TSE é acionado por Flávio após boatos sobre padroeira

Campanha do senador recorreu à Justiça eleitoral para barrar onda de desinformação disseminada na internet

Da
Redação
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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro negou boatos disseminados nas redes sociais durante agenda de campanha.Reprodução CNN
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O senador Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral após a circulação de boatos falsos que o associavam a uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A desinformação ganhou força nas redes sociais na reta final da disputa presidencial e motivou uma resposta imediata da equipe jurídica do candidato.

A repercussão negativa entre eleitores católicos levou o presidenciável a gravar um esclarecimento direto durante sua agenda oficial no estado de Minas Gerais na última quinta-feira (24). Na gravação, o político classificou a articulação como uma mentira disseminada por opositores e garantiu que a pauta jamais fez parte de suas propostas para o governo federal.

Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, para variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil.

Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, para variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil.

Flávio Bolsonaro

Origem da polêmica digital

Os conteúdos falsos que circularam na internet misturaram declarações recentes do candidato com um antigo projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados anos atrás. Postagens descontextualizadas tentaram colar a imagem do senador a medidas contrárias aos símbolos religiosos tradicionais do país, gerando forte reação nas plataformas digitais.

A base da desinformação utilizou um trecho de um vídeo gravado em agosto, quando o parlamentar justificou sua ausência em um debate televisivo promovido pela TV Band. Na ocasião, ele afirmou que um de seus primeiros atos na Presidência seria decretar que o país pertence ao Senhor Jesus Cristo.

A declaração, feita como aceno ao eleitorado evangélico, foi reinterpretada por adversários e perfis anônimos para sugerir um suposto ataque ao catolicismo. A equipe jurídica avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral para identificar e punir os responsáveis pela propagação do material inverídico na internet.

Projeto de lei arquivado

Para sustentar os boatos, publicações nas redes sociais também resgataram o Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta original pretendia alterar a legislação do feriado de 12 de outubro e modificar a expressão oficial dedicada à santa católica.

No entanto, a iniciativa legislativa mencionada nunca teve qualquer ligação com Flávio Bolsonaro e acabou rejeitada e arquivada pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em agosto de 2022. O desarquivamento e a associação direta com a atual campanha foram apontados por aliados como uma estratégia deliberada de confusão eleitoral.

Durante o desmentido, o candidato aproveitou para rebater críticas e citar declarações do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre regras internas da Igreja Católica. O senador reforçou que respeita todas as crenças religiosas e aqueles que não professam nenhuma fé em seu cotidiano.

Posicionamento oficial da CNBB

O debate sobre religião e política na corrida presidencial motivou pronunciamentos oficiais de lideranças religiosas preocupadas com a instrumentalização da fé. Em encontro com jornalistas realizado na quarta-feira (23), o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Jaime Spengler, reiterou a postura de neutralidade da instituição.

O religioso enfatizou que a Igreja Católica não se envolve em disputas político-partidárias e evita declarar preferência por qualquer candidatura nas urnas. Dom Jaime também criticou a intersecção excessiva entre religião e política ao longo da história, avaliando que o resultado dessas misturas costuma ser negativo.

Quando isso aconteceu na história, o resultado não foi positivo.

Dom Jaime Spengler
A intervenção da CNBB buscou pacificar os ânimos e frear o uso político de dogmas e símbolos religiosos no período que antecede a votação. Candidatos de diferentes espectros políticos têm buscado equilibrar o diálogo com os segmentos católico e evangélico durante os comícios e debates.

Disputa pelo eleitorado

A centralidade do eleitorado religioso na disputa presidencial tem intensificado a vigilância das campanhas sobre temas morais e de costumes. A laicidade do Estado e o respeito aos feriados nacionais figuram entre os tópicos sensíveis que frequentemente polarizam o debate público brasileiro nas redes.

Analistas políticos apontam que episódios de desinformação envolvendo símbolos religiosos tendem a se multiplicar na reta final das eleições, exigindo respostas rápidas das assessorias de imprensa. O uso de checagens e contestações jurídicas tornou-se ferramenta padrão para conter danos à imagem dos postulantes ao Palácio do Planalto.

A campanha de Flávio Bolsonaro aposta na divulgação de vídeos explicativos e na mobilização de sua base de apoio digital para neutralizar o impacto dos boatos. A estratégia jurídica visa estabelecer precedentes contra perfis que utilizam conteúdos manipulados para influenciar o eleitorado antes do pleito.

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