Grupo Prerrogativas defende recriar supersecretaria da Justiça e mandatos de 12 anos no STF

Iniciativa prevê a separação entre Justiça e Segurança Pública e sugere mandatos de 12 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal

Da
Redação
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Discussões sobre alterações estruturais no Poder Judiciário e no Supremo Tribunal Federal voltam ao centro do debate político nacional.03/02/2025- Antônio Cruz/Agência Brasil/ Reprodução: Flickr
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O grupo Prerrogativas lançou um projeto oficial que defende a recriação da Secretaria Especial de Reforma do Judiciário no âmbito do Ministério da Justiça. A proposta surge em um cenário de debates políticos intensificados e discussões institucionais sobre alterações no funcionamento do Poder Judiciário e do Supremo Tribunal Federal no país.

Formada majoritariamente por juristas simpáticos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a iniciativa busca resgatar o modelo adotado durante o primeiro mandato presidencial. Naquela época, o órgão funcionou sob a liderança do Ministério da Justiça na gestão de Márcio Thomaz Bastos, tendo como secretário o criminalista Pierpaolo Cruz Bottini.

A antiga estrutura teve papel central na elaboração e articulação da Emenda Constitucional 45 de 2004. Entre as principais realizações históricas daquele período destacam-se a criação do Conselho Nacional de Justiça e a uniformização dos procedimentos nos tribunais superiores brasileiros.

Prerrogativas propõe recriar secretaria

Segundo os coordenadores do Prerrogativas, Marco Aurélio Carvalho e Bruno Salles, a condução da nova reforma estrutural deve ficar inteiramente a cargo do Ministério da Justiça. Os advogados defendem também que a pasta seja desmembrada, separando definitivamente a administração da justiça em relação à área de Segurança Pública.

A proposta apresentada pelo grupo engloba medidas de grande impacto institucional para o sistema de justiça nacional. Entre os pontos centrais estão a instituição de mandatos fixos de 12 anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal e a criação de um código de ética específico para a corte.

Além disso, o texto defendido pelos juristas aponta a necessidade de assegurar paridade de gênero na composição dos tribunais superiores e estabelece uma idade mínima de 45 anos para o preenchimento dos cargos de magistrados nas instâncias máximas.

Juristas resgatam histórico institucional

O debate sobre a necessidade de promover modificações estruturais no Judiciário ganha força em meio a momentos de crise institucional e desgaste político entre os poderes da República. O resgate da antiga secretaria é visto pelos idealizadores como um instrumento técnico para pacificar as relações institucionais.

O criminalista Pierpaolo Cruz Bottini destacou publicamente a relevância histórica do órgão extinto e defendeu a utilidade da medida atual. A recriação do órgão vem a calhar em um momento de profunda crise e desgaste entre os poderes, afirmou o especialista ao comentar a iniciativa.

Para os defensores da proposta, estruturar propostas por meio de um órgão especializado dentro da Esplanada é o caminho mais adequado para assegurar o aprimoramento contínuo na distribuição da justiça no território nacional.

Debate ganha força política

A discussão sobre a reforma do Judiciário ocorre simultaneamente à tramitação de diversas propostas no Congresso Nacional voltadas a impor novas regras de atuação aos magistrados. O alinhamento de alas governistas em torno de pautas reformistas pavimenta o caminho para que o tema ganhe prioridade na agenda legislativa.

Apesar da movimentação intensa dos juristas e de setores aliados ao governo federal, a viabilidade política efetiva da recriação da pasta ainda depende de articulações formais. O Palácio do Planalto e os demais órgãos do Executivo não emitiram confirmação oficial sobre a implementação da medida.

A separação entre o Ministério da Justiça e a pasta de Segurança Pública também permanece como um ponto sensível nas negociações políticas. Especialistas apontam que a reestruturação ministerial exigirá amplo consenso político para avançar no parlamento.

Propostas incluem mudanças no STF

As modificações sugeridas pelo grupo Prerrogativas afetam diretamente a dinâmica de funcionamento do Supremo Tribunal Federal. A imposição de mandatos de doze anos rompe com o modelo atual de vitaliciedade, que permite aos ministros permanecerem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.

O projeto também busca estabelecer maior transparência e controle sobre a atuação dos magistrados por meio da criação formal de um código de conduta ética. A exigência de paridade de gênero responde a demandas históricas por maior representatividade feminina nas altas cortes do país.

A fixação de idade mínima para o acesso aos tribunais superiores complementa o conjunto de diretrizes elaboradas pelos juristas. O pacote visa modernizar os critérios de escolha e promover maior equilíbrio nas instâncias de deliberação constitucional.

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