou a 13,7 mil unidades.
Ao todo, as vendas somaram 275,1 mil veículos no mês. Nos primeiros dias de setembro, o mercado brasileiro também ultrapassou 2 milhões de emplacamentos no ano.
É uma produção que deve ser comemorada, pois reflete o aquecimento do mercado interno”
Igor Calvet, presidente da Anfavea
A marca foi atingida mais cedo do que em 2025. Naquele ano, o mercado só havia superado 2 milhões de unidades em outubro.
Os eletrificados ampliam participação
Os veículos eletrificados alcançaram participação de 24,4% das vendas totais em agosto. O resultado renovou o recorde de presença dessa categoria no mercado brasileiro.
Entre os modelos 100% elétricos, foram comercializadas 25,9 mil unidades no mês. No acumulado do ano, os eletrificados somaram 372 mil veículos vendidos, alta de 125,8%.
Do total acumulado, 39% dos eletrificados são produzidos no Brasil. A maior parte dessa produção ocorre por meio dos regimes SKD e CKD, segundo as informações divulgadas pela Anfavea.
As exportações recuam e a China avança
As exportações brasileiras de veículos acumulam queda de 22,9% em 2026. A retração foi influenciada principalmente pela redução de 36,6% nos embarques para a Argentina.
A Anfavea também apontou a concorrência de veículos chineses no Uruguai e no Chile como um dos fatores que pressionam as vendas externas brasileiras.
Enquanto isso, as importações seguem em alta. O Brasil trouxe 406,7 mil veículos do exterior no ano, crescimento de 29,8%.
Mais da metade das unidades importadas já vem da China. A participação chinesa no volume importado mais que dobrou no período, de acordo com os dados apresentados pela entidade.
Os programas apoiam o setor automotivo
A Anfavea também associou parte do desempenho a programas de incentivo ao setor. No segmento de veículos pesados, o Move Brasil reduziu a retração acumulada dos caminhões de 31,5% em janeiro para 4,9% em agosto.
As vendas de caminhões somaram 70,7 mil unidades no ano. Já os ônibus acumulam 14,5 mil emplacamentos, queda de 7,6%.
O programa Carro Sustentável, criado em julho de 2024, foi relacionado a um crescimento de 27,2% nas vendas gerais do segmento e de 64,3% nas vendas no varejo.
O programa tem previsão de encerramento em quatro meses. A indústria, portanto, combina recorde de produção para agosto e expansão dos eletrificados com desafios nas exportações e na nacionalização dos veículos montados no país.


