Uma família brasileira afetada pelo incêndio que destruiu o Hotel Altos Nevados, no complexo turístico de Nevados de Chillán, no Chile, passou a cobrar respostas sobre a apuração do caso e afirma que não pretende depender apenas da boa-fé das autoridades para esclarecer eventuais responsabilidades. O posicionamento foi relatado pela coluna de Ancelmo Gois, de O Globo, em meio à investigação aberta após o fogo que consumiu o prédio no início de setembro.
O incêndio ocorreu em 6 de setembro, na comuna de Pinto, Região de Ñuble. A Fiscalía chilena informou que 119 passageiros estavam hospedados no hotel e que todos foram retirados com vida. Não houve registro de feridos nem de pessoas desaparecidas. Muitos hóspedes, porém, deixaram o local sem bagagens, passaportes e outros documentos pessoais.
As autoridades ainda não apresentaram uma conclusão definitiva sobre o que provocou as chamas. A apuração envolve o Laboratório de Criminalística dos Carabineros, o Labocar, e a equipe do OS9. A investigação precisa estabelecer o ponto de origem do fogo e determinar se houve ação humana, falha elétrica ou outro fator técnico.
Família cobra esclarecimentos
A manifestação da família brasileira acrescenta uma nova frente ao caso, que até agora vinha concentrado na investigação técnica conduzida pelas autoridades chilenas. A cobrança não altera as conclusões oficiais já divulgadas, mas mostra que vítimas estrangeiras acompanham de perto a definição das causas e das possíveis responsabilidades pelo incêndio.
Não há confirmação pública, até o momento, de uma conclusão pericial que atribua culpa ao hotel, a funcionários, hóspedes ou terceiros. Também não foi divulgada decisão judicial que estabeleça indenização ou responsabilidade civil relacionada ao episódio.
A posição da família deve ser entendida, portanto, como uma cobrança por transparência e preservação de direitos, e não como prova de irregularidade. Qualquer responsabilização depende dos resultados técnicos, da documentação do hotel e das normas aplicáveis no Chile.
Para turistas estrangeiros, a apuração também envolve questões práticas, como perda de documentos, pertences pessoais e veículos. A Polícia de Investigações do Chile atuou no atendimento aos passageiros estrangeiros, entre eles brasileiros, americanos e britânicos.
Fogo destrói o hotel
O fogo atingiu o Hotel Altos Nevados durante a tarde de 6 de setembro e avançou rapidamente pela estrutura. A administração informou que a fumaça foi detectada na parte superior do quinto andar e que os protocolos de emergência foram acionados logo depois.
Funcionários percorreram os quartos para retirar hóspedes, que foram levados a outras instalações do complexo. A evacuação foi concluída sem vítimas, apesar da rapidez com que o incêndio se espalhou.
Além do hotel, as chamas causaram danos em uma cafeteria, parte da cozinha, na escola de esqui e na área de aluguel de equipamentos. A Fiscalía também registrou 20 veículos atingidos, dos quais 12 tiveram perda total.
Vento dificulta combate
O trabalho dos bombeiros foi prejudicado pelo chamado vento puelche, corrente quente e seca que pode ganhar força na região andina. Relatos locais apontaram rajadas intensas durante a ocorrência, condição que favoreceu a propagação das chamas pelo edifício.
Companhias de bombeiros de Pinto, Coihueco e Chillán participaram da operação. Após o controle do incêndio, equipes permaneceram no local para reduzir a temperatura e permitir a entrada segura dos investigadores.
A segurança do terreno foi uma etapa necessária antes do início dos exames periciais. Como parte da estrutura ficou destruída, a identificação precisa do ponto inicial do fogo exige análise dos vestígios preservados e de registros técnicos disponíveis.
Investigação segue aberta
O Ministério Público chileno mantém a investigação sobre a origem e a causa do incêndio. Os peritos precisam avaliar se o episódio decorreu de uma falha acidental ou se existe elemento que indique ação humana.
O hotel possuía sistemas de segurança, e a retirada de todos os hóspedes sem vítimas é um dos pontos já documentados pelas autoridades. Isso, porém, não encerra a apuração sobre como o fogo começou nem sobre a velocidade com que se espalhou.
A administração do complexo iniciou posteriormente a retomada das áreas que não foram afetadas, enquanto o Hotel Altos Nevados permaneceu fora de operação. O caso continua dependente dos laudos periciais para que sejam estabelecidas as causas técnicas e, se houver fundamento, eventuais responsabilidades.


