Libanês libertado relata pressão psicológica durante detenção em Israel

Hussein Ayyash, de 33 anos, afirma que ficou quase três meses preso após ser abordado por soldados israelenses no sul do Líbano.

Da
Redação
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Hussein Ayyash, de 33 anos, preso há cerca de três meses por soldados israelenses • Reuters
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O libanês Hussein Ayyash, de 33 anos, disse ter enfrentado pressão psicológica durante quase três meses de detenção em Israel. Ele integrou o grupo de quatro pessoas libertadas por autoridades israelenses na sexta-feira (4) e entregues às autoridades do Líbano com intermediação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Em relato à Reuters, Ayyash afirmou que soldados israelenses o abordaram enquanto dirigia em Kfar Tebnit, no sul do Líbano. Segundo ele, os militares ordenaram que deixasse o carro, e ele foi vendado e algemado.

As Forças Armadas de Israel não responderam de imediato aos questionamentos da agência sobre a detenção de Ayyash. No dia anterior à soltura do grupo, Israel declarou não ter encontrado vínculos dos cinco libaneses libertados nesta semana com organizações militantes.

Libertação reúne cinco libaneses

Israel libertou quatro detidos na sexta-feira, entre eles Ayyash. Um quinto cidadão libanês havia sido solto na quinta-feira (3), segundo as informações divulgadas.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha intermediou a entrega dos quatro libertados às autoridades libanesas. O material disponível não detalha as identidades dos demais integrantes do grupo nem os locais em que ocorreram as transferências.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou os libertados nesta semana como um “primeiro grupo”. Dessa forma, sua declaração indicou a possibilidade de novas libertações, sem informar quantas pessoas poderiam ser incluídas ou em que prazo.

Ayyash descreve detenção e isolamento

De acordo com Ayyash, a abordagem ocorreu há quase três meses em Kfar Tebnit. Depois de ser retirado do veículo, ele teria passado por diferentes casas no sul do Líbano antes de ser levado para Israel.

O libanês afirmou que ficou em confinamento solitário, em alguns períodos por até 30 dias. Posteriormente, segundo seu relato, foi colocado em celas coletivas e transferido entre unidades e celas em intervalos de cerca de 30 ou 40 dias.

Ele também descreveu espaços que chamou de “jaulas”, onde os presos permaneceriam sentados. Ayyash disse ter encontrado na prisão cidadãos sírios, libaneses e palestinos, mas não apresentou detalhes adicionais sobre o número de detidos ou as condições de cada unidade.

Questionamentos elevam pressão psicológica

Ayyash relatou que interrogadores perguntaram sobre eventuais ligações dele com o Hezbollah. Ele declarou não ter sofrido tortura física, porém disse que a situação provocou forte desgaste mental.

Segundo o libanês, a pressão vinha da obrigação de responder a perguntas, da sensação de que os interrogadores já detinham informações e da incerteza sobre quando poderia deixar a prisão. Ele também mencionou o fato de estar em um país que não era o seu e cercado por desconhecidos.

O relato representa a versão de Ayyash sobre a custódia. Embora a Reuters tenha procurado as Forças Armadas israelenses a respeito de sua detenção, não houve resposta imediata, conforme o material que originou a pauta.

Israel amplia presença no sul libanês

As solturas ocorrem em meio à ampliação da presença militar israelense em várias áreas do sul do Líbano. Segundo as informações disponíveis, esse movimento começou após Israel iniciar uma nova campanha contra o Hezbollah em março.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Líbano também transferiria a Israel restos mortais de figuras judaicas mortas no território libanês na década de 1980. No entanto, não foram divulgados nomes das pessoas nem um cronograma para essa transferência.

Enquanto Aoun sinalizou a possibilidade de novos grupos de libertados, a declaração israelense sobre os cinco cidadãos soltos afastou vínculos deles com organizações militantes. Ainda assim, o material não informa se houve acusações formais, processos judiciais ou justificativas específicas para cada detenção.

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