A Polícia francesa prendeu em flagrante um homem de 29 anos após encontrar o corpo da modelo brasileira Larissa Brito, de 25 anos, dentro de seu veículo em Brignoles, no sudeste do país. Natural de São Paulo, a jovem estava morando na França há três anos e mantinha um relacionamento anterior com o suspeito, identificado como Mathieu, que durou cerca de cinco meses. O Ministério Público de Nice solicitou formalmente a prisão preventiva do investigado, enquanto as autoridades dão andamento às apurações sobre as circunstâncias da morte.
O caso veio à tona após a família da vítima perder contato com ela e acionar as autoridades locais. No último domingo, Larissa enviou uma mensagem à mãe relatando que o ex-namorado estava no local. A partir de então, as ligações feitas pela família passaram a ser atendidas pelo próprio suspeito, que tentou encobrir o desaparecimento alegando que a jovem estaria dormindo. Diante da insistência e da ameaça de acionar a polícia, o número de familiares acabou bloqueado pelas mãos do próprio investigado.
Horas depois, um registro de desaparecimento foi formalizado na Europa e a abordagem alfandegária revelou o corpo escondido sob sacolas de roupas no automóvel. Os indícios iniciais apontam que o crime ocorreu em Nice, antes de o suspeito deixar a cidade com destino ignorado. A rápida mobilização familiar e a fiscalização rodoviária foram determinantes para a localização imediata do veículo onde a vítima era transportada sem vida.
Investigação aponta perseguição constante
De acordo com relatos de familiares e investigações preliminares, a modelo havia terminado o relacionamento de cinco meses ao descobrir o envolvimento do francês com atividades criminosas. Mesmo após mudar de residência e iniciar um novo namoro, Larissa continuou a ser alvo de constantes abordagens e ameaças por parte do ex-companheiro. A apuração conduzida pelo Serviço Local de Polícia Judiciária de Nice tenta mapear todos os passos do suspeito após a concretização do homicídio.
As autoridades locais trabalham com a hipótese firme de que o assassinato tenha ocorrido dentro do apartamento da vítima, localizado em Nice. Registros de câmeras de segurança teriam capturado o momento em que o suspeito deixou o imóvel carregando diversas sacolas volumosas. Posteriormente, o novo namorado de Larissa esteve no local e constatou que o espaço havia sido totalmente limpo, levantando suspeitas fundamentadas de que vestígios e impressões digitais foram apagados.
A mãe da jovem detalhou que o imóvel passou por uma lavagem completa para eliminar provas materiais que pudessem comprometer o principal suspeito. A perícia técnica agora tenta recuperar eventuais vestígios biológicos que tenham escapado da tentativa de ocultação de provas realizada no local. O cerco policial se fechou rapidamente em torno do investigado devido ao conjunto de evidências colhidas nas primeiras horas após a descoberta do corpo.
Preciso de ajuda para trazer o corpo da minha filha porque não tenho condições.”
Liliane Brito Nogueira
O corpo de Larissa Brito foi encontrado escondido sob sacolas de roupas com lesões traumáticas e ferimentos por arma branca.
Suspeito nega a acusação formal
Submetido à custódia policial após a abordagem em Brignoles, Mathieu optou por negar a autoria do crime e não apresentou explicações convincentes para a presença do corpo em seu automóvel. O histórico do investigado inclui registros anteriores por infrações relacionadas a entorpecentes e diversos delitos de trânsito nas rodovias da França. Com os novos elementos reunidos pela promotoria pública, ele passa a responder formalmente pelo crime de homicídio qualificado.
A investigação policial aguarda os resultados oficiais do laudo da autópsia para esclarecer a dinâmica exata e a causa determinante da morte da brasileira. As autoridades francesas mantêm o inquérito sob sigilo operacional enquanto recolhem depoimentos e analisam vestígios materiais recolhidos tanto no veículo quanto no apartamento onde a modelo residia. A falta de justificativas plausíveis por parte do condutor fortaleceu a convicção dos investigadores sobre sua responsabilidade penal.
A promotoria de Nice enfatizou que a gravidade das acusações e o risco de fuga justificam plenamente a manutenção da prisão preventiva solicitada à justiça. O detido permanece isolado em uma unidade prisional da região enquanto o processo penal avança para as próximas fases procedimentais. A defesa constituída pelo suspeito ainda não apresentou novos argumentos capazes de reverter a decisão de custódia cautelar.
Família busca apoio para traslado
Em meio ao choque com o crime brutal, os familiares de Larissa buscam suporte financeiro e diplomático para viabilizar o traslado do corpo de volta ao Brasil. A mãe da jovem relatou dificuldades no contato inicial com órgãos governamentais brasileiros e reforçou o apelo público por auxílio oficial para realizar o sepultamento no estado de São Paulo. O caso gerou forte repercussão entre comunidades de expatriados e familiares consternados com a violência do episódio.
Em nota oficial enviada à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Marselha acompanha integralmente o desdobramento do caso. A representação diplomática confirmou estar em contato direto com as autoridades policiais francesas e prestando o suporte consular necessário aos familiares da vítima enlutada. Os trâmites burocráticos para a repatriação exigem cooperação internacional contínua entre os governos.
A família mantém a expectativa de que o governo brasileiro agilize os procedimentos consulares para amenizar o sofrimento gerado pela distância e pela burocracia internacional. O apoio institucional é considerado fundamental para que os trâmites legais ocorram sem maiores delongas nas próximas semanas. A dor da perda é agravada pela necessidade de vencer barreiras alfandegárias e diplomáticas para a despedida final no solo paulistano.


