O Ministério Público do Trabalho notificou formalmente a empresa Três Pinheiros Sementes para prestar esclarecimentos sobre um evento corporativo realizado em setembro. A medida ocorre após a repercussão de um encontro que contou com a presença de lideranças políticas e gerou apuração oficial sobre eventuais irregularidades eleitorais envolvendo trabalhadores.
A notificação foi expedida na terça-feira determinando um prazo estrito para que os representantes legais apresentem as informações solicitadas. O foco da investigação conduzida pelo órgão ministerial é apurar se houve desvio de finalidade na condução das atividades ou coação velada no ambiente profissional.
Prazo de resposta e cobrança
A empresa dispõe de setenta e duas horas para detalhar como o evento foi estruturado e quem custeou as despesas da recepção. Os investigadores querem saber se houve envio de convites corporativos para os empregados e prestadores de serviços da instituição.
Além disso, o documento oficial exige a identificação completa de todos os candidatos ou cabos eleitorais que marcaram presença na ocasião. A procuradora responsável pelo caso também cobra dados detalhados sobre os funcionários lotados na unidade situada no Distrito Federal.
A cobrança busca esclarecer a possível utilização da influência empresarial em benefício de candidaturas específicas durante o período de campanha. As normas trabalhistas proíbem qualquer forma de pressão política sobre o corpo funcional.
Detalhes do evento em Goiás
O encontro investigado aconteceu em onze de setembro na cidade goiana de Formosa, reunindo diversos representantes do setor produtivo regional. A comemoração contou com música ao vivo, churrasco e elementos típicos de atos de campanha política.
A apuração quer determinar quem organizou e financiou o encontro.”
Carolina Pereira Mercante
Segundo os levantamentos iniciais que motivaram a atuação do órgão fiscalizador, a candidata ao Senado Bia Kicis discursou para os presentes. Na ocasião, ela teria pedido votos para si mesma e para outros aliados políticos, além de divulgar números de urna.
O anfitrião da reunião foi Márcio Binotti, que atua como sócio e gestor da empresa notificada pelo Ministério Público. A defesa da parlamentar argumentou anteriormente que a celebração teve caráter estritamente particular e festivo.
Defesa alega caráter particular
Representantes da campanha de Bia Kicis sustentaram que o almoço ocorreu em comemoração ao aniversário do empresário e reuniu lideranças do agronegócio local. De acordo com essa versão, tratou-se de uma reunião social sem qualquer imposição de diretrizes partidárias aos trabalhadores.
Apesar da justificativa apresentada pelos envolvidos, o órgão ministerial mantém o procedimento para verificar a conformidade legal dos atos praticados. A legislação eleitoral estabelece restrições severas para evitar o uso de estruturas ligadas ao trabalho na promoção de candidaturas.
A empresa citada na investigação não se manifestou publicamente quando procurada inicialmente pelos veículos de imprensa para comentar o caso. O canal de diálogo permanece aberto para eventuais manifestações formais da companhia investigada.
Próximos passos da apuração
Com o encerramento do prazo estipulado para a entrega dos documentos, os fiscais analisarão o material enviado para decidir os próximos desdobramentos legais. Caso sejam comprovadas irregularidades, o caso poderá resultar em sanções e novas medidas judiciais.
O Ministério Público reforça que o acompanhamento de condutas no âmbito laboral continuará rigoroso ao longo de todo o período eleitoral. O objetivo principal é garantir a liberdade de escolha dos trabalhadores e coibir abusos de poder econômico.
As informações coletadas comporão o procedimento investigatório em curso, servindo de base para a avaliação da conduta dos envolvidos perante a Justiça Eleitoral e trabalhista.


