Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, reagiu neste domingo, 20 de setembro, ao vídeo que mostra Alexandre de Moraes e a esposa, Viviane Barci, desembarcando de um jatinho ligado a uma empresa de Daniel Vorcaro.
Em publicação no X, o senador atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal, associou o episódio ao retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência e pediu apoio eleitoral para sua candidatura. As acusações expressam a posição política de Flávio e não constituem, por si só, prova de irregularidade praticada por Moraes.
As imagens que provocaram a reação foram gravadas em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A aeronave era um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, então ligado a uma empresa associada ao ex-controlador do Banco Master.
Flávio reage a Moraes
Flávio afirmou que Moraes seria o principal responsável pelo retorno de Lula à Presidência e acusou o ministro de ter aparelhado o Estado.
Na mesma postagem, disse que faltavam 14 dias para as eleições e pediu aos eleitores a oportunidade de “resgatar” o país.
O candidato também defendeu a eleição de senadores alinhados à sua chapa, conectando o caso do jatinho à estratégia de campanha para o Executivo e o Legislativo.
“Alexandre de Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime”.
Flávio Bolsonaro
A publicação usa linguagem de confronto político e faz alegações que vão além do que o vídeo comprova. O registro mostra o desembarque, mas não demonstra sozinho a existência de favorecimento, crime ou vínculo pessoal entre Moraes e Vorcaro.
Vídeo mostra desembarque
As imagens mostram Moraes e Viviane deixando o Legacy 650 no Santos Dumont. Daniel Vorcaro não aparece no vídeo e não há registro de que estivesse no voo.
O material chamou atenção porque uma nota divulgada pelo gabinete de Moraes em abril afirmava que o ministro jamais havia viajado em avião de Vorcaro ou na companhia do banqueiro.
A aeronave usada no deslocamento estava registrada em nome de uma empresa ligada a Vorcaro. Esse vínculo empresarial é o elemento que levou o vídeo a ser confrontado com a declaração anterior do gabinete.
O registro, contudo, não esclarece quem contratou o serviço, quem pagou pelo voo nem qual relação jurídica sustentou o deslocamento.
Escritório explica contratação
O escritório Barci de Moraes afirmou que contratava serviços de táxi aéreo e que a escolha de cada aeronave cabia à empresa prestadora.
Segundo a banca, a Prime Aviation foi utilizada em algumas ocasiões e Vorcaro não esteve presente nos voos feitos com integrantes do escritório.
A nota acrescentou que Moraes acompanhou a esposa em determinadas viagens e negou vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos.
O escritório também contesta a interpretação de que a utilização dos aviões represente favorecimento indevido.
Investigações examinam contratos
O episódio aparece em meio às investigações sobre o Banco Master, que incluem contratos, mensagens e relações empresariais de Vorcaro.
Relatórios da Polícia Federal citados pelo Metrópoles mencionam um suposto contrato de R$ 50 milhões e conversas sobre uso de aeronaves. Moraes e o escritório de Viviane negam irregularidades e sustentam que esse contrato não existiu ou não foi assinado nos termos atribuídos pela investigação.
Um mês antes do voo, o Banco Central já havia encaminhado ao Ministério Público Federal alerta sobre suspeitas em operações financeiras entre o BRB e o Master.
A eventual responsabilização de qualquer pessoa depende da análise conjunta de contratos, registros de voo, pagamentos e demais provas produzidas pelas autoridades competentes.


