Cordilheira de Ali al-Taher concentra disputa entre Israel e Hezbollah

Elevação no sul do Líbano reúne valor militar, alegações sobre estruturas subterrâneas e impasse político sobre a retirada israelense.

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Redação
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Fumaça após ataques à cordilheira Ali al-Taher, em Nabatieh, no Líbano • Redes sociais/via Reuters
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A cordilheira de Ali al-Taher, no sul do Líbano, tornou-se uma área central na disputa entre Israel e Hezbollah. A posição elevada oferece visão sobre parte do território libanês e, segundo fontes de segurança ouvidas pela Reuters, abrigaria instalações subterrâneas usadas pelo grupo.

O local também expõe o impasse político e militar no sul do país. Enquanto Israel vincula sua retirada ao desarmamento do Hezbollah, o grupo se recusa a entregar as armas, o que interrompeu um roteiro de retirada gradual mediado pelos Estados Unidos.

A cordilheira domina uma rota do sul

Ali al-Taher fica a cerca de 15 quilômetros da fronteira com Israel, no sudeste do Líbano. A cordilheira leva o nome de um erudito muçulmano xiita, cujo santuário está no cume.

Com cerca de 600 metros acima do nível do mar, o conjunto de colinas permite observar uma área ampla do sul libanês. Por isso, analistas apontaram que a posição oferecia ao Hezbollah vantagem para lançar mísseis de curto alcance e drones em direção ao norte de Israel.

Israel já conhecia a relevância da área: controlou a região durante os 22 anos de ocupação do sul do Líbano, encerrada em 2000. No conflito atual, tropas israelenses avançaram pelo sul do país a partir de 2 de março e tomaram colinas estratégicas, entre elas o Castelo de Beaufort, situado na rota até Ali al-Taher.

Israel amplia a zona de operações

Em junho, as Forças Armadas de Israel classificaram Ali al-Taher como um de seus principais focos operacionais. Na ocasião, incluíram a cordilheira em um mapa de uma zona de amortecimento ampliada e autodeclarada, onde mantêm operações.

Na prática, a área passou a separar uma faixa de território libanês ocupada por tropas israelenses, ao sul, de cidades localizadas mais ao norte. Nabatieh está entre os municípios que têm sofrido bombardeios intensos da força aérea israelense.

A aviação israelense também bombardeou a cordilheira de forma intensa nos últimos meses. Ao mesmo tempo, a movimentação terrestre e os ataques aéreos se relacionam à tentativa de controlar estruturas que Israel atribui ao Hezbollah.

Alegações cercam estruturas subterrâneas

Fontes de segurança libanesas disseram à Reuters, em julho, que o Hezbollah teria construído na cordilheira um centro de comando subterrâneo e depósitos de armas. As mesmas fontes afirmaram que Ali al-Taher conecta áreas de fronteira à região montanhosa de Iqlim al-Tuffah, considerada há muito tempo uma base logística e operacional relevante para o grupo.

Em junho, uma autoridade militar israelense, sob anonimato, declarou à Reuters que combatentes do Hezbollah estavam presos no subsolo sem comida ou água. Já uma investigação militar citada pelo jornal The Times of Israel informou que um soldado israelense morreu e 13 ficaram feridos durante uma operação para tomar uma instalação subterrânea considerada importante sob a cordilheira.

O Hezbollah contesta a versão de perda de controle da área. Em declaração reproduzida no material, o grupo afirmou que seus combatentes mantêm “controle total sobre a área” e permanecem prontos para responder a avanços ou infiltrações israelenses.

Em julho, as Forças Armadas de Israel afirmaram que não permitiriam a saída de integrantes do Hezbollah da infraestrutura subterrânea para operar na região ou ameaçar soldados israelenses. As informações sobre a rede subterrânea, porém, aparecem no material como alegações de fontes e das partes envolvidas no conflito.

O impasse trava a retirada israelense

A cordilheira fica perto de Zawtar Al Gharbiyeh, localidade da qual tropas israelenses se retiraram em julho. A saída integrava um plano mediado pelos Estados Unidos que previa a retirada gradual israelense do sul do Líbano à medida que as forças libanesas desarmassem o Hezbollah.

No entanto, o plano ficou paralisado. O Hezbollah não aceita entregar suas armas, enquanto Israel sustenta que não deixará a região sem o desarmamento do grupo.

Para Andrea Tenenti, especialista em comunicação estratégica e ex-porta-voz da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), a tomada de Ali al-Taher teria peso político antes das eleições israelenses previstas para outubro. “Antes das eleições, Israel precisa de uma grande vitória em uma área que sempre foi vista como um reduto do Hezbollah”, disse.

Hassan Jouni, analista libanês e general reformado do Exército, avaliou que Israel pode optar por um cerco mais lento para limitar baixas entre seus militares. “Israel hesita em invadir Ali al-Taher por receio de baixas, especialmente neste momento delicado que antecede as eleições”, afirmou à Reuters.

O bloqueio em torno da retirada no sul do Líbano ocorre, ainda, em um contexto regional de negociações paralisadas entre Estados Unidos e Irã, sem avanço indicado no material disponível.

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