A defesa do operador do mercado financeiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, reúne-se na tarde desta terça-feira (8) com a equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça é o relator do caso Dark Horse.
Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos e Participações, firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A colaboração envolve investigações sobre as fraudes do Banco Master e sobre o financiamento da cinebiografia Dark Horse, dedicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Equipe analisa o acordo
A reunião no gabinete de Mendonça deve examinar aspectos como a voluntariedade, a regularidade e a legalidade da negociação entre o potencial delator e a PGR.
O ministro não participa diretamente do encontro. Depois da análise, sua equipe deve encaminhar um parecer para subsidiar a decisão sobre a homologação do acordo.
Essa avaliação ocorre antes da eventual homologação judicial da colaboração premiada. O procedimento está previsto na legislação que trata dos acordos de delação.
Delator relata transferências milionárias
Segundo apuração da CNN, Freixo Júnior confirmou à PGR ter realizado transferências bancárias milionárias em 2025. Os pagamentos, de acordo com a apuração, somam mais de R$ 60 milhões.
O conteúdo da colaboração permanece sob sigilo. Por isso, os detalhes das informações prestadas pelo operador financeiro não foram divulgados.
Os repasses teriam saído da empresa de Mineiro e sido destinados ao Havengate Development Fund, fundo americano que administrava recursos para o projeto Dark Horse.
Fundo encaminha recursos para filme
O Havengate Development Fund, sediado no Texas, encaminhava os recursos para a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
O material da apuração aponta que o dinheiro havia sido repassado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção da cinebiografia.
Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, aparece como um dos administradores do fundo, segundo as informações divulgadas sobre o caso.
Investigação apura destino do dinheiro
As investigações do caso Dark Horse procuram esclarecer se houve irregularidades no financiamento do filme e se todos os recursos repassados por Vorcaro foram destinados à produção.
Uma das suspeitas investigadas é a possibilidade de parte do dinheiro ter sido direcionada a Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado. O ex-deputado nega ter recebido repasses.
As parcelas pagas por Vorcaro para a produção foram negociadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. Ele também nega a ocorrência de ilegalidades.
Colaboração é primeira do caso
O acordo de Freixo Júnior é apontado como a primeira colaboração premiada relacionada diretamente ao caso Dark Horse.
Também é a segunda delação ligada às fraudes financeiras investigadas no Banco Master. A primeira, segundo a apuração, foi firmada por João Carlos Mansur, dono da gestora Reag.
Nenhum dos dois acordos contou com a participação da Polícia Federal, de acordo com as informações divulgadas sobre as investigações.
Mendonça decidirá sobre homologação
Após receber o parecer da equipe, André Mendonça deverá decidir se homologa o acordo firmado entre Freixo Júnior e a PGR.
A homologação depende da análise dos requisitos legais da colaboração, incluindo a voluntariedade do interessado e a regularidade da negociação.
Enquanto o conteúdo permanecer sob sigilo, as informações atribuídas ao potencial delator continuarão restritas às autoridades responsáveis pelo procedimento.


