A Margem Equatorial entra em uma nova fase de avaliação após o Ibama autorizar a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios na região. A medida sucede a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no litoral do Amapá, e permitirá investigar a extensão da área e sua possível exploração comercial.
O avanço, no entanto, não equivale à confirmação de reservas nem ao início da produção. A campanha exploratória ainda precisa determinar o volume recuperável, a qualidade do óleo e as condições econômicas de uma eventual operação.
Ibama autoriza novos poços
A autorização do Ibama viabiliza a perfuração de três novos poços pela Petrobras na Margem Equatorial. Segundo o material disponível, a decisão abre uma etapa voltada à delimitação da descoberta feita em Morpho.
Marcio Felix, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), afirmou que a autorização cria condições para verificar o alcance do achado e avaliar se ele pode se tornar comercial.
“A liberação do Ibama representa a possibilidade de confirmar a descoberta feita em Morpho, delimitá-la e avaliar sua comercialidade”, disse Felix ao CNN Money.
Assim, a autorização trata da continuidade da pesquisa exploratória. A eventual extração dependerá de resultados técnicos posteriores e das etapas regulatórias citadas por representantes do setor.
Descoberta em Morpho orienta campanha
O poço Morpho, no litoral amapaense, é o ponto de partida para a nova rodada de perfurações. A finalidade informada é delimitar a área associada à descoberta de petróleo.
Esse trabalho é necessário para identificar o volume que poderia ser recuperado. Além disso, a campanha deverá examinar a qualidade do petróleo encontrado.
Telmo Ghiorzi, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro), disse que o processo até uma possível produção será demorado. Após a etapa exploratória, segundo ele, será preciso demonstrar a comercialidade e obter aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Portanto, os novos poços não confirmam, por si só, uma reserva comprovada. Eles compõem a investigação que poderá definir se há base técnica e econômica para desenvolver a descoberta.
Projeções estimam empregos e royalties
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial poderia gerar 495 mil empregos e adicionar R$ 175 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro.
A entidade também projeta royalties anuais entre R$ 3,6 bilhões e R$ 5,4 bilhões. Essas cifras são estimativas ligadas a uma exploração que ainda depende da conclusão das análises em curso.
Estimativas do setor apontam potencial de até 30 bilhões de barris na Margem Equatorial. O número, porém, não representa reservas comprovadas, conforme ressalva o material que embasa essas projeções.
Por isso, os indicadores econômicos devem ser lidos como cenários possíveis, e não como resultados assegurados. A confirmação exigirá dados sobre volume, recuperação e viabilidade da produção.
Amapá pode ampliar sua cadeia econômica
O Amapá concentra atenção porque Morpho fica em sua costa. Segundo estudos citados por Marcio Felix, a confirmação da viabilidade econômica poderia elevar o PIB estadual em pelo menos 60% e criar cerca de 50 mil empregos.
Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria, afirmou que os efeitos não se restringiriam à atividade de produção. Caso o estado seja escolhido como base offshore, a operação demandaria estrutura de logística, transporte, manutenção e fornecedores.
Dessa forma, uma eventual instalação da base poderia estimular uma cadeia de bens e serviços ligada ao setor de óleo e gás no estado. Esse cenário, entretanto, está condicionado à confirmação do volume previsto e à definição sobre a viabilidade do projeto.
“Se o volume previsto se confirmar, o Estado pode se tornar um novo polo da indústria de óleo e gás brasileira”, afirmou D’Elia.
Setor relaciona avanço à demanda global
Representantes do setor ouvidos pela CNN Money associam a busca por novas áreas petrolíferas ao contexto internacional. Telmo Ghiorzi citou o conflito no Oriente Médio e defendeu que a transição energética tende a incorporar fontes renováveis sem eliminar a demanda por petróleo.
“O petróleo continua sendo necessário, e o Brasil precisa de petróleo”, avaliou Ghiorzi. A declaração expressa a posição do presidente da Abespetro sobre o papel do combustível na matriz energética durante a transição.
Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), comparou o ritmo brasileiro com o de Guiana e Suriname, países que, segundo ele, aproveitam reservas análogas às da Margem Equatorial. Ele alertou que a falta de novas fronteiras poderia afetar a posição brasileira como exportador de petróleo.
Enquanto isso, D’Elia interpretou a decisão do Ibama como um indicativo de que o plano de contingência apresentado pela Petrobras foi considerado adequado para a continuidade da exploração. Ainda assim, o caminho até qualquer produção permanece dependente dos resultados da campanha e das autorizações futuras.


