O turismo no estado do Rio de Janeiro avançou acima da média brasileira em indicadores de vendas, receita, emprego e entrada de estrangeiros, segundo o Painel Mensal do Turismo elaborado pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises, o IFec RJ. No acumulado até julho, o volume de serviços ligados ao setor cresceu 6% no estado, enquanto o Brasil registrou expansão de 0,6% no mesmo período.
A diferença também aparece na receita nominal. O indicador subiu 12,5% no Rio, contra 9,7% no país. O levantamento reúne informações de bases oficiais, entre elas IBGE, Ministério do Turismo, Polícia Federal, Banco Central, ANAC, ANTT, Novo Caged e RAIS, e acompanha desde atividade econômica até preços e fluxo de visitantes.
Rio amplia vantagem nas vendas
O avanço de 6% no volume de serviços turísticos mostra que o crescimento fluminense não depende apenas de preços. A medida procura captar a variação real da atividade e coloca o estado em posição mais favorável do que a média nacional ao longo de 2026.
Dados anteriores da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE já apontavam a mesma direção. No acumulado de janeiro a maio, o Rio liderava o crescimento entre as unidades pesquisadas, com alta de 6,1%, enquanto o agregado nacional registrava leve retração de 0,1%.
O desempenho combina hotelaria, alimentação, transporte, reservas, atividades culturais e outros serviços associados ao deslocamento de visitantes. A composição varia ao longo do ano conforme férias, grandes eventos, calendário de negócios e oferta de voos.
A diferença entre Rio e Brasil mostra que a atividade turística fluminense manteve ritmo próprio de expansão mesmo em meses de desaceleração nacional.
Indicadores superam média nacional
O painel também aponta que o Rio recebeu 177.778 visitantes estrangeiros em julho, alta de 4,3% frente ao mesmo mês de 2025. No Brasil, o fluxo internacional caiu 1,1% na mesma comparação.
| Indicadores superam média nacional | ||
|---|---|---|
| Indicador | Rio de Janeiro | Brasil |
| Volume de serviços turísticos até julho | +6,0% | +0,6% |
| Receita nominal até julho | +12,5% | +9,7% |
| Chegadas internacionais em julho | +4,3% | -1,1% |
| Inflação turística em 12 meses | 5,5% | 6,8% |
Fonte: IFec RJ, com base em dados oficiais.
Nos 12 meses encerrados em julho, o estado somou aproximadamente 2,4 milhões de chegadas internacionais, crescimento de 20,3%. A expansão reforça o peso do turismo estrangeiro na economia fluminense, especialmente na capital e em destinos litorâneos.
Estrangeiros ganham peso
O avanço do turismo internacional vem acompanhado de maior conectividade aérea. O Aeroporto Internacional do Galeão retomou rotas e frequências nos últimos anos, movimento que ajudou o Rio a ampliar sua capacidade de receber visitantes de mercados da América do Sul, América do Norte e Europa.
No primeiro semestre de 2026, a cidade do Rio recebeu 6,4 milhões de turistas, segundo a Prefeitura. Desse total, 1,3 milhão eram estrangeiros. O impacto econômico estimado para o período chegou a R$ 17,2 bilhões, dos quais R$ 5,9 bilhões foram associados aos visitantes internacionais.
O gasto médio do turista estrangeiro tende a ser superior ao do viajante doméstico, especialmente porque estadias internacionais costumam ser mais longas. Esse perfil aumenta a relevância econômica da expansão das chegadas para hotéis, restaurantes, entretenimento e comércio.
O crescimento também amplia o desafio de manter infraestrutura, segurança, mobilidade e qualidade dos serviços em patamar compatível com um fluxo maior de visitantes.
Setor também abre vagas
O IFec RJ contabilizou 14.982 novas vagas ligadas ao turismo fluminense nos 12 meses encerrados em julho. O saldo reforça a relação entre aumento da demanda e contratação em atividades como hospedagem, alimentação, transporte e serviços de apoio.
A inflação dos itens associados ao turismo ficou em 5,5% no estado no período de 12 meses, abaixo dos 6,8% observados no Brasil. Esse diferencial ajuda a limitar parte do impacto dos custos sobre consumidores e empresas, embora preços ainda avancem em ritmo relevante.
Para o setor, a continuidade da expansão dependerá de fatores como renda das famílias, câmbio, oferta de voos, calendário de eventos e estabilidade econômica. A evolução das chegadas estrangeiras também será influenciada pela conectividade internacional e pela competitividade do destino.
Os números mais recentes indicam, porém, que o Rio entrou no segundo semestre com desempenho superior ao nacional em vários dos principais indicadores do turismo. O desafio agora é sustentar esse ritmo sem perder competitividade em preço e qualidade.


