Senado inicia debates sobre o fim da escala 6×1 com exigência de 49 votos

Texto que prevê redução de jornada e dois dias de descanso passa a ser discutido em plenário com regras rígidas de quórum.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Plenário do Senado Federal inicia a discussão da PEC que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 iniciou sua tramitação e discussão no plenário do Senado Federal nesta terça-feira (6). O texto, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e a garantia de dois dias de descanso, exigindo aprovação em dois turnos por pelo menos 49 senadores.

A entrada da matéria na pauta do plenário marca o início de uma nova fase para a proposta que altera as regras trabalhistas no país. Embora o item já esteja em debate, o regimento interno exige a realização de sessões específicas de discussão antes de qualquer votação formal pelos parlamentares.

Exigência de debates prévios

Antes da votação em primeiro turno, o texto precisa passar por cinco sessões de discussão no plenário da Casa. As três primeiras estão previstas para ocorrer entre terça e quinta-feira, mas os prazos regimentais poderão ser encurtados caso os líderes partidários aprovem um calendário especial de tramitação.

Depois de superada essa etapa de debates, a PEC poderá finalmente ser submetida à apreciação dos senadores. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto exige o voto favorável de pelo menos três quintos dos membros, o que representa um patamar mínimo de 49 votos entre os 81 parlamentares da Casa.

Caso alcance o quórum necessário no primeiro turno, a proposta seguirá para uma nova rodada de votação. Antes disso, o regimento determina a realização de mais três sessões de discussão, prazo que também pode ser comprimido mediante acordo político no plenário.

Redução gradual da jornada

A PEC estabelece a redução da jornada máxima semanal das atuais 44 para 40 horas, determinando que o cumprimento poderá ocorrer em cinco dias com limite de oito horas diárias. O texto assegura ainda dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.

A alteração jurídica põe fim ao modelo tradicional em que o funcionário labora por seis dias e descansa apenas um, sem que haja qualquer redução proporcional nos salários pagos. A proposta também preserva a possibilidade de compensação de horários e ajustes na jornada por meio de acordos ou convenções coletivas.

Mesmo após a aprovação e a eventual promulgação da emenda, a nova carga horária não entrará em vigor de forma imediata para todas as empresas. O texto original aprovado pelos deputados prevê um período de transição gradual para que o setor produtivo se adapte às novas exigências legais.

Prazos de adaptação empresarial

As companhias terão prazo de até dois meses após a promulgação da matéria para reduzir o limite máximo para 42 horas semanais. Na etapa seguinte, haverá o prazo adicional de um ano para que o teto definitivo de 40 horas semanais passe a valer integralmente em todo o território nacional.

O planejamento legislativo também contempla diretrizes específicas voltadas para categorias submetidas a regimes diferenciados de serviço. A preservação do texto aprovado na Câmara evitou que o projeto retornasse para nova análise dos deputados, acelerando os trâmites finais.

A proposta original já havia sido referendada pela Câmara dos Deputados com ampla margem de votos em dois turnos distintos antes de ser encaminhada ao Senado. Na CCJ, a relatoria ficou a cargo do senador Omar Aziz, que rejeitou as emendas apresentadas para manter intacto o texto original.

Conclusão da tramitação

O desfecho da proposta depende agora do cumprimento integral das exigências regimentais de debate no plenário do Senado. Caso os senadores aprovem exatamente a mesma redação enviada pelos deputados, o texto estará apto para ser promulgado diretamente pela Mesa Diretora do Congresso Nacional.

Por se tratar de uma alteração constitucional, o processo legislativo não contempla etapas de sanção ou de veto por parte da Presidência da República. Logo após a promulgação oficial, os prazos de transição para o cumprimento das novas jornadas semanais começam a contar para o setor empresarial.

A votação final representa o ápice de uma mobilização prolongada em torno dos direitos trabalhistas e da organização das escalas de folga no país. A expectativa dos parlamentares favoráveis é concluir a tramitação regular sem modificações substanciais no mérito da matéria.

WhatsAppFacebook
Share This Article