Turning Point USA apoia JD Vance e amplia operação para 2028

Organização fundada por Charlie Kirk reforça presença em estados decisivos, mas enfrenta críticas sobre derrotas e divisões no Partido Republicano

Da
Redação
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O apoio da Turning Point USA a JD Vance projeta a organização conservadora para a disputa presidencial de 2028.
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A Turning Point USA apoia JD Vance para a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2028 e ampliou sua operação política após a morte de seu fundador, Charlie Kirk. A organização conservadora afirma ter mais de 1.200 funcionários, mais de 1 milhão de doadores e núcleos em cerca de 1.500 faculdades.

A estrutura também se prepara para atuar nas eleições de meio de mandato de 2026, com equipes em estados considerados estratégicos para o Partido Republicano. O desempenho nessas disputas será um teste para a capacidade da organização de preservar a influência construída por Kirk e sustentar as ambições nacionais do vice-presidente.

A organização amplia sua estrutura

Charlie Kirk fundou a Turning Point USA em 2012, aos 18 anos. O grupo começou como uma entidade voltada a jovens conservadores, mas passou a atuar em áreas como mobilização eleitoral, apoio a candidatos, arrecadação de fundos, religião, cultura e escolas.

Segundo um documento interno obtido pela CNN, o número de núcleos em faculdades cresceu 64% no último ano e chegou a aproximadamente 1.500. A quantidade de clubes afiliados em escolas de ensino médio quase triplicou no mesmo período.

Após a morte de Kirk, líderes da organização concentraram esforços na expansão da estrutura operacional. A Turning Point realizou treinamento para 150 novos funcionários e mantém dezenas de vagas abertas em estados considerados decisivos.

A morte de Kirk testa o movimento

Kirk morreu baleado horas depois de falar a donos de restaurantes em Salt Lake City, no estado de Utah. Ele tinha 31 anos. O material não informa a data exata do ataque, mas situa o episódio no ano anterior ao período descrito na reportagem.

A sucessão colocou em evidência a dependência da organização em relação à imagem do fundador. Kirk apresentava um podcast, participava de confrontos em universidades e funcionava como elo entre diferentes setores da direita americana.

Existe um vazio, e muitas pessoas estão tentando preenchê-lo”

Joe Gruters, presidente do Comitê Nacional Republicano

Erika Kirk, viúva do ativista, e antigos aliados passaram a dividir a condução do movimento. No entanto, a própria organização reconhece que perdeu alcance nas redes sociais e a voz que dava visibilidade nacional ao projeto.

A Turning Point USA prepara 2026

A organização pretende usar as eleições de meio de mandato como principal teste de sua capacidade de mobilização. Equipes e voluntários já atuam em estados onde estarão em disputa cargos relevantes para o controle republicano.

No Arizona, a Turning Point testou uma estratégia baseada em relações locais. Organizadores recebem listas de cerca de 600 a 1.000 eleitores e tentam criar vínculos antes de abordar diretamente temas políticos.

A meta anunciada é mobilizar aproximadamente metade dos eleitores sob responsabilidade de cada organizador, por meio de votação presencial ou pelo correio. A eficácia desse modelo, porém, é difícil de medir, e há republicanos céticos sobre o peso específico da organização nos resultados.

O grupo acumula vitórias e críticas

A Turning Point apresenta a vitória de Donald Trump no Arizona em 2024 como um resultado favorável à sua estratégia. O presidente venceu no estado por 5,5 pontos percentuais, a maior margem obtida por ele entre os estados considerados decisivos, segundo o material.

Em Indiana, candidatos apoiados por Trump derrotaram sete dos oito republicanos que haviam resistido a uma proposta de redesenho dos distritos eleitorais. A organização participou da mobilização, embora não seja possível atribuir exclusivamente a ela o resultado.

Por outro lado, o grupo enfrenta resistência no Arizona. Críticos associam a atuação da Turning Point a derrotas de candidatos republicanos e acusam a organização de aprofundar conflitos nas disputas internas do partido.

Se ambos perderem suas próximas eleições, prevejo que a organização não durará muito além de 2028.”

Barrett Marson, articulador do Partido Republicano no Arizona

As disputas estaduais expõem riscos

A organização apoia Andy Biggs na disputa pelo governo do Arizona. A candidatura reacendeu o debate sobre a capacidade da Turning Point de transformar vitórias em primárias em resultados nas eleições gerais.

O grupo também se envolveu em campanhas malsucedidas de Kari Lake e Blake Masters em 2022. Um representante da organização afirmou que a Turning Point só entrou na campanha de Lake depois que ela se tornou candidata oficial, enquanto Tyler Bowyer sustentou que o grupo estava avançando rumo à vitória.

Em Iowa, a organização apoiou Zach Lahn nas primárias republicanas para governador, apesar do apoio de Trump ao deputado Randy Feenstra. Lahn venceu a disputa, resultado que ampliou a percepção de que a Turning Point pode desafiar estruturas tradicionais do partido.

O apoio a Vance mira 2028

Erika Kirk declarou apoio a JD Vance em dezembro, antes de uma definição pública de Donald Trump sobre seu possível sucessor. A decisão colocou a Turning Point entre os primeiros grupos de peso a se posicionar na corrida presidencial republicana de 2028.

Vance manteve proximidade com a organização, participou de eventos e atuou como apresentador convidado no podcast de Kirk. Segundo uma fonte próxima ao vice-presidente ouvida pela CNN, a relação entre os dois políticos era baseada em amizade próxima e colaboração política.

A Turning Point ampliou equipes em Iowa e mobilizou organizadores em New Hampshire, estados que terão papel relevante no início do processo de escolha do candidato republicano. A estrutura pode oferecer vantagem organizacional a Vance, mas o apoio não substitui a necessidade de conquistar diretamente os eleitores.

O desempenho de Vance e da organização nas próximas disputas será observado como medida da força do legado de Kirk. Uma sequência de vitórias poderia consolidar a Turning Point como um centro de poder da ala “America First”; derrotas, por outro lado, poderiam ampliar os questionamentos sobre sua estratégia e liderança.

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