Prédio residencial desaba na Cidade de Gaza e deixa ao menos 20 mortos

Edifício de sete andares no bairro de Al-Rimal abrigava famílias deslocadas pela guerra e acumulava danos estruturais graves

Da
Redação
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Equipes da Defesa Civil e moradores realizam buscas por sobreviventes nos destroços do edifício Al-Sa'ada, na Cidade de Gaza.REUTERS
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Ao menos 20 pessoas morreram, incluindo cinco crianças, e outras 14 ficaram feridas após o desabamento de um prédio residencial de sete andares na madrugada desta quarta-feira (16), no bairro de Al-Rimal, localizado na Cidade de Gaza. O edifício Al-Sa’ada havia sido atingido por ataques aéreos israelenses no início do confronto deflagrado em outubro de 2023 e funcionava como abrigo temporário para diversas famílias palestinas desabrigadas.

Equipes de emergência da Defesa Civil atuam no local em busca de sobreviventes, enquanto parentes e voluntários auxiliam na remoção manual de escombros. As estimativas das autoridades locais indicam que cerca de 100 pessoas permanecem desaparecidas sob os destroços da estrutura que colapsou totalmente por volta das três horas da manhã.

O episódio ocorreu no momento em que os moradores dormiam, provocando pânico e desespero entre os ocupantes do imóvel. Vídeos registrados na área mostram socorristas tentando resgatar crianças presas em pequenas cavidades formadas pelo desabamento do concreto.

Socorristas buscam dezenas de desaparecidos

As operações de resgate enfrentam extrema dificuldade devido à escassez de maquinário pesado e à quantidade massiva de escombros acumulados no local. A Defesa Civil relatou que as equipes de emergência continuam trabalhando ininterruptamente para tentar localizar sinais de vida nas áreas mais profundas do desabamento.

O escritório de imprensa do Hamas em Gaza informou que o prédio abrigava dezenas de famílias deslocadas que não encontraram alternativas seguras de moradia. A entidade destacou que a ausência de novas tendas e o desgaste gerado pelas chuvas e ventos intensos têm forçado populações vulneráveis a buscarem abrigo em construções danificadas por bombardeios anteriores.

O porta-voz da Defesa Civil, Mahmoud Basal, declarou que a tragédia reflete a precariedade extrema enfrentada pelos civis na região. Ele ressaltou que milhares de edifícios que sofreram abalos estruturais em toda a Faixa de Gaza continuam sendo habitados, apresentando riscos diários e iminentes de novos colapsos.

Falta de moradias força ocupação de estruturas instáveis

Representantes dos serviços locais de resgate, como o agente Dahshan, orientaram a população a manter distância de edificações visivelmente abaladas. Contudo, dados do próprio serviço de emergência indicam que aproximadamente dois mil edifícios comprometidos continuam servindo de residência improvisada na região.

Moradores relataram nos últimos meses que a busca por proteção contra condições climáticas adversas supera o temor de desabamentos. A falta de suprimentos e materiais para a montagem de novos acampamentos mantém milhares de famílias sem opções reais de abrigo seguro.

As autoridades locais reiteraram que o edifício Al-Sa’ada era considerado uma opção de refúgio por muitas pessoas que acreditavam na estabilidade da estrutura. O colapso repentino reacendeu os alertas sobre o perigo constante a que estão submetidos os civis deslocados.

ONU estima sete anos para remover entulhos

A dimensão da destruição física em Gaza atinge níveis sem precedentes desde o início da ofensiva militar. Dados levantados pela Organização das Nações Unidas apontam que o conflito acumulou cerca de 61 milhões de toneladas de destroços e entulho por todo o território palestino.

Especialistas da ONU projetam que os trabalhos de limpeza e remoção completa de todo esse volume de escombros podem se estender por até sete anos. A presença desse material bloqueia vias públicas, dificulta a circulação de ambulâncias e inviabiliza o início imediato de projetos de reconstrução.

Enquanto a limpeza não avança, a degradação das estruturas remanescentes se acentua com o passar do tempo. A exposição contínua aos elementos naturais acelera o enfraquecimento de vigas e colunas em prédios atingidos por explosões no passado.

Violência e impasses impedem estabilização regional

Apesar de um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos ter entrado em vigor em outubro de 2025 para conter os combates em larga escala, a violência pontual não cessou na região. As negociações voltadas ao cumprimento integral do plano de paz do governo norte-americano continuam travadas entre as partes.

O Hamas acusa o governo israelense de desrespeitar os termos do acordo e obstacularizar a retirada militar prevista para a Faixa de Gaza. Por outro lado, autoridades de Israel afirmam que o grupo palestino mantém descumprimentos das exigências estabelecidas para a manutenção da trégua.

Balanços das autoridades de saúde de Gaza indicam que mais de 1.300 palestinos, em sua maioria civis, morreram em decorrência de incidentes armados desde o início da trégua. No mesmo período, o Exército israelense confirmou a morte de quatro soldados durante operações no território.

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