As eleições trouxeram um cenário de recuo para o PSD e seu presidente nacional, Gilberto Kassab, após o encerramento da contagem de votos em todo o país. A aposta na candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, que teve Kassab como vice na chapa, terminou na quinta colocação com 2,18% dos votos válidos. O resultado frustrou os planos da legenda de se consolidar como o grande fiel da balança no centro político e provocou perdas expressivas nas bancadas federais e estaduais para a próxima legislatura.
No Congresso Nacional, a reconfiguração de forças será sentida de forma imediata a partir do próximo ano legislativo. No Senado Federal, a representação da sigla despencará dos atuais 14 parlamentares para apenas cinco a partir de 2027. Na Câmara dos Deputados, a bancada encolherá de 48 para 44 assentos, refletindo o impacto do forte avanço obtido por outras legendas e a resistência enfrentada pelo partido no cenário nacional durante o pleito.
Apesar da redução numérica nas casas legislativas federais, o presidente nacional da legenda evitou classificar o resultado como uma derrota política generalizada para a organização partidária. Kassab argumenta que a sigla obteve mais votos do que na eleição passada e conseguiu se manter em um patamar próximo ao que tinha antes das últimas movimentações. Segundo o dirigente, as demais legendas de centro também sofreram impactos severos diante da dinâmica eleitoral observada no país.
Estratégia presidencial e articulações
Durante avaliação do pleito, o dirigente partidário destacou que tentou viabilizar uma candidatura alternativa antes de apostar no nome de Ronaldo Caiado. Segundo ele, o objetivo inicial era lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, mas a articulação não avançou após decisões internas da política estadual e nacional. A escolha por Caiado ocorreu para marcar independência em relação aos blocos predominantes na disputa pelo Palácio do Planalto.
O lançamento da chapa presidencial enfrentou isolamento entre os partidos de centro, que preferiram manter neutralidade no primeiro turno. Siglas como União Brasil, PP, Republicanos e MDB optaram por caminhar de forma independente diante dos sinais de forte polarização. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ponderar publicamente sobre a viabilidade da postulação antes do pleito presidencial.
Nas disputas estaduais, o partido garantiu quatro governos no primeiro turno, incluindo a reeleição de Raquel Lyra em Pernambuco, além de Sergipe, Amapá e Maranhão. No entanto, a legenda perdeu o controle de três dos maiores colégios eleitorais do país e ficou de fora de alianças estratégicas em estados importantes para a articulação política nacional.
Desempenho nas bancadas estaduais
Para rebater as avaliações de enfraquecimento político, a direção partidária enfatiza o desempenho obtido nas assembleias legislativas estaduais e distritais. Foram eleitos 103 deputados estaduais da sigla, somando mais de 10 milhões de votos válidos em todo o território nacional. Com esses números, o partido ficou atrás apenas de outras duas grandes siglas na contagem geral de parlamentares estaduais.
O partido também destacou que a comparação oficial deve considerar os resultados das urnas de 2022, e não apenas o tamanho inflado por posteriores trocas de legenda. Dos cinco senadores que iniciarão o mandato, por exemplo, o grupo havia elegido originalmente três nas urnas anteriores. Na avaliação interna, o PSD demonstrou capacidade de resistência comparável à de outros concorrentes diretos do centro político.
No entanto, a perda de espaço nas mesas diretoras e nas comissões permanentes do Congresso deverá limitar o poder de barganha da legenda nos próximos anos. Com menos parlamentares em Brasília, a capacidade de influenciar votações de interesse nacional e de negociar cargos na esfera federal sofrerá restrições consideráveis a partir do início da próxima legislatura.
Flexibilidade no segundo turno
Diante do desfecho da eleição presidencial, a cúpula partidária optou por adotar uma postura de total flexibilidade para o segundo turno da disputa pelo comando do país. Em nota oficial divulgada logo após a confirmação dos resultados, a direção nacional liberou formalmente seus filiados e parlamentares para apoiarem qualquer um dos candidatos finalistas, conforme a preferência regional de cada um.
A medida reflete a perda de capital de negociação para a formação de coalizões tradicionais no executivo federal. Sem eleger o candidato próprio e com bancadas menores, a legenda perdeu a oportunidade de ditar as regras em uma eventual composição ministerial ampla, tendo que recalibrar sua atuação institucional tanto no âmbito federal quanto nos estados onde possui influência.
Eu fiquei quatro anos tentando lançar o Tarcísio como candidato. O meu candidato era o Tarcísio, todo mundo sabe.”
Gilberto Kassab
A reconfiguração também traz impactos diretos para o peso eleitoral da sigla de olho nas próximas movimentações políticas nacionais. Embora mantenha robustez expressiva nas administrações municipais conquistadas nas disputas anteriores, quando elegeu centenas de prefeitos, o partido reconhece que o recuo na esfera federal exige uma nova estratégia de articulação para recuperar o protagonismo perdido no Legislativo federal.
Repercussão e cenários futuros
As análises sobre o desempenho eleitoral do PSD repercutiram fortemente entre lideranças partidárias e analistas políticos em Brasília. A perda de controle em estados estratégicos como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná exigirá uma revisão profunda das diretrizes adotadas pela cúpula nacional para as próximas disputas regionais e federais.
Enquanto o partido busca consolidar sua presença com base nos resultados das eleições municipais do ano anterior, adversários e aliados observam como a legenda se posicionará no novo mapa de poder. A articulação em torno de pautas legislativas e a reorganização das alianças estaduais serão determinantes para medir a capacidade de recuperação política do PSD nos próximos anos.
A direção partidária reforça que o foco imediato consiste em manter a coesão das bancadas restantes e assegurar espaço nos debates de interesse nacional. O diálogo com diferentes correntes políticas continuará sendo testado à medida que o Congresso Nacional iniciar os preparativos para a posse dos novos parlamentares e a definição das lideranças partidárias.


