TSE manda apagar vídeo de Zema com sátira a Lula e STF; governador vê censura

Decisão liminar de Nunes Marques fixa prazo de 24 horas para remoção de jingle de campanha; candidato do Novo classificou medida como censura

Da
Redação
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O candidato à Presidência Romeu Zema teve conteúdo de campanha derrubado por ordem do Tribunal Superior Eleitoral.
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O Tribunal Superior Eleitoral determinou nesta semana a remoção de um vídeo oficial da campanha presidencial de Romeu Zema que trazia sátiras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros do Supremo Tribunal Federal. A ordem liminar foi expedida pelo presidente da corte, ministro Nunes Marques, após uma representação apresentada por uma coligação adversária.

Decisão determina remoção em 24 horas

A propaganda em questão utilizava recursos de inteligência artificial em formato de animação para retratar o presidente Lula e os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes vestidos como presidiários. O material foi veiculado de forma simultânea nos perfis oficiais nas redes sociais do próprio Zema e de seu candidato a vice na chapa, Eduardo Girão, gerando forte repercussão no cenário político nacional.

A representação foi apresentada pela coligação Brasil Pronto pra Mais, que alegou que o material continha conteúdo ofensivo à honra e à imagem do atual mandatário. Segundo a petição inicial, a gravação associou indevidamente o chefe do Executivo federal, o Partido dos Trabalhadores e integrantes da Suprema Corte a práticas de corrupção e criminalidade.

Corte aponta excesso na crítica política

Ao analisar o pedido de tutela antecipada, o ministro Nunes Marques pontuou que o material não se enquadrava exatamente na definição de deepfake, pois possuía estética nítida de animação e indicava o uso de tecnologia. Contudo, o magistrado entendeu que o contexto global da peça publicitária ultrapassava os limites aceitáveis da liberdade de expressão e da crítica política.

A decisão destacou trechos em que o presidente era chamado por termos pejorativos, além de cenas em que aparecia com vestimentas prisionais numeradas com o artigo referente a estelionato. Para o magistrado, incluir ministros do STF na mesma narrativa fictícia superava o direito de escrutínio público sobre a atuação das instituições.

Proibição de novas publicações

Além da retirada imediata das postagens nas plataformas digitais, a determinação judicial impôs restrições adicionais aos candidatos da chapa. Ficou expressamente proibida a republicação do mesmo material, bem como a difusão de versões alteradas ou reestruturadas criadas para burlar a ordem anterior.

O tribunal buscou abranger qualquer tentativa de manter o conteúdo circulando na internet sob novos formatos. A medida reforça o rigor do TSE no monitoramento do uso de ferramentas digitais e recursos tecnológicos durante o período oficial de propaganda eleitoral.

Reação e críticas de Zema

Em nota oficial divulgada após a intimação, o candidato Romeu Zema criticou duramente a medida e classificou a determinação judicial como um ato de censura. O governador mineiro argumentou que a peça tratava-se apenas de uma sátira política legítima contra autoridades públicas.

O postulante ao Palácio do Planalto afirmou ainda que a atuação do tribunal representa uma tentativa de silenciar opositores do atual sistema político. A defesa do candidato avalia os próximos passos jurídicos cabíveis no âmbito da corte eleitoral.

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