O dólar começou a sessão desta quinta-feira, 17 de setembro, em queda no mercado brasileiro, negociado perto de R$ 5,13, depois de o Banco Central reduzir a taxa Selic pela quinta reunião consecutiva. A moeda também reagiu ao recuo dos preços internacionais do petróleo e às decisões de política monetária tomadas no Brasil e nos Estados Unidos.
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e confirmou a quinta redução seguida, acumulando 1,25 ponto percentual de queda desde o início do ciclo de flexibilização em março.
O movimento do câmbio ocorre em um cenário de forças opostas: juros menores no Brasil tendem a reduzir o diferencial de rendimento frente ao exterior, enquanto a queda do petróleo diminui parte das pressões inflacionárias e melhora o humor dos mercados.
Dólar começa abaixo de R$ 5,15
A abertura perto de R$ 5,13 representa recuo em relação à cotação de fechamento da véspera. A Ptax do Banco Central registrou taxa de venda de R$ 5,1527 na quarta-feira, enquanto o dólar à vista terminou a sessão praticamente estável.
O mercado ajustou posições após a decisão do Copom e também depois de o Federal Reserve elevar os juros americanos em 0,25 ponto percentual. A taxa dos Estados Unidos passou para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
A alta americana, isoladamente, tende a favorecer o dólar ao elevar a remuneração de ativos denominados na moeda. No Brasil, porém, a reação desta manhã também incorpora o tom do Banco Central e a melhora de parte dos ativos internacionais.
Copom faz quinto corte
O Banco Central reduziu a Selic para 13,75% e manteve uma mensagem de cautela sobre as próximas reuniões. A autoridade monetária afirmou que seguirá avaliando a evolução da inflação, da atividade econômica, das expectativas e do cenário externo antes de definir novos passos.
O comunicado destacou moderação gradual da atividade brasileira, especialmente em setores mais sensíveis aos juros, mas também apontou mercado de trabalho ainda aquecido e incertezas relevantes no exterior.
Mesmo com cinco cortes seguidos, a taxa básica brasileira permanece elevada em termos nominais e reais. Esse diferencial continua atraindo capital para ativos locais, mas sua redução progressiva pode alterar a relação entre risco e retorno para investidores internacionais.
Petróleo ajuda a aliviar pressão
Os preços internacionais do petróleo recuaram nesta quinta-feira depois de sinais de recuperação parcial da oferta saudita e de menor temor de uma interrupção prolongada em rotas do Oriente Médio. O Brent caiu para a região de US$ 104 por barril durante a manhã.
O petróleo é acompanhado de perto pelo mercado brasileiro porque influencia preços de combustíveis, inflação, ações da Petrobras e a balança comercial. Uma queda consistente da commodity pode reduzir parte das pressões sobre índices de preços.
O alívio também favoreceu moedas de algumas economias importadoras de energia e diminuiu a procura defensiva pelo dólar no exterior. O efeito, porém, pode mudar rapidamente diante de novas notícias sobre conflitos e infraestrutura energética.
Fed eleva juros americanos
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde 2023 e indicou que poderá voltar a agir caso a inflação permaneça resistente. O movimento contrasta com o ciclo de redução iniciado pelo Banco Central brasileiro.
A diferença entre as trajetórias monetárias dos dois países é um dos fatores usados por investidores para definir posições no mercado de câmbio. Quanto menor o diferencial entre os juros brasileiros e americanos, menor tende a ser o incentivo adicional para operações de carregamento em reais, embora outros fatores também influenciem o fluxo de recursos.
O mercado acompanhará agora dados de inflação, emprego e atividade dos dois países para avaliar a duração desses ciclos. No Brasil, a próxima reunião do Copom ocorrerá depois das eleições de outubro.
Câmbio segue sensível ao exterior
Além dos juros, o comportamento do dólar depende do cenário fiscal doméstico, dos fluxos comerciais e financeiros e do ambiente político. A proximidade das eleições aumenta a atenção a notícias capazes de alterar expectativas sobre contas públicas e política econômica.
No exterior, a evolução dos conflitos no Oriente Médio e a trajetória das commodities continuam entre os principais riscos. Uma nova escalada nos preços do petróleo poderia reacender preocupações inflacionárias e mudar a direção dos mercados.
A queda observada na abertura, portanto, reflete a combinação de fatores desta manhã e não garante tendência para o restante da sessão. O câmbio pode oscilar conforme novos dados e declarações de autoridades forem incorporados aos preços.


