A pintora Lucia Laguna morreu aos 85 anos nesta terça-feira (22), em sua residência, localizada na cidade do Rio de Janeiro. A informação sobre o falecimento foi confirmada pela galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, que representava a artista no mercado de artes visuais. A causa da morte não foi divulgada.
Nascida em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, em 1941, Laguna formou-se em Letras e atuou inicialmente como professora de literatura. A guinada profissional ocorreu após a sua aposentadoria, em 1994, quando passou a se dedicar formalmente ao estudo das artes plásticas e construiu uma trajetória reconhecida nacional e internacionalmente.
A artista deixa uma filha, Laura, e dois netos, identificados como João e Daniel. O velório e os ritos de despedida seguem sob organização de familiares e representantes, enquanto o meio artístico lamenta a perda de um dos nomes fundamentais da pintura contemporânea no país.
Artista transformou a paisagem suburbana em linguagem pictórica
Nas telas, Lucia Laguna encontrou na paisagem urbana da capital fluminense a principal matéria-prima para sua produção. A artista retratava com frequência elementos da arquitetura suburbana e cotidiana, como telhados, lajes, muros, grades, fios elétricos e casas da Zona Norte carioca, especialmente a partir da vista que observava de sua janela no bairro de São Francisco Xavier.
Sua técnica singular chamou a atenção de críticos de arte e do público ao incorporar camadas sucessivas de tinta sobre fitas adesivas coladas e descoladas da tela. O processo criativo resultava em composições complexas que misturavam acumulação e apagamento visual, refletindo tanto o ambiente íntimo do ateliê quanto o cenário urbano circundante.
A primeira exposição individual da pintora ocorreu em janeiro de 1998, no Centro Cultural Cândido Mendes, em Ipanema. A partir daí, consolidou uma carreira de forte presença institucional, com passagens por espaços consagrados como os Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo, além do Masp e do MAR.
Trajetória alcançou projeção em galerias internacionais
O alcance da obra de Laguna ultrapassou as fronteiras brasileiras ao longo das décadas seguintes. A produção da artista integrou mostras coletivas e individuais em diversos países, alcançando galerias e instituições culturais em nações como Portugal, Alemanha, França, Estados Unidos, Reino Unido e Suíça.
Especialistas apontam que a singularidade de seu trabalho reside na habilidade de transformar fragmentos cotidianos em uma linguagem pictórica sofisticada. A galeria que a representava destacou em nota oficial que a obra da pintora ocupa um lugar fundamental na arte brasileira contemporânea por unir intimidade e abertura ao mundo.
A contribuição de Lucia Laguna para a cultura nacional permanece registrada em acervos públicos e privados, consolidando o legado de uma trajetória construída com rigor técnico, observação atenta do cotidiano e tardia, porém marcante, consagração nas artes visuais.
Mercado e críticos avaliam o legado deixado pela pintora
A repercussão da morte da artista mobilizou críticos, galeristas e admiradores das artes visuais em todo o país. O reconhecimento tardio de Laguna serve como referência para novas gerações que buscam na experimentação estética caminhos fora dos moldes tradicionais de formação acadêmica precoce.
As instituições que abrigam suas obras reforçam a importância de preservar o acervo documental e pictórico acumulado ao longo de décadas de dedicação exclusiva ao ateliê. Exposições póstumas já começam a ser debatidas por curadores especializados na cena contemporânea brasileira.
O impacto de sua partida encerra um ciclo de intensa produção criativa, mas consolida definitivamente seu nome entre as principais referências da história da arte no Brasil durante o final do século XX e o início do século XXI.
Família e instituição preparam atos de despedida
Os preparativos para a despedida de Lucia Laguna reúnem familiares próximos e representantes do setor cultural carioca. A filha Laura e os netos João e Daniel recebem condolências de artistas e intelectuais que acompanharam a trajetória da pintora desde os primeiros passos no Centro Cultural Cândido Mendes.
Notas oficiais emitidas por galerias e museus destacam a generosidade da artista no trato diário e sua dedicação incansável à pintura até os últimos anos de vida. As homenagens prestadas refletem o prestígio conquistado com esforço e talento singulares.
A ausência da pintora deixa uma lacuna sentida no cenário artístico do Rio de Janeiro, mas sua obra permanece acessível ao público em importantes museus e coleções particulares espalhadas pelo Brasil e pelo exterior.


