A Alternativa para a Alemanha (AfD) apareceu em primeiro lugar no boca de urna da eleição estadual em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental neste domingo, 20 de setembro, ampliando a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz poucos dias depois de outro avanço da legenda em eleições regionais.
As projeções indicaram cerca de 37% para a AfD, 35,5% para o Partido Social-Democrata (SPD) e aproximadamente 5,5% para a União Democrata Cristã (CDU), partido de Merz.
O chanceler classificou o desempenho da CDU como um “desastre”, mas afirmou que pretende continuar no cargo e manter a agenda de reformas do governo federal.
AfD abre vantagem no nordeste
Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental é um estado predominantemente rural do antigo território da Alemanha Oriental e vinha sendo governado pelo SPD.
A vantagem da AfD confirma a expansão eleitoral do partido em regiões do leste alemão, onde a legenda tem obtido seus melhores resultados.
Mesmo liderando a votação, a AfD enfrenta dificuldades para formar governo porque os demais grandes partidos reiteraram que não pretendem integrar coalizões com a sigla.
A definição do Executivo estadual dependerá da composição final do Parlamento e das negociações entre as legendas após a conclusão da apuração.
A distância entre o primeiro e o segundo colocados permaneceu suficientemente estreita para que a consolidação dos resultados oficiais continuasse relevante ao longo da noite.
CDU fica perto da barreira
O resultado projetado de 5,5% deixa a CDU pouco acima da cláusula mínima de 5% exigida para representação parlamentar pelo voto proporcional.
Se confirmado, será o pior desempenho da legenda em uma eleição estadual desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1949.
Merz reconheceu a dimensão da derrota e afirmou que o partido precisará analisar as causas do resultado.
A votação amplia o debate interno na CDU sobre estratégia eleitoral, relação com eleitores do leste do país e resposta ao crescimento da AfD.
“É um desastre”.
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha
Berlim também muda cenário
No mesmo domingo, Berlim realizou sua eleição estadual e também apresentou alterações relevantes na distribuição de forças políticas.
O Die Linke apareceu com 24,5% no boca de urna, enquanto a CDU ficou em torno de 20% e a AfD alcançou aproximadamente 16%.
O desempenho na capital reforça a percepção de desgaste dos conservadores em regiões com perfis eleitorais muito diferentes entre si.
Os dois resultados ocorrem duas semanas depois de a AfD ter avançado fortemente na Saxônia-Anhalt, onde ficou próxima de uma maioria absoluta.
Merz promete manter reformas
Apesar do revés, Merz afirmou que pretende seguir com propostas econômicas e administrativas defendidas pelo governo.
Entre os temas estão redução de impostos para faixas de renda baixa e média, mudanças na previdência e medidas para reduzir a burocracia.
O chanceler também enfrenta queda de popularidade e pressão causada pelo baixo crescimento econômico, pelo custo de vida e por divergências sobre política migratória e apoio à Ucrânia.
O resultado estadual não altera automaticamente a composição do governo federal, mas aumenta a pressão política sobre Merz e a direção da CDU enquanto o partido busca conter novas perdas.
A CDU também terá de avaliar se mantém sem mudanças a estratégia de isolamento da AfD, política que continua sendo defendida oficialmente pela direção partidária.


