A Alternativa para a Alemanha (AfD) intensificou nesta segunda-feira (21) a pressão política sobre o chanceler Friedrich Merz após novas derrotas regionais da União Democrata-Cristã (CDU). Dirigentes da legenda de extrema direita afirmaram que Merz pode deixar o cargo até o fim do ano e disseram que a AfD já teria substituído a CDU como “partido do povo”.
A novidade ocorre um dia depois de a AfD vencer a eleição em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país. A legenda recebeu cerca de 38% dos votos, enquanto a CDU ficou abaixo do limite de 5% necessário para entrar no Parlamento estadual, resultado que marcou o pior desempenho regional do partido conservador desde o período pós-guerra.
A AfD também havia obtido resultado expressivo duas semanas antes na Saxônia-Anhalt. A sequência de vitórias estaduais aumentou a pressão sobre Merz, que reconheceu publicamente o revés eleitoral, mas afirmou que pretende continuar no cargo e manter sua agenda de reformas.
AfD prevê saída de Merz
Leif-Erik Holm, principal nome da AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, afirmou em entrevista coletiva que o chanceler não deve permanecer no cargo até o fim do ano. A declaração representa uma projeção política do dirigente oposicionista, e não uma decisão tomada dentro da CDU ou do governo federal.
O ocaso do chanceler começou”.
Leif-Erik Holm, dirigente da AfD
A copresidente da AfD, Alice Weidel, também aproveitou o resultado para reivindicar um novo papel para a legenda na política nacional. Ela afirmou que o partido teria ultrapassado a CDU como força popular em partes do eleitorado alemão.
A CDU, porém, segue integrando o governo federal e mantém presença institucional muito superior à da AfD em estados, municípios e no Bundestag. O resultado regional amplia a pressão interna, mas não produz automaticamente mudança no comando do país.
CDU tem pior resultado regional
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU terminou com 4,9% dos votos, abaixo da cláusula de barreira para representação no Parlamento estadual. Foi a primeira vez desde 1949 que o partido ficou fora de uma assembleia estadual alemã.
A derrota veio no mesmo fim de semana em que a CDU perdeu força em Berlim. Na capital, A Esquerda terminou à frente dos democrata-cristãos, enquanto a AfD também ampliou sua votação em relação ao pleito anterior.
Merz classificou o resultado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como um “desastre”. Apesar disso, reuniu dirigentes da CDU nesta segunda-feira para tentar preservar apoio interno e defender a continuidade de reformas econômicas e administrativas.
AfD avança sem formar governo
Mesmo com a vitória, a AfD não tem caminho garantido para comandar o governo estadual. Os demais partidos continuam rejeitando coalizões com a legenda, estratégia conhecida na Alemanha como “cordão sanitário” ou “firewall”.
O Partido Social-Democrata, que ficou próximo da AfD no estado, ainda pode liderar uma coalizão com outras forças para manter a extrema direita fora do Executivo regional. As negociações partidárias começam após a confirmação definitiva da distribuição de cadeiras.
A situação se repete em outros estados em que a AfD cresceu. A legenda consegue liderar ou chegar perto do primeiro lugar, mas enfrenta dificuldades para transformar esse desempenho em maiorias parlamentares porque os partidos tradicionais recusam alianças.
Merz tenta conter pressão interna
Friedrich Merz está no cargo há cerca de 16 meses e enfrenta queda de popularidade em meio a dificuldades econômicas, preços de energia e disputas sobre imigração, impostos e reforma previdenciária. Os resultados estaduais aumentaram questionamentos dentro e fora da coalizão de governo.
Integrantes da CDU e de partidos aliados defendem mudanças de rumo, mas não há processo formal em andamento para substituir o chanceler. Merz declarou que pretende seguir com as reformas e rejeitou a ideia de abandonar o cargo por causa das eleições regionais.
A Alemanha não terá nova eleição federal em 2026. O calendário político de 2027 inclui novas disputas estaduais, que deverão funcionar como testes adicionais para a CDU, a coalizão governista e o crescimento da AfD.


