Uma mulher de 49 anos foi assassinada com um tiro na cabeça na noite de sexta-feira, 25 de setembro de 2026, enquanto participava de um culto religioso em uma igreja da Assembleia de Deus. O crime foi cometido no distrito de Três Irmãos, localizado no município de Cambuci, no Noroeste Fluminense. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, que descumpriu ordens judiciais de afastamento ao invadir o templo religioso armado com um capacete.
A ocorrência gerou forte pânico entre os fiéis e familiares que acompanhavam a celebração no momento dos disparos. De acordo com informações levantadas pelas autoridades policiais, Jocilerne Oliveira possuía uma medida protetiva de urgência expedida em seu favor justamente para impedir a aproximação do agressor, mas a ordem foi violada dentro do espaço sagrado.
Invasão a templo religioso
A dinâmica do ataque assustou frequentadores que estavam reunidos para o culto de sexta-feira. O homem entrou no templo vestindo capacete e foi diretamente em direção à vítima, efetuando o disparo fatal à distância muito curta. A presença de dezenas de testemunhas no local não impediu a ação violenta que vitimou a mulher no interior do edifício religioso.
Equipes da Polícia Militar foram acionadas imediatamente após o acionamento de emergência, mas ao chegarem ao endereço constataram que a vítima já não apresentava sinais vitais. O impacto da execução causou profunda comoção na comunidade local, habituada à tranquilidade do distrito no interior do estado do Rio de Janeiro.
Testemunhas relataram momentos de desespero generalizado assim que o estampido do tiro ecoou pelo salão de cultos. Familiantes e membros da congregação tentaram prestar socorro imediato, enquanto o autor aproveitou a confusão inicial para escapar do local utilizando uma motocicleta.
Buscas e prisão em flagrante
Imediatamente após o crime, o comando do 36º Batalhão da Polícia Militar mobilizou guarnições para realizar varreduras e cercar rotas de fuga na região de Cambuci. As descrições repassadas por testemunhas permitiram que os agentes rastreassem a movimentação do suspeito pelas estradas vicinais do município fluminense.
O cerco policial resultou na localização do ex-companheiro em uma residência situada na localidade de Funil, área rural do município. Os policiais efetuaram a abordagem sem que houvesse resistência armada por parte do suspeito, que foi imobilizado e detido pelas equipes de segurança pública.
Após a captura, o homem foi encaminhado sob escolta para a delegacia da região responsável pelo caso. A Polícia Civil lavrou o auto de prisão em flagrante, enquadrando a conduta criminosa diretamente no tipo penal de feminicídio devido à relação íntima prévia com a vítima.
Desrespeito a medida protetiva
O assassinato traz novamente ao centro do debate público a eficácia e os limites das medidas protetivas de urgência concedidas pela Justiça a mulheres em situação de violência doméstica. Jocilerne Oliveira contava com o respaldo legal que proibia o ex-companheiro de se aproximar dela, mas a determinação judicial falhou em conter a investida letal.
Especialistas em segurança pública e órgãos de proteção apontam que o descumprimento de ordens de afastamento exige respostas rápidas e monitoramento constante para evitar desfechos fatais. O caso de Cambuci evidencia a vulnerabilidade enfrentada por vítimas mesmo em locais de convivência comunitária e religiosa.
A identidade civil completa do autor não foi detalhadamente divulgada pelas autoridades policiais nas primeiras notas oficiais, preservando os trâmites legais da investigação em curso. O inquérito policial segue agora sob responsabilidade do Poder Judiciário para a formalização das etapas processuais subsequentes.
Combate à violência estrutural
O episódio de violência extrema no interior fluminense reforça a urgência de campanhas contínuas de conscientização e denúncia contra a violência de gênero no estado do Rio de Janeiro. Canais oficiais como o telefone 190 da Polícia Militar e o Ligue 180 permanecem abertos para receber relatos de ameaças e violações de medidas protetivas a qualquer momento.
A rede de atendimento à mulher no estado orienta que familiares e conhecidostambém comuniquem imediatamente às autoridades qualquer sinal de descumprimento de restrições judiciais por parte de agressores. A atuação coordenada entre polícias e tribunais é apontada como essencial para reprimir crimes dessa natureza em comunidades de pequeno porte.
O inquérito deve apurar ainda se houve falhas na comunicação de risco ou se o agressor já contava com antecedentes criminais por episódios anteriores de agressão. A investigação será concluída nos próximos dias para o envio formal da denúncia ao Ministério Público fluminense.


