Derrota nas urnas encerra sete décadas de poder do clã Sarney

Família ficará sem representantes em cargos eletivos a partir de 2027 após derrota de Roseana Sarney na disputa pelo Senado

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
4 min leitura
A derrota de Roseana Sarney na disputa pelo Senado marcou o encerramento de um ciclo político de 72 anos da família Sarney.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A partir de janeiro de 2027, a família Sarney ficará sem nenhum representante em cargo eletivo pela primeira vez em 72 anos. O cenário histórico é resultado direto da derrota de Roseana Sarney na corrida pelas vagas ao Senado Federal pelo Maranhão.

Atual deputada federal, Roseana encerra seu mandato no início de 2027 e, sem outros membros da família ocupando posições políticas no momento, o clã perderá sua representatividade institucional pela primeira vez desde a década de 1950.

Roseana perde nas urnas

No pleito ao Senado pelo Maranhão, Roseana Sarney terminou a disputa na terceira colocação. As duas vagas em jogo foram conquistadas por André Fufuca, que obteve 21,43% dos votos válidos, e por Lahesio Bonfim, que registrou 20,65% da preferência do eleitorado.

A parlamentar havia retornado à Câmara dos Deputados após ser eleita em 2022, mas a conclusão do atual mandato encerra sua presença institucional imediata no Congresso Nacional. Com a derrota na disputa majoritária estadual, nenhum herdeiro ou patriarca da família manterá mandato ativo.

A interrupção marca o fechamento de um ciclo político de mais de sete décadas que moldou profundamente a dinâmica de poder não apenas no Maranhão, mas também na esfera federal brasileira.

José Sarney comanda histórico

As raízes dessa hegemonia política remontam aos anos 1950, quando José Sarney iniciou sua trajetória pública ao ser eleito deputado federal, cargo que exerceu por três mandatos consecutivos até 1965.

A partir de 2027, a família Sarney ficará sem nenhum representante em mandato eletivo pela primeira vez em 72 anos.”

Redação

Em seguida, consolidou sua influência ao ser eleito governador do Maranhão em 1966 e, posteriormente, migrar para o Senado Federal, onde permaneceu de forma contínua até 1985. Nesse mesmo ano, assumiu a Presidência da República após o processo de redemocratização, liderando o país até 1990.

Após o período presidencial, o patriarca retornou ao Senado Federal para mais três mandatos seguidos, encerrando sua longa permanência legislativa no parlamento brasileiro apenas em 2015.

Roseana consolida longa trajetória

Seguindo os passos do pai, Roseana Sarney construiu uma carreira longeva que incluiu mandatos parlamentares e executivos de grande relevância no cenário nacional e regional.

Ela foi eleita deputada federal pela primeira vez em 1990 e, em 1994, chegou ao Palácio dos Leões ao ser eleita governadora do Maranhão, cargo que ocupou por dois períodos consecutivos até 2002.

Posteriormente, exerceu mandato como senadora da República até 2009 e retornou ao governo estadual para mais um período, permanecendo na chefia do Executivo maranhense até 2014, antes de retornar à Câmara em 2022.

Clã perde espaço político

A perda de espaço político também atinge outros expoentes da família que ocuparam cargos de destaque ao longo das últimas décadas no legislativo federal e estadual.

O irmão de Roseana, José Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney, acumulou nove mandatos como deputado federal entre 1983 e 2019, além de passagens como ministro do Meio Ambiente nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

Na terceira geração, Adriano Sarney atuou como deputado estadual por dois mandatos entre 2015 e 2023, mas não obteve votos suficientes para renovar a cadeira na Assembleia Legislativa maranhense nas eleições de 2022, selando o esvaziamento político gradual do grupo.

WhatsAppFacebook
Share This Article