O levantamento da AP Exata sobre menções a Alexandre de Moraes nas redes sociais apontou que 77,5% das referências ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) tinham teor negativo. Segundo o material divulgado, apenas 3% das menções foram classificadas como positivas no período analisado.
Os dados foram apresentados por Sergio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados, ao programa WW. O texto que divulgou o levantamento situa a coleta entre uma terça-feira, dia 1º, e a tarde de uma quinta-feira, dia 3, sem informar mês e ano.
O material não detalha o número de publicações examinadas, as plataformas incluídas, os critérios de classificação de sentimento, o método de coleta ou eventual margem de erro. Por isso, os percentuais devem ser lidos como resultados atribuídos à empresa, sem verificação metodológica independente no conteúdo fornecido.
Levantamento mede menções a Moraes
De acordo com a AP Exata, a predominância de citações negativas a Moraes alcançou 77,5% no recorte divulgado. Já as mensagens positivas corresponderam a 3%, conforme os números apresentados por Denicoli.
O levantamento trata de menções em redes sociais, e não de pesquisa de opinião com amostra declarada da população brasileira. Essa distinção é relevante porque o material não informa quem publicou as mensagens, quantas contas participaram nem como a empresa tratou interações repetidas ou conteúdo automatizado.
Denicoli interpretou o resultado como sinal de desgaste do ministro. “Alexandre de Moraes está indefensável”, afirmou, em declaração reproduzida no material.
Dados não detalham metodologia
O conteúdo divulgado não permite aferir o alcance estatístico dos percentuais. Também não esclarece se a análise considerou posts, comentários, compartilhamentos ou outros formatos de interação.
Alexandre de Moraes está indefensável.
Sergio Denicoli, CEO da AP Exata
Além disso, não há informação sobre palavras-chave usadas na busca, idioma dos conteúdos, perfis excluídos ou critérios para separar menções neutras, positivas e negativas. O texto tampouco informa se a coleta abrangeu todas as principais redes ou apenas plataformas selecionadas.
Sem esses parâmetros, não é possível comparar o levantamento a pesquisas de opinião tradicionais nem medir sua representatividade. Os dados descrevem, portanto, a classificação atribuída pela AP Exata ao universo que a empresa analisou.
Mendonça registra dinâmica diferente
O material também apresentou números sobre André Mendonça, ministro do STF. Segundo a análise, as menções negativas a ele passaram de 20%, na terça-feira indicada no texto, para 32% no momento da divulgação.
Ao mesmo tempo, as menções positivas a Mendonça chegaram a 26%, de acordo com a AP Exata. O conteúdo não informa o percentual de referências neutras nem a quantidade de mensagens que serviu de base para esses índices.
Denicoli atribuiu a variação a uma tentativa de inserir Mendonça em uma disputa política nas redes. Essa é uma interpretação do responsável pela análise, e o material fornecido não apresenta elementos adicionais para confirmar a origem ou a coordenação das narrativas mencionadas.
Relatório amplia tensão entre ministros
Segundo o texto que divulgou a análise, o debate nas redes ocorreu em meio a episódios envolvendo Moraes, Mendonça e um relatório da Polícia Federal. O material afirma que Mendonça retirou o sigilo do documento, que trataria de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O conteúdo fornecido não apresenta o relatório, não traz sua data, nem permite verificar o teor das mensagens ou as circunstâncias da retirada do sigilo. Assim, essas informações dependem da atribuição ao material de origem.
A publicação também diz que Moraes não havia se manifestado oficialmente sobre as citações e que utilizou o inquérito das Fake News para acusar Mendonça de crimes. Não foi incluído, no material disponibilizado, posicionamento dos ministros ou informação sobre manifestações formais que permitam contextualizar essas alegações.


