Ex-deputado Adão Xavier volta a júri popular por morte de adolescente em 2004

Ex-parlamentar é acusado de mandar matar jovem de 16 anos por ciúmes; condenação anterior foi anulada pela Justiça em 2024

Da
Redação
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Julgamento do ex-deputado distrital ocorre no Tribunal do Júri do Recanto das Emas, no Distrito Federal.
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O ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, conhecido como Adão Xavier, enfrenta um novo julgamento no Tribunal do Júri do Recanto das Emas, localizado no Distrito Federal. Ele responde perante a Justiça pela acusação de mandar matar o adolescente Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, em um crime ocorrido no mês de março de 2004. O caso histórico gerou ampla repercussão na política da capital federal ao longo dos anos.

De acordo com os autos do processo, o ex-parlamentar era casado havia 14 anos na época e suspeitava que a esposa mantinha relacionamentos extraconjugais com adolescentes. A acusação aponta que o político acreditava que a vítima mantinha envolvimento com sua cônjuge e, por esse motivo, decidiu encomendar a execução do jovem mediante o pagamento de 15 mil reais.

A investigação conduzida pelas autoridades policiais indicou que, embora ameaças iniciais tivessem interrompido o contato entre a mulher e o adolescente, a ordem criminosa teria sido mantida. O corpo de Ewerton da Rocha Ferreira foi localizado logo depois atrás de uma parada de ônibus na mesma região administrativa, apresentando marcas de disparos de arma de fogo.

Justiça anula condenação anterior após novos elementos da defesa

Anteriormente a este novo júri, Carlos Xavier chegou a ser submetido a julgamento e foi condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio do adolescente. No entanto, a decisão judicial que determinou a pena acabou sendo anulada pela Justiça no transcorrer do ano de 2024, permitindo a realização de um novo processo para reavaliar os fatos.

A anulação da condenação anterior foi conquistada após a equipe de defesa apresentar novos elementos ao processo criminal. Entre os documentos anexados constavam um relatório policial inédito e novos depoimentos prestados por policiais civis que atuaram diretamente nas diligências originais do caso na época.

Os depoimentos que fundamentaram a revirta processual foram dados por agentes que integravam a extinta Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida, conhecida como Corvida. Com a aceitação dos argumentos defensivos, o réu retornou ao banco dos réus para um novo enfrentamento perante o Tribunal do Júri.

Ex-parlamentar acumula três mandatos na história da política local

Antes de se tornar alvo de investigações criminais de grande repercussão, Carlos Pereira Xavier exerceu três mandatos consecutivos como deputado na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A trajetória legislativa do ex-parlamentar teve início com vitórias nas urnas nos pleitos dos anos de 1994, 1998 e 2002, quando representou siglas como o PPB e o PSD.

Durante o período em que esteve em exercício na casa legislativa distrital, o político apresentou e aprovou iniciativas parlamentares de relevo regional. Entre os atos de sua autoria destaca-se a promulgação da Lei número 893, aprovada no ano de 1995, que instituiu formalmente o Dia do Evangélico no calendário oficial do Distrito Federal.

As atividades parlamentares do ex-deputado foram interrompidas de forma definitiva em decorrência dos desdobramentos judiciais e das investigações sobre o homicídio. O impacto institucional do caso marcou de forma permanente a história do Poder Legislativo da capital do país.

Cassação inédita marcou precedente na Câmara Legislativa do DF

O desfecho do processo criminal original resultou em um marco sem precedentes na história institucional da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A condenação imposta ao ex-deputado por envolvimento no assassinato culminou na cassação definitiva do seu mandato parlamentar vigente na época.

Com essa decisão desfavorável na esfera judicial, Carlos Xavier entrou para os registros oficiais como o primeiro parlamentar na história política da CLDF a perder o mandato em decorrência direta de uma condenação criminal transitada em julgado ou aplicável naqueles moldes.

O histórico político e judicial do ex-deputado permanece como um dos episódios mais emblemáticos de repercussão policial envolvendo ocupantes de cargos eletivos de alto escalão no Distrito Federal. O novo julgamento busca definir responsabilidades definitivas sobre o homicídio de 2004.

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