O alerta de CEO sobre cortes e riscos na abertura do mercado livre

Especialista aponta falhas institucionais e defende medidas drásticas para conter o avanço dos custos tarifários.

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Redação
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Especialistas e lideranças do setor elétrico debateram os novos rumos do mercado de energia durante evento em São Paulo.Reprodução CNN
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A governança do setor elétrico brasileiro figura atualmente como o principal desafio para o desenvolvimento institucional do país, segundo o CEO da consultoria PSR, Luiz Augusto Barroso. O executivo apontou a necessidade urgente de organizar as funções de órgãos e entidades para evitar superposições de competências.

As declarações foram concedidas durante o evento CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, realizado em São Paulo. Na ocasião, líderes e especialistas debateram os gargalos econômicos e os caminhos regulatórios para lidar com as transformações da matriz nacional.

Governança e regulação setorial

Para Barroso, a dispersão de atribuições institucionais prejudica a previsibilidade do ambiente regulatório e gera atritos desnecessários entre os agentes econômicos. Na avaliação do executivo, o setor acumulou dificuldades ao longo dos anos em razão de interferências externas e falta de sinais econômicos adequados que orientem o crescimento de forma sustentável.

O especialista ressaltou que a coordenação entre as entidades envolvidas na regulação precisa ser aprimorada para que cada órgão atue estritamente no seu escopo de competência. A falta de alinhamento institucional, segundo ele, compromete a atração de novos investimentos de longo prazo para a infraestrutura de energia do país.

Hoje, o que mais me preocupa é a governança setorial. Precisamos primeiro organizar as funções institucionais, de forma a evitar a superposição, de forma a ter cada uma trabalhando no seu quadrado, em consonância e coordenação.

Luiz Augusto Barroso

O executivo também cobrou uma visão estratégica nacional sobre o aproveitamento da matriz energética, destacando que o país precisa definir diretrizes claras para a utilização da energia disponível. Para ele, a ausência de um planejamento integrado limita o potencial competitivo da economia brasileira frente às mudanças globais.

Corte de subsídios urgentes

No eixo econômico, Barroso defendeu que o governo e os órgãos reguladores adotem medidas drásticas para conter o avanço dos custos associados aos subsídios setoriais. O CEO argumenta que a manobra é indispensável para estancar o volume de recursos alocados em encargos que pressionam as tarifas pagas pelos consumidores finais.

A revisão dos benefícios acumulados ao longo das últimas décadas representa, na visão do consultor, um teste de maturidade para a política energética nacional. Sem enfrentar o problema diretamente por meio de cortes estruturais, o sistema continuará operando com desequilíbrios financeiros crescentes.

Nos subsídios, sem a gente começar a olhar cortes na carne, a gente não consegue estancar uma sangria que é muito grande.

Luiz Augusto Barroso

Além dos encargos, o executivo analisou a questão dos cortes de geração de energia, apontando que o problema não pode ser extinto por completo por meio de decisões administrativas. A regulação precisará incorporar mecanismos eficientes para conviver com essa restrição técnica, a exemplo de práticas já adotadas em outros mercados internacionais.

Abertura do mercado livre

Sobre o cronograma de expansão do ambiente de contratação livre, Barroso avaliou o prazo previsto para novembro de 2027 como desafiador para pequenos estabelecimentos comerciais e industriais, embora tenha descartado a necessidade de prorrogação. A transição exigirá adaptação rigorosa das empresas distribuidoras e comercializadoras.

O avanço da liberalização deve alterar profundamente a dinâmica comercial do setor, permitindo que as companhias ofereçam pacotes integrados aos consumidores. A disputa pelos clientes poderá envolver diferenciais como fornecimento simultâneo de água, produtos de varejo, programas de milhagem e descontos diretos na fatura.

Contudo, o CEO chamou a atenção para os riscos regulatórios associados à abertura total, citando precedentes internacionais de quebra de comercializadoras e arbitragem indevida de regras. Experiências estrangeiras demonstram que a proteção efetiva ao consumidor depende de mecanismos robustos de comparação de preços e forte atuação antitruste.

Desafios e experiências globais

A análise das tendências internacionais reforça a necessidade de transparência nas informações disponibilizadas ao público final durante o processo de transição para o mercado livre. O acesso a dados claros evita que o consumidor fique vulnerável a práticas comerciais abusivas ou à instabilidade financeira de novos entrantes no mercado.

A regulação econômica deve atuar ativamente para coibir brechas contratuais que favoreçam distorções concorrenciais e prejuízos sistêmicos. A consolidação de um ambiente regulatório previsível permanece como a principal garantia para que a modernização do setor elétrico traga benefícios reais à economia brasileira.

O evento promovido em São Paulo reuniu os principais agentes da cadeia energética para confrontar diagnósticos e discutir saídas regulatórias para as próximas etapas de transformação do setor elétrico nacional.

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