O Citi mantém recomendação de compra para as ações da Movida, negociadas na B3 pelo código MOVI3, mas continua classificando o papel como de alto risco. Em sua avaliação mais recente disponível, o banco trabalha com preço-alvo de R$ 16,80 e destaca melhora operacional da locadora, especialmente na atividade de aluguel de veículos.
As ações encerraram a quarta-feira (16) a R$ 8,00, segundo dados de mercado. Esse nível permanece bastante abaixo do preço-alvo divulgado pelo banco. A distância entre cotação e alvo representa uma projeção do Citi, não uma garantia de valorização, e pode mudar conforme resultados, juros, endividamento e condições do mercado de automóveis.
Citi mantém visão positiva
O banco elevou anteriormente sua recomendação para compra depois de observar melhora na rentabilidade da operação de aluguel, maior utilização da frota e sinais de disciplina no negócio de seminovos. A avaliação também considera que a empresa vem entregando resultados acima de algumas projeções feitas no início do ano.
No segundo trimestre, a prévia não auditada indicou lucro acima do topo do guidance e 11,4% superior à estimativa do Citi. A receita de locação foi apontada pelo banco como um dos principais destaques, enquanto margens também vieram melhores do que o esperado.
Ao mesmo tempo, despesas financeiras continuam relevantes para a análise. Empresas de locação trabalham com frotas grandes, forte necessidade de capital e exposição direta ao custo do crédito, o que torna mudanças de juros especialmente importantes.
A recomendação de compra convive com a classificação de alto risco porque o Citi vê espaço de valorização, mas reconhece sensibilidade elevada a juros, dívida e preços de veículos usados.
Indicadores ajudam a entender
| Referência | Valor |
|---|---|
| Preço-alvo do Citi | R$ 16,80 |
| Fechamento em 16/9 | R$ 8,00 |
| Recomendação | Compra |
| Classificação de risco | Alto risco |
Fonte: Citi e dados de mercado.
O preço-alvo é uma estimativa de valor futuro elaborada pelos analistas com base em hipóteses sobre resultados, múltiplos, juros e execução operacional. Ele pode ser revisado para cima ou para baixo caso essas premissas mudem.
A classificação de alto risco também é relevante porque indica maior incerteza sobre a trajetória do papel. Isso não significa que o banco espere necessariamente queda, mas sinaliza que a dispersão de resultados possíveis é considerada elevada.
Juros pesam na tese
A Movida depende de financiamento para renovar e expandir sua frota. Taxas de juros altas aumentam despesas financeiras e podem reduzir a rentabilidade mesmo quando a operação de aluguel apresenta crescimento.
O ciclo de redução da Selic é, portanto, uma variável importante para a tese. Juros menores tendem a aliviar o custo da dívida ao longo do tempo, embora o efeito dependa dos prazos de financiamento e da velocidade de renegociação.
Outro fator é o mercado de seminovos. A companhia vende veículos usados para renovar a frota, e preços de revenda influenciam diretamente margens e depreciação contábil.
Investidor acompanha execução
O desempenho do papel nos próximos meses deve continuar ligado à capacidade da empresa de manter utilização elevada, controlar custos, preservar preços de locação e administrar a venda de veículos usados.
Também serão acompanhados indicadores de alavancagem e geração de caixa. Uma melhora operacional pode ser parcialmente anulada por custos financeiros se o endividamento permanecer elevado.
A recomendação do Citi representa a avaliação do banco e não constitui certeza sobre retorno futuro. O mercado pode precificar novas informações de forma diferente da estimativa dos analistas.


