O Partido dos Trabalhadores identificou um fator considerado estratégico na pesquisa Quaest divulgada em setembro de 2026. A avaliação interna aponta um crescimento na percepção do eleitorado de que a família Bolsonaro é a mais afetada pelo escândalo do Banco Master, o que levou a legenda a intensificar a exploração do tema na propaganda eleitoral.
Os números levantados pelo instituto surpreenderam tanto a cúpula da campanha petista quanto os próprios aliados do parlamentar do PL. Enquanto o bloco governista passou a enxergar a repercussão como uma oportunidade de desgaste para o adversário, a base de apoio do senador demonstrou preocupação com o impacto dos dados entre os eleitores.
De acordo com os recortes do levantamento, o percentual de eleitores que avaliam a família Bolsonaro como a mais atingida pelo caso subiu de 15% para 21%. Em contrapartida, a parcela daqueles que acreditavam que o escândalo causava impacto igual em todos os envolvidos recuou de 46% para 37% no mesmo período da pesquisa.
PT comemora dados da Quaest
Diante do cenário capturado pelo instituto, os dirigentes do partido governista decidiram minimizar outros resultados numéricos do levantamento, optando por concentrar o discurso público na associação direta entre o parlamentar e as investigações financeiras.
A estratégia de comunicação passou a adotar o argumento de que o cerco político e as evidências em torno do caso tornam-se cada vez mais claros para a população. A avaliação nos bastidores é de que o tema ganhou tração suficiente para moldar a opinião pública e desconstruir a base de sustentação do adversário.
A verdade sobre o caso começa a ficar evidente, resumiu a cúpula de comunicação partidária ao enfatizar que as apurações atingem diretamente o senador.
Outros integrantes da legenda reforçaram a mesma linha de discurso nas redes e em grupos de mensagens, buscando consolidar a narrativa de que o desgaste recai de forma exclusiva sobre o principal nome da oposição no pleito.
Rádio intensifica ataques políticos
Para potencializar o efeito dos números apontados pela pesquisa, a campanha petista concentrou esforços expressivos na produção e veiculação de peças publicitárias voltadas para o rádio, meio considerado fundamental para atingir eleitores em diferentes faixas sociais.
Em vez de priorizar inserções focadas exclusivamente na imagem do presidente da República, os marqueteiros optaram por destinar tempo substancial de rádio para bater na tecla da relação entre Flávio Bolsonaro e as movimentações financeiras investigadas.
Além de associar o nome do senador ao escândalo do Banco Master, os programas diários de rádio também passaram a atribuir ao candidato opositor posições impopulares, como a suposta contrariedade ao fim da escala de trabalho 6×1 e a supostas ameaças ao programa Bolsa Família.
A ofensiva tem colocado a campanha de Flávio na defensiva, exigindo respostas rápidas dos aliados para tentar conter o avanço da narrativa governista junto ao eleitorado que acompanha os programas de rádio.
Investigação alimenta a disputa
O pano de fundo da estratégia política envolve as apurações conduzidas pela Polícia Federal sobre repasses financeiros e produções audiovisuais, incluindo o financiamento do filme Dark Horse e diálogos atribuídos ao senador com figuras centrais do esquema, como Daniel Vorcaro.
Esses elementos fornecem a base factual que a campanha petista utiliza para sustentar as acusações nas peças de propaganda, transformando uma investigação policial em peça de debate político diário.
Do outro lado do tabuleiro eleitoral, a equipe que assessora Flávio Bolsonaro tenta contra-atacar deslocando o foco do debate para a relação institucional entre o atual presidente e o ministro Alexandre de Moraes, buscando criar um contrapeso político.
A disputa de narrativas polariza o cenário eleitoral, com cada grupo apostando em temas distintos para tentar influenciar a reta decisiva da campanha e conquistar os votos dos eleitores indecisos.
Pesquisa mede impacto eleitoral
O levantamento da Quaest funciona como termômetro para medir a eficácia das propagandas eleitorais e orientar os próximos passos das equipes de marketing de ambas as chapas em disputa.
Enquanto o comando da campanha do PL avalia formas de blindar a imagem do candidato e neutralizar os efeitos das inserções de rádio, o QG petista planeja manter a pressão sobre o mesmo flanco.
Especialistas em comunicação política apontam que o uso de temas ligados à corrupção e à moralidade costuma gerar forte volatilidade na intenção de votos, o que justifica a centralidade que o escândalo passou a ocupar na estratégia do partido.
As próximas semanas devem indicar se a associação feita pela campanha governista continuará produzindo efeitos nas pesquisas de intenção de voto ou se o contra-ataque da oposição conseguirá diluir o impacto do escândalo.


