A perícia criminal levou a Polícia Civil a aprofundar a investigação sobre a morte a tiros da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Os exames apontaram inconsistências ligadas ao trajeto do projétil e à dinâmica da morte, segundo informações divulgadas pela polícia.
O marido da vítima, o policial militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, teve a prisão temporária decretada. A defesa nega violência e sustenta que Larissa morreu ao tirar a própria vida; a arma encontrada ao lado do corpo pertencia a ele.
Perícia criminal confronta versões
Vinicius afirmou que acordou após ouvir o disparo e encontrou Larissa ferida no banheiro. A investigação passou a examinar se esse relato é compatível com os vestígios reunidos no corpo e no local onde ela foi encontrada.
Em mortes por arma de fogo, a análise não se limita a uma única evidência. O exame necroscópico, a perícia da cena, a balística, a busca por resíduos de disparo e os depoimentos formam um conjunto que ajuda a reconstituir o episódio.
Foi a comparação entre esses elementos que levou ao aprofundamento do caso de Larissa, de acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil. A decretação da prisão temporária ocorreu nesse contexto investigativo.
Necropsia analisa caminho do projétil
O exame necroscópico permite avaliar características do ferimento de entrada, a eventual saída do projétil, as estruturas atingidas e o percurso da bala no corpo. Esses dados podem indicar a direção do disparo e contribuir para a análise técnica da ocorrência.
A médica especialista em Medicina Legal e Perícia Médica Caroline Daitx explicou que o trajeto do projétil é um dos componentes usados nessa reconstrução. No entanto, ele precisa ser relacionado aos demais achados periciais.
A posição do corpo, por sua vez, integra principalmente a análise do local. Dessa forma, peritos confrontam a dinâmica informada por envolvidos com a situação registrada na cena e com as conclusões dos exames médicos.
Resíduos e balística ampliam análise
Além da necropsia, o exame residuográfico busca identificar resíduos associados ao disparo. Já a perícia balística analisa a arma, munições, projéteis e estojos e pode comparar os materiais recolhidos.
Um resultado positivo para resíduos, porém, não demonstra isoladamente que alguém efetuou o tiro. Por outro lado, um resultado negativo também não elimina, por si só, essa possibilidade.
Por isso, os resultados desses procedimentos dependem de interpretação conjunta. A análise técnica reúne vestígios físicos e informações colhidas ao longo da apuração, em vez de atribuir uma conclusão definitiva a um único exame.
Defesa apresenta mensagens à polícia
A defesa de Vinicius entregou à Polícia Civil mensagens e áudios anteriores à morte nos quais, segundo os advogados, Larissa mencionava a própria morte, sofrimento emocional e uso de antidepressivos.
Os advogados informaram que o material foi preservado e que forneceram a senha do celular da vítima. Assim, as autoridades poderão analisar integralmente as conversas apresentadas pela defesa.
A especialista ouvida sobre o caso ressaltou que a perícia não define sozinha se uma morte foi suicídio ou homicídio, nem aponta individualmente um responsável. Seu papel é indicar se uma hipótese se ajusta aos vestígios; se não houver compatibilidade, a investigação deve avaliar outras possibilidades.


