Exames toxicológicos preliminares detectaram traços de álcool e substâncias entorpecentes no organismo do condutor do táxi aquático envolvido no acidente que matou a brasileira Gabriella Querino Elorriaga, de 26 anos, e o italiano Sean Michieli, de 25, na Lagoa de Veneza.
Os vestígios foram encontrados no sangue e na urina do motorista, mas as concentrações ainda não foram definidas de forma conclusiva. Por isso, a Promotoria de Veneza determinou a realização de exames complementares.
O acidente ocorreu na madrugada de 12 de setembro, no canal de Tessera. A embarcação do casal foi atingida por um táxi aquático que transportava dois turistas norte-americanos.
Testes indicam presença de substâncias
Os primeiros resultados apontam a presença de álcool e drogas em níveis considerados baixos nos exames iniciais.
As autoridades italianas querem estabelecer com precisão quais substâncias estavam presentes e em que quantidade no organismo do condutor no momento da colisão.
A legislação italiana impõe regras rígidas a profissionais que transportam passageiros por via aquática, e a eventual presença de álcool ou drogas pode ter impacto direto na avaliação das responsabilidades.
Os testes preliminares não encerram a investigação, porque a quantidade das substâncias ainda precisa ser confirmada por análises clínicas complementares.
Acidente matou brasileira e marido
Gabriella Querino Elorriaga e Sean Michieli estavam casados havia cerca de três meses e viviam em Burano, ilha da Lagoa de Veneza conhecida pela tradição pesqueira.
Na manhã do acidente, o casal havia saído para pescar e seguia em uma pequena embarcação quando ocorreu a colisão.
Sean sofreu traumatismo craniano, foi levado ao hospital e morreu no dia seguinte.
Gabriella desapareceu após o impacto. O corpo dela foi localizado três dias depois, na região da lagoa.
Promotoria investiga homicídio náutico
A Promotoria de Veneza apura o caso como homicídio náutico e naufrágio culposo.
A promotora Daniela Moroni marcou para 24 de setembro a nomeação oficial de peritos que vão reconstruir a dinâmica da colisão.
Entre os pontos que serão analisados estão a velocidade das embarcações, as condições de visibilidade, o funcionamento das luzes de navegação e o comportamento dos condutores antes do impacto.
Também serão considerados os resultados dos exames toxicológicos e os depoimentos das testemunhas.
Condutor afirma que não viu o barco
O motorista do táxi aquático afirmou às autoridades que não viu a pequena embarcação do casal antes da colisão.
Ele disse ter percebido apenas o impacto e, em seguida, ter avistado Sean entre os destroços.
Uma das hipóteses investigadas é a de que o barco do casal estivesse com as luzes apagadas, circunstância que poderia ter dificultado sua visualização durante a madrugada.
Essa versão ainda precisa ser confrontada com as perícias técnicas, os depoimentos das testemunhas e os registros das embarcações.
Turistas americanos serão ouvidos
Os dois passageiros norte-americanos que estavam no táxi aquático são considerados testemunhas importantes para esclarecer o acidente.
As autoridades italianas formalizaram um pedido de assistência jurídica internacional para que o casal seja ouvido nos Estados Unidos.
Os turistas estavam a caminho do Aeroporto de Tessera quando ocorreu a colisão.
Outras pessoas que navegavam na região também foram identificadas e devem contribuir para a reconstrução do ocorrido.
Licença do táxi entrou no centro do caso
Em paralelo à investigação criminal, o proprietário do táxi aquático pediu à Prefeitura de Veneza a transferência da licença de transporte.
O pedido chamou atenção porque a situação administrativa da licença pode ter reflexos em eventuais discussões de responsabilidade civil e indenizações.
A análise desse ponto ficará separada da apuração criminal, que busca definir as causas do acidente e a eventual responsabilidade do condutor.
Com novos exames toxicológicos e a perícia marcada para a próxima semana, a investigação entra agora em uma fase decisiva para determinar se a presença de álcool e drogas teve influência concreta na colisão.


