Donald Trump aparece pouco na publicidade televisiva produzida por candidatos republicanos e grupos aliados na reta final das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, apesar de o presidente pedir aos apoiadores que tratem a disputa como se o nome dele estivesse na cédula.
Entre 1º e 15 de setembro, republicanos veicularam 12 anúncios de TV que mencionavam Trump, com investimento de cerca de US$ 1 milhão. No mesmo período, mais de 500 peças republicanas somaram acima de US$ 160 milhões em gastos, segundo análise da CNN baseada em dados da AdImpact.
A diferença mostra uma escolha de mensagem: campanhas republicanas continuam defendendo políticas aprovadas durante o governo Trump, mas em muitas disputas evitam colocar o presidente no centro das peças de televisão.
O presidente não é a melhor mensagem nem o nosso melhor porta-voz neste momento.
Estrategista republicano ouvido pela CNN
Trump aparece em 12 anúncios
Os 12 anúncios que mencionaram diretamente o presidente representaram menos de 1% do gasto republicano analisado na primeira quinzena de setembro. A proporção é pequena diante do volume total destinado à televisão.
Trump, por outro lado, tem pedido que as midterms sejam nacionalizadas em torno de sua figura. Em eventos com apoiadores, ele repetiu a orientação: “Imaginem que meu nome está na cédula”.
Um estrategista republicano que trabalha em diferentes campanhas explicou à CNN que parte do partido considera mais eficiente concentrar os comerciais nos adversários democratas e em temas econômicos do que na imagem presidencial.
A estratégia varia conforme o distrito e o estado. Candidatos em áreas mais competitivas precisam equilibrar a mobilização da base republicana com a tentativa de alcançar independentes e eleitores que desaprovam aspectos do governo.
Democratas citam Trump mais
Os democratas adotaram abordagem oposta. Na primeira metade de setembro, gastaram quase US$ 23 milhões na veiculação de 95 anúncios que mencionavam Trump.
Esse valor correspondeu a aproximadamente um quinto do gasto publicitário democrata analisado no período. As peças procuram associar candidatos republicanos ao presidente e às decisões tomadas pela Casa Branca.
Em Michigan e Maine, por exemplo, anúncios democratas usaram o nome de Trump para atacar candidatos republicanos ao Senado. A mensagem varia por estado, mas a ligação com o presidente aparece como elemento recorrente.
Aliados atacam democratas
Grupos políticos ligados ao movimento de Trump também ampliaram o investimento nas midterms, mas nem sempre colocam o presidente nas peças. O No Going Back PAC, associado à rede da MAGA Inc., reservou mais de US$ 100 milhões em publicidade direcionada a disputas competitivas.
Os anúncios desse grupo têm se concentrado em ataques a candidatos democratas, incluindo Abdul El-Sayed, em Michigan, Sherrod Brown, em Ohio, e Roy Cooper, na Carolina do Norte.
A Associated Press também registrou mais de US$ 130 milhões em investimentos de grupos alinhados a Trump para apoiar candidatos republicanos em diferentes estados. O volume mostra que ausência do nome do presidente em anúncios não significa ausência de sua rede política no financiamento das campanhas.
A MAGA Inc., principal super PAC ligado a Trump, declarou mais de US$ 400 milhões em caixa nos relatórios citados pela CNN, o que mantém esses grupos entre os atores financeiros relevantes da reta final.
Impostos dominam propaganda
Em vez de destacar Trump, muitas campanhas republicanas passaram a enfatizar cortes de impostos e medidas aprovadas no atual governo. Dados da AdImpact citados pela CNN mostram mais de 200 anúncios sobre tributação em setembro, com gasto superior a US$ 70 milhões.
Essas peças destacam temas como impostos sobre gorjetas, horas extras e benefícios tributários. Alguns candidatos mencionam que trabalharam com Trump, mas o foco principal fica na política pública e no efeito econômico que pretendem atribuir a ela.
Há exceções. O deputado Mike Lawler, de Nova York, usou imagens de Trump em um anúncio sobre dedução de impostos estaduais e locais e participou da convenção republicana das midterms no Texas.
O padrão geral, porém, permanece desigual: o presidente continua ativo em comícios e na arrecadação política, enquanto sua presença direta nos anúncios televisivos republicanos é bem menor que a presença dele nas peças produzidas por democratas.


