Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, realizou neste sábado, 19 de setembro, sua primeira agenda de campanha voltada diretamente ao público evangélico. O encontro reuniu cerca de 25 mulheres de denominações tradicionais em um hotel no Jardim Paulista, na capital.
A reunião ocorreu a quinze dias do primeiro turno e faz parte de uma tentativa de ampliar o diálogo com um segmento no qual o petista enfrenta resistência maior do que seu principal adversário, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.
Participaram representantes ligadas a igrejas Batista, Metodista e Presbiteriana. O evento foi organizado pela Frente de evangélicos pelo estado de direito e teve foco em conversas sobre problemas estaduais e temas de interesse das participantes.
Primeira agenda com evangélicos
Até este sábado, Haddad ainda não havia realizado uma agenda específica com representantes evangélicos durante a campanha de 2026. A aproximação ocorreu já na fase final da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
O encontro foi realizado em formato mais reservado do que grandes atos de campanha. A proposta foi abrir espaço para conversa direta com um grupo de mulheres de igrejas históricas e tradicionais.
A iniciativa também buscou reduzir a distância entre a campanha petista e um eleitorado que, nas pesquisas recentes, demonstra preferência mais forte por Tarcísio.
A agenda evidencia que o voto evangélico passou a receber atenção mais direta da campanha de Haddad na reta final da eleição paulista.
Mulheres foram foco da reunião
A composição do encontro também foi específica: as convidadas eram mulheres evangélicas, grupo que combina duas dimensões relevantes para as campanhas em São Paulo, religião e gênero.
A equipe de Haddad tem trabalhado propostas relacionadas à proteção das mulheres, especialmente no campo da segurança pública. Esse tema apareceu como um dos eixos previstos para a conversa com as participantes.
A reunião foi articulada em meio a uma agenda eleitoral na qual as campanhas têm buscado formatos menores e segmentados, direcionados a grupos com demandas específicas.
Em vez de um comício tradicional, o encontro permitiu que Haddad ouvisse diretamente as participantes e apresentasse posições sobre questões estaduais.
Tarcísio tem vantagem entre evangélicos
O movimento ocorre em um cenário no qual Tarcísio mantém desempenho superior entre eleitores evangélicos. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostrou o governador com 59% das intenções de voto nesse segmento, contra 20% de Haddad.
A diferença é maior do que a registrada no eleitorado geral e ajuda a explicar por que a campanha petista decidiu intensificar o diálogo com esse público.
O governador, por sua vez, mantém presença frequente em eventos religiosos. Neste sábado, sua agenda incluiu compromissos em igrejas e encontros com grupos evangélicos em diferentes cidades paulistas.
A disputa por esse eleitorado ocorre sem que religião seja o único fator considerado. As campanhas também associam essas agendas a temas como segurança, família, emprego, educação e políticas sociais.
Campanha nega mudança de estratégia
Haddad afirmou após o encontro que a reunião não representa uma mudança estrutural de estratégia. A campanha apresenta a iniciativa como parte de uma agenda mais ampla de diálogo com diferentes setores da sociedade paulista.
O candidato sustenta que pretende discutir soluções para problemas do estado independentemente da orientação religiosa dos eleitores.
Ao mesmo tempo, a realização da primeira agenda específica com evangélicos apenas na reta final mostra que a campanha passou a dar atenção mais visível a um segmento onde seu desempenho é inferior.
Essa combinação permite à equipe tentar ampliar apoio sem apresentar o movimento como uma alteração abrupta de posicionamento eleitoral.
Agenda religiosa ganha peso na disputa
Os compromissos deste sábado mostram como o eleitorado religioso entrou de forma mais explícita na disputa pelo governo paulista. Haddad reuniu mulheres evangélicas na capital, enquanto Tarcísio manteve uma programação com forte presença em igrejas.
O governador participou de compromissos em diferentes municípios, incluindo eventos religiosos na Grande São Paulo. Sua campanha considera esse eleitorado uma base importante para a reeleição.
Haddad, por outro lado, tenta ampliar interlocução com grupos que historicamente apresentam maior resistência ao PT, sem abandonar os temas econômicos e sociais que estruturam sua campanha.
A movimentação dos dois candidatos indica que as últimas semanas da corrida estadual devem ter mais agendas direcionadas a públicos específicos.
Reta final aumenta disputa por segmentos
Com o primeiro turno marcado para o início de outubro, as campanhas entraram em uma fase de busca mais intensa por grupos capazes de alterar o resultado nos últimos dias.
Haddad procura reduzir diferenças entre segmentos onde Tarcísio tem desempenho mais forte, enquanto o governador tenta consolidar apoio e evitar perda de vantagem na reta final.
Além do eleitorado evangélico, mulheres, jovens, moradores do interior e eleitores de renda média também têm recebido atenção especial em agendas e peças de comunicação.
O encontro deste sábado, portanto, representa mais do que uma reunião setorial: ele mostra como a campanha de Haddad tenta ampliar pontes com um público que pode ser decisivo em uma eleição marcada por forte segmentação do voto.


