Flávio Bolsonaro usou apartamento de advogado investigado, diz revista

Imóvel localizado em São Paulo pertence à empresa de Willer Tomaz, alvo da Polícia Federal em apuração sobre fraudes no INSS

Da
Redação
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Senador utilizou imóvel localizado na zona sul da capital paulista durante agenda de campanha.
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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro utilizou um apartamento na zona sul de São Paulo durante a campanha eleitoral de agosto. O imóvel está localizado no condomínio l’Adresse, na Vila Nova Conceição, e pertence a uma empresa do advogado Willer Tomaz, que é alvo de investigações da Polícia Federal em um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.

A revelação foi publicada pela revista piauí e aponta que o parlamentar permaneceu no local por alguns dias da primeira quinzena do mês. O comitê oficial da campanha do presidenciável funcionava na Avenida República do Líbano, a poucos minutos de carro do edifício onde o senador ficou hospedado.

Moradores do prédio confirmaram aos repórteres a presença do político nas dependências do condomínio, além de relatarem uma movimentação incomum de agentes de segurança durante o período. A assessoria de imprensa do candidato negou a estadia no apartamento e afirmou que ele se hospedou exclusivamente em hotéis da capital paulista.

Investigação apura fraudes

O advogado Willer Tomaz, dono da empresa WT Administração de Imóveis e Bens que detém a propriedade do apartamento, figura como alvo de apuração da Polícia Federal. A ofensiva examina fraudes e cobranças irregulares aplicadas contra aposentadorias e pensões administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social.

Além das suspeitas ligadas ao órgão previdenciário, as diligências buscam esclarecer conexões e o histórico das transações imobiliárias associadas ao bem. O imóvel possui 158 metros quadrados e três vagas de garagem na zona sul paulistana.

Questionado pelas equipes de reportagem sobre a utilização do bem imobiliário, Tomaz inicialmente negou qualquer ligação e posteriormente enviou manifestação formal afirmando não manter laços pessoais ou comerciais com os antigos proprietários do imóvel ou pessoas ligadas a eles.

Transação imobiliária anterior

Antes de passar para o controle da empresa ligada a Willer Tomaz, o apartamento pertencia a Fabiano Zettel. O empresário é cunhado e atuou como operador financeiro de Daniel Vorcaro, executivo ligado ao Banco Master.

Registros oficiais apontam que Zettel adquiriu o imóvel em abril do ano passado pelo valor de R$ 5,5 milhões, embora nunca tenha habitado o local. Meses depois, em fevereiro deste ano, o bem foi vendido para a empresa de Willer Tomaz por R$ 3,5 milhões, uma diferença de R$ 2 milhões em relação à aquisição original.

A transferência cartorária do apartamento foi formalizada no dia 4 de março. Essa data coincidiu com o momento em que Fabiano Zettel se entregou às autoridades policiais e teve sua prisão decretada no âmbito dos desdobramentos das investigações em curso.

Conexões políticas envolvidas

Fabiano Zettel possui um histórico de atuação relevante e exerceu funções como pastor na igreja da Lagoinha. No cenário eleitoral de 2022, ele se destacou como um dos maiores doadores individuais para campanhas de expressão nacional e estadual.

Os registros da Justiça Eleitoral mostram que os recursos repassados por Zettel financiaram as candidaturas de Jair Bolsonaro à Presidência da República e de Tarcísio de Freitas ao governo do estado de São Paulo. Esses vínculos financeiros ampliaram a atenção sobre as movimentações envolvendo os imóveis do empresário.

Apesar de a defesa e os representantes dos citados tentarem afastar conexões diretas entre os episódios, os investigadores continuam cruzando dados para mapear a rota de bens e o financiamento de estruturas usadas por lideranças políticas durante períodos de campanha.

Controvérsias sobre hospedagem

Enquanto moradores e relatos de bastidores apontam a permanência de Flávio Bolsonaro no edifício da Vila Nova Conceição, a equipe de campanha adotou uma postura de restrição de detalhes. Os assessores insistiram na tese de hospedagem hoteleira tradicional na região.

Apesar da negativa sobre pernoites no endereço específico, a nota oficial distribuída pela assessoria evitou esclarecer se o local serviu para reuniões estratégicas, suporte técnico ou encontros políticos de apoio à candidatura presidencial durante a agenda em São Paulo.

A proximidade física entre o comitê oficial e o condomínio administrado pela empresa de Willer Tomaz reforçou os questionamentos da imprensa sobre a logística adotada pela equipe de campanha ao longo dos dias em que o senador permaneceu na capital paulista.

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