Veronica Costa, a ‘Mãe Loira do Funk’, é presa no RJ para cumprir pena por tortura

Conhecida como 'Mãe Loira do Funk', ex-parlamentar foi capturada na Região Serrana para cumprir pena definitiva de mais de dez anos

Da
Redação
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A captura da ex-vereadora ocorreu após trabalho integrado de inteligência e monitoramento de veículos na Região Serrana.
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A ex-vereadora do Rio de Janeiro e empresária Veronica Costa, amplamente conhecida como a “Mãe Loira do Funk“, foi presa na noite de quinta-feira por agentes da Polícia Civil fluminense. A captura ocorreu em uma residência localizada no distrito de Araras, em Petrópolis, na Região Serrana do estado, após o esgotamento de todos os recursos judiciais do processo em que foi condenada por tortura contra o ex-marido.

A ordem de prisão definitiva foi expedida pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. A pena imposta à ex-parlamentar é de dez anos e oito meses de reclusão em regime fechado. Na mesma operação coordenada pela Divisão de Capturas e Polícia Interestadual, outros três acusados de envolvimento no crime também foram capturados pelas autoridades policiais.

Veronica Costa foi considerada foragida antes de ser localizada pela polícia na Região Serrana.

Polícia intercepta fuga em Petrópolis

Durante as diligências para localizar o paradeiro dos condenados, os investigadores identificaram que a ex-vereadora tentou despistar a fiscalização trocando de veículo quatro vezes no trajeto entre a capital e o interior fluminense. A operação contou com o apoio técnico de monitoramento da Polícia Rodoviária Federal para rastrear os automóveis utilizados na tentativa de fuga.

Os agentes da segurança pública cercaram o imóvel onde o grupo estava escondido, no Vale das Videiras. Com a confirmação da ordem de prisão definitiva, os policiais efetuaram as capturas sem registro de resistência armada no local da abordagem.

Logo após a chegada à delegacia da corporação, a ex-vereadora negou as acusações formalizadas pela Justiça e criticou o andamento do processo judicial. Eu não sou bandida, eu não sou marginal, declarou ela aos jornalistas presentes, afirmando ainda que o Poder Judiciário teria cometido um erro em sua condenação.

Justiça aplica condenação definitiva

O crime que resultou na pena de prisão ocorreu em fevereiro de 2011, na residência do ex-casal situada em Vargem Grande, na Zona Oeste carioca. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o ex-marido Márcio Costa foi mantido amarrado, acorrentado, vendado e amordaçado por aproximadamente vinte horas.

A investigação apontou que a vítima sofreu diversas agressões físicas, ameaças e sessões de tortura, incluindo episódios de afogamento e aplicação de substâncias químicas. A acusação indicou que a motivação envolvia desconfianças de infidelidade conjugal e cobranças relacionadas a um suposto desvio de recursos de campanha eleitoral.

A sentença inicial de primeiro grau, estabelecida em cinco anos e dez meses, acabou sendo ampliada em 2013 pela Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, fixando o total da pena em dez anos e oito meses após a análise dos recursos das defesas.

Ex-vereadora perde mandato político

Antes de sua condenação definitiva e do afastamento da vida pública institucional, Veronica Costa construiu uma longa trajetória na política municipal carioca. Ela exerceu cinco mandatos como vereadora na capital ao longo de vinte anos, divididos entre os períodos de 2001 a 2008 e de 2013 a 2024.

Antes de ingressar na política partidária, Veronica ganhou notoriedade nacional nos anos 1990 e 2000 na organização e produção de bailes e eventos de funk na Região Metropolitana. O apelido popularizou-se na indústria fonográfica e na mídia da época, acompanhando sua transição para cargos eletivos.

Com o trânsito em julgado e a expedição dos mandados definitivos, a defesa técnica dos condenados deve acompanhar o cumprimento das penas estabelecidas pela Justiça fluminense nos estabelecimentos prisionais adequados ao regime fechado.

Autoridades definem presídios fechados

A captura encerra uma fase prolongada de tramitação judicial que se estendeu por mais de uma década desde a ocorrência dos fatos na Zona Oeste da capital. Os quatro réus agora ficam à disposição da Vara Criminal competente para a formalização das guias de recolhimento e início do cumprimento das penas privativas de liberdade.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária deverá definir os presídios onde Veronica Costa e os demais envolvidos cumprirão as respectivas sentenças em regime fechado. O processo principal, com a certificação do trânsito em julgado, não comporta mais recursos ordinários nas instâncias estaduais.

As autoridades policiais informam que eventuais desdobramentos sobre a participação de terceiros na ocultação dos foragidos poderão ser investigados em procedimentos próprios conduzidos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

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