Aliados do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, avaliaram como desastrosa a condução da crise envolvendo uma notícia falsa que associa o senador a uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A situação ganhou contornos mais críticos na reta final da campanha após o próprio candidato atribuir a pessoas de dentro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil a disseminação do conteúdo mentiroso.
A seis dias da votação do primeiro turno, o grupo político teme que a campanha não tenha tempo hábil para reverter o desgaste perante o eleitorado, em um momento em que a estratégia apostava na consolidação do voto útil e na atração de eleitores indecisos. A avaliação nos bastidores é que o episódio fez o candidato voltar à defensiva após semanas de pressão bem-sucedida sobre o governo adversário.
Confronto com a CNBB
Durante agenda de campanha realizada em Goiânia, Flávio Bolsonaro afirmou que a mentira contou com o apoio de integrantes da própria instituição religiosa. A declaração pegou a equipe de surpresa e gerou preocupação imediata entre os coordenadores, que tentavam evitar atritos públicos com setores da igreja católica a poucos dias do pleito decisivo.
Em resposta às acusações, a CNBB negou veementemente qualquer envolvimento na produção ou disseminação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A entidade declarou publicamente que a mentira não se combate com outra mentira e ressaltou que imputações sem fatos ou comprovações atingem injustamente a instituição e seus membros.
Pessoas próximas ao senador relataram que a fala não fazia parte do roteiro estabelecido pela coordenação, sendo atribuída ao cansaço e à forte pressão emocional do momento. A orientação inicial da campanha determinava que aliados evitassem declarações polêmicas e que o próprio candidato reduzisse aparições de improviso.
Disputa jurídica e STF
A notícia falsa começou a viralizar nas redes sociais após um comentário transmitido em um canal de televisão que mencionava uma suposta preocupação de bispos. Embora o veículo tenha pedido desculpas pelo equívoco, o tema seguiu sendo explorado por adversários políticos nas principais plataformas digitais.
Na tentativa de conter a propagação, a equipe jurídica recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral e obteve ordem do ministro André Mendonça para a remoção imediata de mais de mil links. No entanto, a decisão gerou um embate cruzado após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, derrubar a medida liminar que afetava publicações específicas de humoristas e críticos.
Diante do impasse jurídico, a defesa apresentou novos recursos para tentar reverter o entendimento no plenário da Corte. Aliados apontam que o próprio ato de acionar a Justiça para derrubar postagens acabou ampliando a visibilidade do tema e alimentando o desgaste perante a opinião pública.
Estratégia para o debate
Para tentar virar a página e recuperar o terreno perdido, a coordenação de campanha confirmou a presença de Flávio Bolsonaro no debate da TV Globo, marcado para a próxima quinta-feira. O evento é visto como a principal vitrine para tentar reverter a rejeição e consolidar o apoio entre o eleitorado conservador.
A equipe aposta na oportunidade para apresentar propostas, fixar o número de urna e contrapor diretamente as ações do governo atual. A expectativa é que o confronto direto permita ao candidato retomar a iniciativa política antes do comparecimento às urnas no próximo domingo.
A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil.”
Flávio Bolsonaro
Candidato enfrenta o desgaste
Enquanto a campanha do PL tenta reorganizar a comunicação, os principais adversários buscam capitalizar o episódio para ampliar a vantagem nas pesquisas de intenção de voto. O cenário eleitoral permanece instável, com forte polarização e disputa acirrada por cada parcela do eleitorado nas últimas horas antes da votação.
Analistas políticos apontam que a capacidade de resposta nos próximos dias será determinante para definir se o impacto da crise conseguirá ser neutralizado a tempo. A ordem no comitê é manter o foco nas propostas econômicas e na mobilização da militância para evitar novas perdas de votos.
A votação do primeiro turno ocorre no próximo fim de semana, mobilizando eleitores em todo o país em meio a um dos cenários mais disputados da história recente das eleições presidenciais brasileiras.


