A Coordenadoria de Execução da Saúde Prisional (Cosap), ligada à Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP), passou por uma mudança em sua estrutura administrativa com a demissão de uma servidora comissionada. Sara Regina Alexandre Munhoz, que ocupava o cargo de coordenadora no órgão, foi desligada de suas funções em ato publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) na última terça-feira (22 de setembro de 2026). A exoneração foi assinada pelo titular da pasta, o secretário Mauro Albuquerque, em meio a desdobramentos policiais de grande repercussão no estado.
A servidora exonerada é mãe de João Munhoz Neto, principal investigado pela morte da estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. A jovem foi encontrada morta no pátio de um condomínio em Fortaleza no dia 13 de setembro de 2026, após uma queda do rooftop do edifício. O caso ganhou forte comoção pública e mobilizou autoridades policiais após a família da vítima cobrar explicações públicas sobre a falta de comunicação imediata do óbito por parte dos familiares do namorado.
Nos dias anteriores à publicação do ato oficial, a investigação policial avançou sobre o círculo próximo de João Munhoz Neto. No domingo (20 de setembro), Sara Regina teve um aparelho celular e um tablet apreendidos por equipes da Polícia Civil do Ceará enquanto se encontrava na faixa de areia da praia de Cumbuco, localizada no município metropolitano de Caucaia. Embora a publicação do Diário Oficial cite apenas as normativas administrativas usuais para cargos de livre provimento e não vincule diretamente a saída à investigação criminal, a movimentação ocorreu simultaneamente às diligências do inquérito.
Polícia investiga três crimes
As apurações conduzidas pela Polícia Civil do Ceará apontam que Isabelle Caracristi morreu após uma queda voluntária do alto do prédio, mas o inquérito busca esclarecer se houve participação ou influência de terceiros. Durante coletiva de imprensa, o delegado-geral da instituição, Márcio Gutiérrez, detalhou que João Munhoz Neto é investigado e pode responder por acusações graves na Justiça.
Entre as hipóteses levantadas pelos investigadores estão o induzimento ao suicídio, a obstrução de prova e a prática de abuso psicológico. Os depoimentos colhidos até o momento indicam que o casal mantinha uma relação marcada por forte controle e limitação da liberdade de ir e vir da estudante de direito.
Não apague este áudio, me responde”
Isabelle Caracristi
Relatos de testemunhas integrados aos autos do processo policial apontam que Isabelle sofria com restrições severas em sua rotina diária. Segundo a corporação, investigações preliminares indicam que a jovem era impedida de realizar atividades cotidianas de maneira independente, como descer sozinha até o escritório ou ir a uma farmácia sem o consentimento do companheiro.
Prisão preventiva é decretada
O avanço das diligências resultou em medidas cautelares rígidas contra o namorado da estudante. João Munhoz Neto foi inicialmente detido na terça-feira (22 de setembro) e teve a prisão convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça do Ceará no dia seguinte, alinhando-se aos pedidos formulados pela autoridade policial durante a fase de coleta de provas.
A investigação também aponta movimentações suspeitas por parte de João após a morte da jovem. De acordo com os registros reunidos nos autos, o suspeito teria retornado ao condomínio no dia seguinte ao falecimento para tentar localizar o aparelho celular da vítima, além de supostamente pedir para que a família de Isabelle fosse impedida de entrar no local.
Consta ainda na investigação que o suspeito teria solicitado a limpeza e a colocação à venda do apartamento que dividia com a mãe, Sara Regina. Para a polícia, tais atitudes reforçam os indícios de tentativa de ocultação de elementos e obstrução do trabalho pericial conduzido pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).
Mensagens revelam conflitos
A defesa da família da estudante de direito confirmou que o telefone celular de Isabelle foi recuperado e entregue ao tio da vítima. De acordo com a advogada Patrícia Viana, o equipamento continha áudios e mensagens de texto enviados pela jovem a um primo momentos antes de perder a vida no condomínio.
João Munhoz é um doente, não acredite nele”
Isabelle Caracristi
Registros apontam que, cerca de uma hora antes da queda, Isabelle enviou mensagens pedindo que o destinatário guardasse os arquivos. , teria escrito a estudante por volta das 19h40 do dia 13 de setembro, reforçando que o material servia como resguardo diante da situação que enfrentava.
Em mensagens adicionais encaminhadas antes do horário em que foi constatado o impacto da queda, a jovem fez alertas diretos sobre o comportamento do companheiro. Os diálogos recuperados passam por exaustiva análise técnica para subsidiar o inquérito policial e esclarecer todas as circunstâncias que antecederam o óbito.
Repercussão e cobrança pública
O caso veio a público de forma ampla após a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo nas redes sociais exigindo respostas das autoridades. Ela relatou ter descoberto a morte da filha apenas na segunda-feira (14 de setembro), após tentar contato sem sucesso e ter sido bloqueada por João Munhoz nas plataformas digitais.
Ao procurar o condomínio acompanhada por um familiar, Isorlanda foi informada pela administração sobre o falecimento e a remoção do corpo para o Instituto de Medicina Legal (IML). A falta de comunicação imediata por parte da família do namorado intensificou a revolta e motivou protestos públicos por justiça.
A Polícia Civil continua realizando oitivas, analisando centenas de horas de imagens capturadas por câmeras de segurança e avaliando laudos periciais. O objetivo do inquérito é esgotar todas as linhas de investigação sobre a dinâmica dos fatos e a eventual responsabilidade criminal de terceiros envolvidos no caso.


