Carlos Viana pede ao STF afastamento cautelar de Gonet

Senador cita foto e mensagens ligadas a Daniel Vorcaro; procurador-geral nega relação de proximidade com o ex-banqueiro

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Redação
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O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou neste domingo (20) no Supremo Tribunal Federal um pedido para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, seja afastado cautelarmente do cargo e também deixe de atuar no caso Banco Master. O requerimento foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e se apoia em uma fotografia e em mensagens atribuídas a interlocutores do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Viana sustenta que os registros precisam ser esclarecidos porque Gonet aparece citado em documentos relacionados às investigações. O procurador-geral nega relação de proximidade com Vorcaro e afirma que teve apenas um encontro presencial com ele, em abril de 2024, durante um evento jurídico em Londres.

Pedido mira cargo e caso

Viana pede duas medidas: o afastamento cautelar de Gonet da Procuradoria-Geral da República e a retirada do procurador-geral da atuação no caso Banco Master. O senador também quer que a fotografia e as mensagens mencionadas sejam juntadas ao processo para manifestação formal de Gonet.

A fotografia foi extraída pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e mostra Gonet ao lado do ex-banqueiro em Londres. A PGR confirmou ao veículo a autenticidade da imagem. A reportagem informa, porém, que não está esclarecido quem fez o registro nem em que circunstância ele chegou ao advogado Ciro Soares.

Viana argumenta que a posição institucional de Gonet exige exame específico sobre possível conflito de interesses. O protocolo ainda depende de análise no STF e não significa que as medidas solicitadas serão acolhidas.

O chefe da instituição não pode ser, ao mesmo tempo, personagem dos fatos e dono da opinião jurídica sobre eles

Carlos Viana, senador

No documento, o senador sustenta que Gonet não deveria participar da análise jurídica de fatos em que seu nome aparece. Não há decisão do Supremo sobre o pedido até a publicação da reportagem original.

Mensagens citam contatos indiretos

Entre os elementos citados por Viana estão mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Em uma conversa de 15 de março de 2025, Ciro Soares teria enviado ao ex-banqueiro uma selfie ao lado de Gonet e informado que o procurador-geral queria falar com ele.

Gonet reconheceu que houve uma breve conversa telefônica naquele dia, mas disse que ela não tratou de assunto relacionado às suas atribuições. Outras mensagens reproduzidas no pedido fazem referência a uma viagem a Londres e à possibilidade de participação de um filho do procurador-geral.

O senador também menciona um relatório da Polícia Federal que descreve Soares como uma ponte entre Gonet e Vorcaro. Segundo a reportagem, o material integra as apurações relacionadas ao Banco Master e aos contatos mantidos pelo ex-banqueiro com autoridades.

Gonet rejeita proximidade

Na defesa apresentada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal em 17 de setembro, Gonet negou ter relação próxima com Vorcaro. Segundo ele, a única interação presencial ocorreu em abril de 2024, em Londres, durante um evento promovido pelo Grupo Voto e pela revista Consultor Jurídico, com participação de outras autoridades.

O procurador-geral afirmou ainda que a conversa telefônica de março de 2025 ocorreu a pedido de Ciro Soares e durou poucos instantes. De acordo com sua versão, não houve discussão de tema relevante nem de assunto ligado às funções da PGR.

A breve saudação foi motivada por pedido do Sr. Ciro Soares

Paulo Gonet, procurador-geral da República

Gonet também criticou a condução de aspectos do caso Banco Master pelo ministro André Mendonça. O Conselho Superior do MPF tem procedimento administrativo relacionado às mensagens atribuídas a Vorcaro, cuja análise foi marcada para 25 de setembro, conforme informou o Metrópoles.

Viana amplia iniciativas no caso

O novo pedido se soma a outras iniciativas recentes de Carlos Viana relacionadas ao Banco Master. Em 1º de setembro, o senador apresentou pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base em suspeitas levantadas a partir de mensagens atribuídas a Vorcaro.

Em 4 de setembro, Viana defendeu que Moraes e Gonet comparecessem ao Senado para prestar esclarecimentos e afirmou que o procurador-geral deveria ser afastado das apurações sobre o banco. A Agência Senado registrou publicamente essas manifestações.

Em 8 de setembro, o senador apresentou o Requerimento 674 de 2026 para convocar o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, a explicar a produção e a circulação de relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre André Mendonça. O Requerimento 675 de 2026 pede informações sobre os mesmos documentos.

O Conselho Superior do MPF é presidido por Paulo Gonet enquanto durar seu exercício como procurador-geral da República. A composição oficial do colegiado também inclui vice-presidente e conselheiros com mandatos definidos.

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