A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do PP, respondeu nesta quinta-feira (17) às críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um ato de campanha em Ceilândia e afirmou que a crise do Banco de Brasília passou a ser usada como instrumento eleitoral. Segundo ela, o governo local não pediu transferência de recursos da União, mas aval federal para uma operação de crédito que seria paga pelo próprio Distrito Federal.
Lula havia dito que o governo federal não destinaria dinheiro público para “salvar” o BRB e criticou a gestão do banco durante os últimos anos. As falas ocorreram em um ambiente de forte disputa eleitoral no Distrito Federal, onde Celina busca a reeleição e Lula apoia adversários locais.
Celina contesta versão
A governadora afirmou que ninguém está pedindo dinheiro diretamente ao governo federal. A discussão envolve uma operação de crédito para reforçar a situação financeira do banco, com garantias e autorizações que passam por órgãos federais.
Na avaliação apresentada por Celina, Lula misturou a negociação financeira com o debate eleitoral. Ela acusou o presidente de utilizar o banco para atacar sua candidatura.
Essa é uma acusação política da governadora, não uma conclusão independente sobre a motivação do presidente. Lula, por sua vez, sustenta que recursos federais não devem ser direcionados para cobrir perdas associadas à gestão do banco.
O conflito está concentrado na diferença entre um repasse direto da União e um aval federal para uma operação que teria o Distrito Federal como responsável pelo pagamento.
BRB enfrenta crise financeira
O banco sofreu forte impacto depois de operações envolvendo carteiras adquiridas do Banco Master. Investigações analisam a origem e o lastro de ativos negociados entre as instituições.
O Distrito Federal buscou alternativas para reforçar o capital e a liquidez do BRB. Entre as opções discutidas está uma operação com participação do Fundo Garantidor de Créditos e de outras instituições financeiras.
A estrutura final ainda depende de decisões regulatórias, judiciais e políticas. O governo local afirma que trabalha para preservar o banco sob controle público.
Lula critica gestão
Durante o ato em Ceilândia, Lula atribuiu responsabilidade pela crise à administração do Distrito Federal e às relações do banco com o Master. Também disse que não aceitaria retirar recursos de políticas sociais para cobrir problemas do BRB.
A fala teve tom de campanha e ocorreu diante de apoiadores. Celina respondeu dizendo que o presidente distorceu o modelo de financiamento em discussão.
As investigações relacionadas ao Master continuam em andamento e ainda não representam condenação definitiva de todas as pessoas e instituições mencionadas.
Disputa entra na eleição
O BRB se tornou um tema central da eleição local. Governistas defendem a preservação da instituição e atribuem parte das dificuldades a operações específicas, enquanto adversários questionam decisões da administração anterior e atual.
A crise também repercute nacionalmente por envolver o Banco Master, personagens políticos e procedimentos analisados pelo Supremo Tribunal Federal.
Até que a solução financeira seja concluída, o debate deve continuar combinando aspectos técnicos sobre capital e liquidez com ataques políticos próprios do período eleitoral.


